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Ademar Ferreira da Silva

Ademar Ferreira da Silva
29/09/1927, São Paulo (SP) – 12/01/2001, São Paulo (SP)

Filho de um ferroviário e de uma lavadeira, Ademar começou tarde sua vida esportiva. Sua entrada no salto triplo foi aos 19 anos.  Em 1947 assistia a um treinamento no Estádio do Canindé (na época ainda campo do São Paulo) quando viu um atleta treinando um esporte diferente. O esportista, Evald Gomes da Silva (que anos mais tarde seria presidente da Federação Paulista de Atletismo), explicou a Ademar que se tratava do salto triplo. Ele tentou e alcançou a marca de 12m90.

Somente depois ele se deu conta da façanha que havia realizado, já que dificilmente alguém conseguia passar da marca de 11m logo na primeira tentativa. Logo em seguida foi chamado o técnico Dietrich Gerner que seria seu treinador até o fim de sua carreira. Ademar já conhecia Gerner, já que treinava salto em altura e salto em extensão desde 1946.

Três dias depois de dar o primeiro passo no esporte Ademar ganhou sua primeira prova, em um torneio de atletismo entre o São Paulo, clube que o acolheu, e o Floresta. Mais oito dias, nova vitória no Campeonato de Estreantes, marcando o recorde da categoria com 13m56. 15 dias depois ele venceu o Campeonato dos Novos, com 14m22 (outro recorde). No final do ano foi campeão paulista no salto triplo marcando 14m77.

Em 1948, apenas um ano após começar a praticar o esporte, se classificou para a Olimpíada de Londres (que aconteceria no mesmo ano). Na seletiva ficou em terceiro lugar, perdendo para Geraldo de Oliveira e Hélio Coutinho.

Em sua primeira prova olímpica, ficou na 11ª posição alcançando a marca de 14m50 (Geraldo de Oliveira ficou em quarto na classificação).

Nos anos seguintes continuou demonstrando aptidão para o esporte. Em 1949 e 1950 foi bicampeão sul-americano, batendo o recorde do continente as duas vezes (15m51 e 15m53). Em 1950 igualou o recorde mundial (que pertencia ao japonês Naoto Tajima) em 16m00.

Ademar não iria demorar muito tempo para superar sua própria marca. No dia 30 de setembro de 1951 durante o Troféu Brasil, que foi disputado na pista do Fluminense no Rio de Janeiro, ele fez 16m01 tornando-se recordista mundial no salto triplo.

O grande momento de sua carreira veio em 1952, na Olimpíada de Helsink, na Finlândia. Antes da prova chegou a ser acusado de não estar treinando, dedicando seu tempo com o violão e as loiras da capital finlandesa. A resposta veio nas pistas, quando em seis saltos, bateu quatro vezes o próprio recorde mundial conquistado no ano anterior: 16m05, 16m09, 16m12 e a marca que deu a medalha de ouro de 16m22.  Deu uma volta em todo o estádio agradecendo a torcida e criou a volta olímpica.

Em 1955 atingiu a melhor marca de sua carreira: 16m56, no Pan-Americano do México. No mesmo ano deixou o São Paulo, clube em que começou sua carreira e se mudou para o Rio de Janeiro, onde passa a treinar no Vasco. Apesar de ser um medalhista olímpico, Ademar sempre foi amador e não recebia para treinar,  mantendo outros empregos. Na ocasião ele trabalhava no jornal “Última Hora” e na prefeitura de São Paulo, de onde foi dispensado pelo prefeito Jânio Quadros devido a necessidade de viajar para competir. Foi para a capital fluminense cursar educação física e trabalhar no serviço de Recreação Operária do Ministério do Trabalho.

O clube cruz maltino contratou um campeão. Já em 1956 em Melbourne, na Austrália, Ademar conquistou sua segunda medalha de ouro olímpica com 16m35(recorde olímpico). Ganhou o apelido de “Canguru Brasileiro”.

Em 1959 Ademar participou do filme Orfeu Negro de Marcel Camus, que venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro. Despediu-se dos jogos olímpicos em 1960, alcançando a 11ª colocação. Descobriu depois que sua marca decaiu devido a tuberculose.

Durante toda sua vida teve quatro profissionalizações: escultor pela Escola Técnica Federal de São Paulo, educação física pela Escola do Exército, direto pela Universidade do Brasil e Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero.

Terminou sua vida morando na capital paulista, onde organizava competições de atletismo. Morreu vítima de uma parada cardiorrespiratória.

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