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Woodrow Wilson, o presidente americano que adoeceu de gripe espanhola

Líder dos Estados Unidos contraiu Influenza e sofreu um derrame em 1919

02 de outubro de 2020 | 21h 22
Liz Batista - Acervo Estadão

Presidente doente acende um sinal de alerta em qualquer país. Um presidente americano doente amplia a preocupação para todo o globo. Em 1919, durante a pandemia de gripe espanhola, a mais mortal do século 20, com cerca de 50 milhões de mortes estimadas no mundo, o então presidente americano Woodrow Wilson contraiu a doença.

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Na época, o mundo passava por um momento crítico. Além da crise sanitária desencadeada pelo vírus da Influenza, a Primeira Guerra Mundial havia acabado. Com a vitória dos Aliados e a capitulação da Alemanha em 11 de novembro de 1918, os países contavam seus mortos - mais de 40 milhões em todo o globo - e a Europa tentava reagir diante da grave crise econômica e da destruição provocada pelo conflito. A Rússia encontrava-se mergulhada numa guerra civil, iniciada após a Revolução de outubro de 1917.

Inglaterra e França, ao lado dos Estados Unidos encabeçavam as negociações sobre os moldes das reparações de guerra que seriam impostas à Alemanha e os termos práticos do seu desarmamento. As bases para a criação da Liga das Nações - uma espécie de predecessora da ONU, uma organização internacional idealizada para manter um diálogo diplomático permanente entre os povos para mitigar conflitos e evitar uma guerra em larga escala - começavam a ser estabelecidas. 

O presidente americano Woodrow Wilson.

O presidente americano Woodrow Wilson.

Foi nesse cenário de incertezas e tensões que o líder de uma das maiores potências do globo caiu doente. O democrata Wilson apresentou os primeiros sintomas no início de abril de 1919, durante sua visita à França para tratar de questões do pós-guerra na Conferência de Paz. Ficou acamado, com algumas recaídas nos meses que se seguiram. Desejando manter o foco no esforço do pós-guerra, a Casa Branca repercutiu seu adoecimento como uma uma simples gripe e uma indisposição sem maiores gravidades.

>> Estadão 5/4/1919

Estadão 5/4/1919

Estadão 5/4/1919

Seis meses depois, em 02 de outubro, Wilson sofreu um derrame. Sua condição também foi tratada de forma minimizada nas comunicações ao público e escondida de adversários políticos. Com as parcas informações divulgadas, as especulações cresciam. Algumas formulavam teorias sobre  uma possível recaída e agravamento da gripe. O acidente vascular manteve o mandatário americano convalescente e acamado por semanas, o deixou parcialmente cego e com o lado esquerdo do corpo e paralisado.

>> Estadão 24/4/1919

Estadão 24/4/1919

Estadão 24/4/1919

As matérias do Estadão acompanharam o quadro de saúde do presidente dos Estados Unidos nos meses de abril e outubro. Na cobertura é possível encontrar a repercussão dos boletins médicos expedidos em Washington e  telegramas de chefes de Estado de todas as partes desejando a pronta recuperação do líder americano.

>> Estadão 6/10/1919

Estadão 6/10/1919

Estadão 6/10/1919

Analisando em retrospecto os possíveis impactos da doença de Wilson na sua administração, historiadores colocam em perspectiva importantes decisões tomadas no período. Entre elas, alguns termos do tratado de paz assinado em Versalhes em 28 de junho de 1919, como as pesadas indenizações impostas à Alemanha ao final da guerra. Endossadas pelo governos francês e inglês, as cobranças eram discordadas por Wilson.

>> Estadão 6/11/1919

Estadão  6/11/1919

As altas indenizações impactaram a debilitada economia alemã e são apontadas entre as causas do agravamento da pobreza no país entre os anos 1920 e 1930. Foram também uma conhecida fonte de insatisfação da população alemã e um tema explorado por Hitler e seus apoiadores durante a ascensão do nazismo.

Mas não há consenso sobre os efeitos de uma possível oposição de Wilson ou sobre uma ação mais vigorosa e incisiva de sua parte para dar novos rumos ao acordo. O contexto das negociações vai muito além da enfraquecida saúde do líder americano e suas consequências e repercussões tem variadas causas.   

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Outras questões levantadas sobre a liderança de Wilson no tempo em que esteve convalescente colocam em cheque se sua saúde teria afetado as negociações políticas de duas causas caras à sua administração, a ratificação do Tratado de Versalhes pelo Congresso americano e a adesão americana à Liga das Nações. Ambas não atingiram maioria favorável em suas votações em 1919.

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Mesmo debilitado, Wilson cumpriu seu mandato até o final, em 1921. O democrata morreu em 3 de fevereiro de 1924, os 67 anos de idade, após sofrer um segundo derrame e complicações cardíacas.

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