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Artur Bernardes

Artur da Silva Bernardes
8/8/1875, Viçosa (MG) - 23/3/1955, Rio de Janeiro (RJ)

Presidente brasileiro da República velha que governou os quatro anos de seu mandato sob estado de sítio. Nasceu em Viçosa, Minas Gerais, no dia 8 de agosto de 1875. Sua família passou por dificuldades financeiras em sua adolescência, o que levou Artur a trabalhar cedo, com apenas 14 anos. Foi comerciante e guarda-livros antes de se mudar para Ouro Preto, onde concluiu o curso secundário. Matriculou-se na Faculdade Livre de Direito em 1896, e transferiu-se para a Faculdade de Direito do Largo São Francisco três anos depois, tendo se formado advogado em dezembro de 1900.

Em São Paulo, trabalhou como revisor do jornal Correio Paulistano e como professor de latim e português. Casou-se com Clélia Vaz de Melo no dia 15 de julho de 1903, com quem teve oito filhos. Depois de formado, voltou para Viçosa, onde praticou a advocacia e ingressou na política, tendo sido eleito vereador em 1906. Foi duas vezes deputado federal pelo Partido Republicano Mineiro (1909-1910 e 1915-1917). Foi presidente do estado de Minas Gerais entre 1918 e 1922, sendo lembrado pela construção da Escola Superior de Agricultura de Viçosa.

No pleito de 1922, Bernardes foi lançado como candidato mineiro nos termos do tradicional sistema de alternância entre candidatos indicados por Minas Gerais e São Paulo para a presidência da república, a famosa “política do café com leite”. No entanto, a Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, aliados a Hermes da Fonseca, lançaram a candidatura de Nilo Peçanha numa frente oposicionista, a “Reação Republicana”. Durante a campanha sucessória, surgiram as célebres “cartas falsas” de Artur Bernardes, um conjunto de correspondências endereçadas ao correligionário do candidato, Raul Soares, nas quais o político mineiro teria supostamente ofendido Hermes da Fonseca e o Exército, classificando-os como “venais”, “sem compostura”, etc. Em um trecho, o falso Bernardes aconselhava Soares a comprar “a todos” os oficiais superiores “com seus bordados e galões”. Por muito tempo, as cartas, falsificadas pela oposição, inclusive trazendo uma hábil cópia da assinatura do presidente foram consideradas verídicas, e incitaram uma reação de profundo descontentamento nas forças armadas. Não obstante, o presidente foi eleito com cerca de 56% dos votos.

O governo Artur Bernardes foi marcado pela violência e pela repressão. O presidente manteve estado de sítio permanente e criou a Casa de Detenção da Clevelândia, na Amazônia, para onde enviava seus opositores políticos. Bernardes foi apelidado por seus opositores como “O Calamitoso”. Logo no início de seu mandato, Artur Bernardes envolveu-se num conflito no Rio Grande do Sul, onde um de seus opositores, Borges de Medeiros, havia sido eleito governador pela quinta vez. Os adversários de Borges de Medeiros, aliados ao governo federal e reunidos sob a figura de Assis Brasil, iniciaram uma guerra civil em disputa pelo poder, tendo o governo federal, ao final da crise, concedido a Medeiros a presidência do estado sob a condição de que este não se reelegeria.

Em julho de 1924, o governo bombardeou a cidade de São Paulo, que havia sido tomada por revoltosos tenentistas. Cerca de 500 pessoas morreram, e outras 5 mil ficaram feridas. Do movimento de insubordinação dos tenentes surgiria a Coluna Prestes, que desafiaria, sempre vitoriosa, as tropas republicanas sob as ordens de Bernardes. Com o governo abalado, Artur Bernardes deixou a presidência em 1926.

Em 1932, o político participou da “revolução constitucionalista” de 1932. Foi, então, preso e exilado pelo governo Vargas. Passou alguns anos em Lisboa e, em 1934, foi concedida a anistia. Bernardes regressou ao Brasil para participar da Assembleia Constituinte de 1934. Com o golpe do Estado Novo, o político mineiro teve o mandato cassado e foi afastado da vida política.

Em 1954, Artur Bernardes participou como deputado da constituinte de 1946. Depois, passou a defender projetos nacionalistas e conseguiu se eleger como deputado federal para o quatriênio 1950-1954. Morreu um ano depois em sua residência no bairro da Tijuca.

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