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Ariano Suassuna

Ariano Vilar Suassuna
16/6/1927, João Pessoa (PB) - 23/7/2014, Recife (PE)

Tinha três anos quando seu pai, o ex-governador da Paraíba, João Suassuna, foi assassinado no Rio de Janeiro por motivos políticos decorrentes da Revolução de 1930. Por causa disso teve que ir morar com a mãe, Rita de Cássia Villar, e seus oito irmãos em Taperoá, no sertão paraibano. É ali que inicia os estudos, assiste a peças de mamulengos e a desafios de viola e se familiariza com o universo e as formas artísticas que posteriormente estrarão presentes em toda a sua obra. Em 1942 passa a viver no Recife e começa a publicar seus primeiros textos nos jornais da cidade. Durante  os estudos na Faculdade de Direito, iniciados em 1946, funda o Teatro do Estudante de Pernambuco em parceria com o amigo Hermilo Borba Filho.

Sua primeira peça de teatro, "Uma Mulher Vestida de Sol", é escrita em 1947 e agraciada com o prêmio Nicolau Carlos Magno. Nos dois anos seguintes, o teatro que fundara encena "Cantam as Harpas de Sião" e "Os Homens de Barro". Recebe o Prêmio Martins Pena em 1950, pelo "Auto de João da Cruz".



No mesmo ano dedica-se à advocacia e retorna temporariamente a Taperoá, onde escreve a peça "Torturas de um Coração". Entre 1952 e 1956, dedica-se à advocacia e à atividade teatral em Recife, escrevendo "O Castigo da Soberba" (1953), "O Rico Avarento" (1954) e "O Auto da Compadecida" (1955). Esta peça, considerada pelo crítico teatral Sábato Magaldi “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”, recebeu a medalha de outro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Também conferiu a Suassuna reconhecimento internacional, sendo traduzida e encenada em diversos idiomas e adaptada para a televisão e o cinema.

Abandonou a advocacia para se tornar professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco enquanto, durante o final da década de 1950, suas peças eram encenadas pelo país: "O Casamento Suspeitoso" (1957), "O Santo e a Porca" (1957), "O Homem da Vaca" (1958), "Poder da Fortuna" (1958), e "A Pena e a Lei" (1959), posteriormente premiada no Festival Latino-Americano de Teatro. Em 1959, novamente em conjunto com Hermilo Borba Filho, funda o Teatro Popular do Nordeste, onde monta as peças "Farsa da Boa Preguiça" (1960) e "A Caseira e a Catarina" (1962).

A bem-sucedida carreira de dramaturgo é interrompida no início dos anos 1960, quando passa a se dedicar integralmente como professor na UFPE, defendendo a tese de livre-docência "A Onça Castanha e a Ilha do Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira", em 1976, e lecionando por mais de trinta anos. Entre 1967 e 1973 participa do Conselho Federal de Cultura, do qual foi fundador, e do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco. Nomeado diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPE em 1969, exerce o cargo até 1974. Foi também Secretário de Educação e Cultura do Recife, de 1975 a 1978, e Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, entre 1994 e 1998.

Sua permanente relação com a cultura popular o leva a iniciar o “Movimento Armorial”, lançado em outubro de 1970 com uma exposição de pintura, gravura e escultura, e o concerto “Três Séculos de Música Nordestina: do Barroco ao Armorial”, com o intuito de valorizar as raízes da cultura do Nordeste, realizando uma arte brasileira erudita a partir de elementos da cultura popular da região. Dedicou-se também à prosa de ficção, publicando "A História de Amor de Fernando e Isaura" (1956), "O Romance d'A Pedra do Reino" e o "Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta" (1971), e "História d'O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão" (1976).

O escritor construiu uma santuário ao ar livre, com esculturas de pedra representando o sagrado e o profano, em São José de Belmonte, local da cavalgada inspirada em seu romance "A Pedra do Reino". Membro da Academia Paraibana de Letras, Ariano Suassuna ocupa, desde 1990, a cadeira de n. 32 da Academia Brasileira de Letras. Internado em 21 de julho de 2014 por causa de um AVC, o escritor morreu dois dias depois, vítima de parada cardíaca.

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