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Anita Malfatti

Anita Catarina Malfatti
2/12/1889, São Paulo (SP) - 6/11/1964, São Paulo (SP)

Filha do engenheiro italiano Samuel Malfatti e da norte-americana Betty Krug, Anita Malfatti, a segunda filha do casal, nasceu com atrofia no braço e na mão direita. Aos três anos de idade foi levada pelos pais à Itália para tratamento médico, mas a deficiência persistiu. Voltando ao Brasil, a governanta inglesa Miss Browne a ajudou no desenvolvimento do uso da mão esquerda e no aprendizado da arte e da escrita.

Com a morte do pai e sem recursos para o sustento dos filhos, a mãe passou a dar aulas particulares de idiomas, desenho e pintura. Anita acompanhava e aprendia os rudimentos das artes plásticas. Tinha duas amigas, as irmãs Shalders, que em 1910 decidiram viajar à Berlim para estudar música. Assim surgiu a ideia de acompanhá-las à Alemanha e seu tio e padrinho, o engenheiro Jorge Krug, aceitou bancar as despesas.

Berlim era, então, o grande centro musical da Europa e foi onde ela travou contato com a vanguarda europeia. Acompanhando as amigas às aulas no centro musical, acabou recebendo a sugestão para estudar no ateliê do artista Fritz Burger, que era um retratista que dominava a técnica impressionista. Foi o primeiro mestre de Anita.

Durante as férias de verão foram às montanhas de Harz, em Treseburg, região frequentada por pintores. Continuando a viagem, visitou a 4° Sonderbund, uma exposição que aconteceu em Colônia na Alemanha, na qual conheceu trabalhos de pintores modernos, incluindo-se Van Gogh.

Em 1913 com a instabilidade provocada pela aproximação da guerra deixa Berlim, passando por Paris. Entre os meses de entre maio e junho, montou uma exposição com obras de sua autoria. Novamente sem recursos foi aí que, mais uma vez, financiada pelo tio Jorge Krug, e segue viagem para os Estados Unidos.

No início de 1915, Anita Malfatti já se encontrava em Nova York matriculada na tradicional Art Student's League. Após três meses de estudos, desistiu de qualquer curso de pintura ou desenho nessa instituição por demais conservadora. Continuou a ter aulas com um professor, da Independet School of Art, Homer Boss, artista hoje quase esquecido pelos estudiosos da arte norte-americana. Este foi um dos períodos de sua maior produção artística, sobretudo quando esteve isolada numa ilha de pescadores, na Costa do Maine, chamada Monhegan Island. O nome da ilha serviu de subtítulo a um dos quadros da época: "Rochedos".

Em 1916 resolveu promover sua segunda exposição individual. Na ocasião Monteiro Lobato publicou uma dura crítica ao trabalho da artista. A matéria publicada em 20 de dezembro de 1917, no jornal O Estado de São Paulo, com o título de “A propósito da exposição Malfatti”, fez com que as telas vendidas fossem devolvidas, algumas quase que destruídas a bengaladas.

A primeira voz que se levantou em defesa da pintora, ainda que timidamente, foi a de Oswald de Andrade. Num artigo de jornal, ele elogiou o talento de Anita e parabenizou pelo simples fato dela não ter feito cópias. Pouco depois, jovens artistas e escritores como Mário e Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, uniram-se a ela.

Nos anos 30, grandes dificuldades econômicas a obrigam a dedicar-se cada vez mais ao ensino da pintura e do desenho e à pintura decorativa. Aproxima-se da Família Artística Paulista, participando de todas as coletivas do grupo. Os amigos cobrariam o fato de não ter seguido Tarsila no movimento Pau Brasil. Nos anos 40, visita Belo Horizonte e cidades históricas mineiras. O que ela mais passa a expor então, são as festas, e as procissões. Nos anos 50, até sua morte, vive muito distante das polêmicas artísticas, recolhida em seu sítio.

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