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Antonio Candido

Antonio Candido de Mello e Souza
24/7/1918, Rio de Janeiro (RJ)

Nascido no Rio de Janeiro, passou toda a infância e parte da adolescência em Poços de Caldas, Minas Gerais, estado de origem da família. Foi educado em casa, pela mãe, não frequentando a escola primária. Cresceu num ambiente incentivador da leitura - quando menino ganhava enciclopédias de presente do pai médico – e aos dez anos viveu um período com os pais na França, também fundamental para sua formação cultural.

Após concluir os estudos secundários em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, ingressou no Colégio Universitário da Universidade de São Paulo, na capital. Em 1939 começou a estudar simultaneamente na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, onde não chegou a concluir os estudos, e na recém-fundada Faculdade de Filosofia e Letras, onde cursou Ciências Sociais.

No ambiente universitário, milita contra o Estado Novo e aprofunda os estudos sobre o socialismo. É nessa época também que começa a escrever artigos de crítica literária. Em 1941, participa da fundação da revista Clima, em conjunto com diversos intelectuais, entre eles Alfredo Mesquita e Lourival Gomes Machado, seus idealizadores, além do crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes, o crítico de teatro Décio de Almeida Prado e a ensaísta Gilda de Mello e Souza, sua futura esposa e sobrinha de Mário de Andrade.

Durante a década de 1940 também escreve semanalmente na Folha da Manhã, e posteriormente no Diário de São Paulo. No ano em que conclui a faculdade, 1942, torna-se assistente de sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências da USP. Três anos depois, é aprovado em concurso de literatura brasileira, após concorrer com Oswald de Andrade e Sousa Lima. Se torna professor catedrático com apenas 26 anos de idade. Doutora-se em ciências sociais em 1954, com a tese "Os Parceiros do Rio Bonito" (1964), ensaio sociológico e antropológico sobre o caipira paulista e sua transformação.

Antonio Candido é também o idealizador do Suplemento Literário d'O Estado de S. Paulo, criado após  uma série de tratativas que tiveram início em 1953, por ocasião da organização de um número comemorativo para o IV Centenário da fundação da cidade, que sairia em janeiro do ano seguinte. Àquela época, sugeriu a José Mesquita a criação de um suplemento que pudesse preencher a função de uma revista literária, uma vez que não havia, naquele momento, publicações regulares dessa natureza no país. No ano seguinte, a convite de Júlio de Mesquita Neto, iniciou a concepção do projeto.

Em 16 de julho de 1956, o “Plano do Suplemento Literário e Artístico d’O Estado de São Paulo” foi entregue por Antonio Candido a Júlio de Mesquita Neto e Ruy Mesquita. Dentre as premissas do plano, estavam a independência editorial e o atendimento aos interesses tanto do leitor comum quanto do leitor culto. O suplemento começou a circular em 06 de outubro de 1956, e contou com colaborações regulares do escritor, que até 1960 escreveria mais de 40 artigos.

Seu livro "Formação da Literatura Brasileira" (1959), considerado a mais importante obra de crítica literária contemporânea do país, é lançado no período em que leciona literatura brasileira na Faculdade de Filosofia de Assis. Durante a década de 1960, torna-se professor de Teoria Literária e Literatura Comparada na USP, dando aulas também na Universidade de Paris e na Universidade de Yale.

Aposentado da universidade desde 1978, permanece ainda durante alguns anos atuando na pós-graduação e na orientação de trabalhos acadêmicos. Atuante também na vida política do país, participa da fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980.

O escritor possui diversos prêmios Jabuti, além do Prêmio Camões e Prêmio Machado de Assis, oferecido pela Academia Brasileira de Letras. É também autor de Introdução ao método crítico de Sílvio Romero (1945), Literatura e Sociedade (1965), Tese e Antítese (1964), Iniciação à Literatura Brasileira (1997) e O Discurso e a Cidade (1993), entre outras obras.

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