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Anselmo Duarte

Anselmo Duarte Bento
21/4/1920, Salto (SP) - 7/11/2009, São Paulo (SP)

Os primeiros passos no cinema foram dados ainda na época dos filmes mudos, quando o projetor era situado atrás da tela. Isto provocava seu inevitável aquecimento e para se evitar um possível incêndio, alguém tinha de lançar água a cada vez que dois rolos de filme eram transmitidos. Desta maneira aos dez anos de idade, como molhador de tela pode-se dizer que deu início a carreira cinematográfica. Essa experiência foi usada em um de seus  filmes, "O Crime do Zé Bigorna", ambientado em 1928. Na trama, enquanto Charles Chaplin agitava a tela, Lima Duarte e Stênio Garcia a molhavam.

Com 14 anos veio para São Paulo fazer um curso de Economia que lhe rendeu um emprego fixo como datilógrafo. Em seguida, como dançarino, tentou a sorte no Rio de Janeiro, onde viu um anúncio para participar das filmagens de "It’s All True", documentário que o cineasta Orson Welles estava fazendo no Brasil, mas que nunca foi concluído. Acabou virando repórter econômico da revista Observador Econômico e Financeiro.

Começou como ator sendo figurante de "A Inconfidência Mineira" (1942), filme que só foi lançado quando o galã já se tornara famoso, atuando em comédias românticas, dramas policiais e musicais carnavalescos da Atlântida, Vera Cruz e produções independentes. Saiu do jornalismo (1946), quando o diretor italiano Pier Alberto Pieralisi o convidou para um teste, tendo sido aprovado para atuar no seu primeiro filme, "Querida Suzana". O novo galã do cinema não queria participar de musicais convencionais e escreveu seu primeiro roteiro (1948), o clássico "Carnaval de Fogo". Estreou com "Não Me Digas Adeus" e "Querida Susana" (1947), e com "Um Pinguinho de Gente". Ganhou o Prêmio de melhor ator (1949) da Revista A Cena Muda do Rio de  Janeiro.

Em 1962, lançou "O Pagador de Promessas",  peça de Dias Gomes que discutia a reforma agrária o preconceito de classes e a intolerância religiosa. O filme, com Leonardo Villar interpretando o papel principal, é até hoje o único do Brasil a receber a Palma de Ouro no Festival de Cannes, considerada uma das mais importantes premiações do cinema mundial.

Para isto teve de superar concorrentes históricos como Luis Buñuel ("O anjo exterminador"), Michelangelo Antonioni ("O Eclipse") e Robert Bresson ("O Julgamento de Joana d'Arc"). Na época, o cineasta entrou em atrito com os principais expoentes do Cinema Novo, que acusavam o diretor de realizar apenas obras comerciais e de apelar à estética de Hollywood. No ano seguinte foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, mas perdeu para o francês Les dimanches de Ville d’Avray , de Serge Bourguignon.
 
Dizendo-se cansado do cinema e das críticas, afastou-se de atividades profissionais, não as abandonando completamente, e foi viver no interior de São Paulo, onde se dedicou a construção civil na região de Salto de Itu. Suas últimas participações no cinema foram em "Tensão no Rio" (1984) e "Brasa Adormecida" (1986). A última grande homenagem foi ter sido convidado especial Palme D'Or, do 50º Aniversário do Festival de Canners, na França (1997).  

Morreu aos 89 anos, após ter sofrido um terceiro acidente vascular cerebral hemorrágico e ficar internado por 15 dias no Hospital das Clínicas de São Paulo. Foi enterrado no Cemitério da Saudade, em Salto, sua cidade natal, a 105 quilômetros da capital paulista. Com a atriz Ilka Soares,  teve dois filhos, Anselmo Duarte Jr. e Lídia. Ainda foi pai de um terceiro filho, Ricardo Duarte, fundador do Instituto Anselmo Duarte (2008) para ajudar a preservar e divulgar o legado do  pai como cineasta.

Sua filmografia compreende 34 filmes como ator, 11 com roteirista e um como produtor: A "Madona de Cedro" (1968). Como ator, um de seus filmes preferidos era "Sinhá Moça" (1953), de Tom Payne, no qual ele fez um belo discurso em favor da liberdade e contracenava com Eliane Lopes. Era uma história do século XIX, sobre uma jovem que se apaixona por advogado e vive um grande drama de amor, em uma época em que as idéias abolicionistas ganhavam força e eram violentamente combatidas. O filme, produzido pela Vera Cruz, ganhou o Prêmio Especial do Júri, em Veneza.

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