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Vestibular foi instituído no Brasil em 1911

No início só entrava no curso superior quem tinha frequentado um colégio tradicional

29 de outubro de 2013 | 11h 04
Rose Saconi

Instituído no Brasil em 1911, o vestibular sofreu muitas modificações, já passou por dezenas de leis, decretos, portarias e resoluções. No início, o sistema era o mais elitista e excludente possível: só entrava na universidade quem tinha cursado um colégio tradicional. As primeiras escolas superiores no Brasil foram criadas a partir de 1808, quando a família real portuguesa se estabeleceu no país. Para ingressar nessas instituições o candidato precisava ter a idade mínima de 16 anos e passar pelos exames de madureza.



Em 1911, uma comissão de instrução pública, preocupada com a falta de preparo dos estudantes que chegavam ao ensino superior, apresentou na Câmara Federal um projeto de reformas. "Há calouros de direito que desconhecem completamente o latim e escrevem o portuguez como crianças de grupo escolar; rapazes que se dirigem às escolas de engenharia são obrigados a repetir o curso de mathematica, por ser quasi nullo o seu preparo nos primeiros elementos da arithmetica, da algebra e da geometria, candidatos aos cursos médicos que mal sabem o que seja seja a physica e a chimica", foram alguns argumentos dos integrantes dessa comissão descritos na cobertura do Estado da época. Neste ano, o ministro da Justiça e dos Negócios Interiores, Rivadávia da Cunha Corrêa, decidiu fazer um exame para selecionar quem poderia entras nas universidades públicas. Chamava-se Concurso de Habilitação para Ingresso nas Faculdades.

A palavra vestibular só apareceu quatro anos depois, em 1915, quando os ensinos secundário e superior foram reorganizados na República Velha. "O exame vestibular será feito em duas provas, uma escripta e outra oral. A prova escripta consistirá na traducção de um trecho de autor classico francez e de um livro facil de inglez, sem auxilio de diccionario, e a prova oral sobre elementos de phychologia e logica, historia universal e história da philosophia (...)", dizia a reportagem sobre o curso de Direito.

Significado. Vestibular vem de vestíbulo, o espaço existente entre a porta de entrada e as principais dependências de uma casa. Ao passar dos anos, 'esse espaço' transformou-se na estreita e obrigatória passagem pela qual deveriam passar os candidatos que pretendessem cursar as poucas carreiras existentes da época.

Em 1961, a lei que ficou conhecida como de Diretrizes e Bases deu equivalência a todos os cursos de grau médio para entrada nos cursos superiores. Os cursinhos pré-vestibulares surgiram nesse momento, quando o número de excedentes - os candidatos que mesmo conseguindo as notas mínimas exigidas para entrar na universidade não conseguiam vagas nas faculdades - tornou-se muito grande. Foi nessa época também que começaram a proliferar as universidades particulares, algumas apresentando um ensino de qualidade duvidosa. Os exames, de tão concorridos, já não cabiam nas salas das faculdades e começaram a ser feitos em grandes espaços, como no Estádio do Maracanã ou no Parque de Exposições do Anhembi.

Unificação. Por causa dessa explosão do público universitário, grupos de professores criaram, a partir de 1964, voluntariamente, fundações como Cescem, Cescea e Mapofei, responsáveis pela seleção de alguns cursos, da USP e de outras instituições, como Mauá e FEI. A unificação ocorreu apenas em 1976, com a criação da Fuvest que unificou os vestibulares da Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Essa unificação durou apenas até 1983 quando a Unesp se desvinculou. Em 1985 a Unicamp fez o mesmo.

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