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Videla: o ditador com destino diferente

General foi condenado pela primeira vez logo depois de deixar o poder, e terminou seus dias na prisão

17 de maio de 2013 | 11h 24
Carlos Eduardo Entini

 


Videla em visita ao Brasil em agosto de 1980 - Rolando de Freitas/Estadão

Jorge Rafael Videla, que morreu na prisão argentina aos 87 anos, era para ser mais um ex-ditador latino americano. Em 1976, na época comandante do Exército Argentino, foi alçado ao comando do país pela Junta Militar depois do golpe que derrubou o governo de Isabelita Peron.


O Estado de S. Paulo - 27/3/1976

Mas ao contrário de outros ex-ditadores de governos militares que assolaram a América do Sul durante as décadas de 1960 a 1980, Videla teve um destino diferente. Pouco tempo depois de deixar o poder foi para a cadeia. Em 1985 foi condenado, juntamente com outros militares, à prisão perpétua por 66 homicídios, 306 sequestros, 96 casos de torturas, 4 torturas seguidas de morte e 26 roubos.

Contrario à intervenção das Forças Armadas no processo político, Videla exerceu o cargo de presidente de 1976 a 1981. Comandou a mais brutal das ditaduras militares do continente que durou até 1983. Durante seu comando, mais de 30 mil argentinos desapareceram.


O Estado de S. Paulo - 17/2/2012

Em 1990 recebeu indulto do presidente Carlos Menem. Alegou-se que sua libertação seria benéfica à pacificação da Argentina. Mas voltou à prisão em 1998, acusado de sequestro e falsificação de identidade de crianças filhos de desaparecidos políticos. Por esse crime, a sentença veio em julho de 2012. O ex-ditador foi condenado a 50 anos pelo roubo de 35 bebês. Em 2001, cumprindo a pena em regime domiciliar, foi o primeiro ex-chefe de Estado a ser processado como um dos responsáveis pelo Plano Condor, um esquema de extermínio de opositores dos regimes militares do Cone Sul. Em 2010 foi novamente condenado à prisão perpétua pelos assasinatos e desaperecimentos durante seu governo. Em 2013, voltaria aos tribunais acusado de "genocídio cultural" por ter incinerado e extraviado, em 1977, cerca de 80 mil obras da biblioteca da cidade de Rosário consideradas subversivas.


Videla ao lado do governador de São Paulo, Paulo Maluf, no Monumento à Independência em 1980- Rolando de Freitas/Estadão

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