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Burle Marx

Roberto Burle Marx
4/8/1909, São Paulo – 4/6/1994, Rio de Janeiro

Filho de Cecília Burle e Wilhelm Marx (cujo pai era primo de Karl Marx). Ficou em São Paulo até 1913 quando os negócios na capital paulista iam mal e a família mudou-se para o Rio de Janeiro. Foi incentivado desde pequeno pelos pais a desenvolver seus dotes artísticos.

Devido a problemas de saúde se mudou para Berlim entre 1928 e 1929 onde tratou de uma doença no olho. Na Europa entrou em contato com obras de artistas como Picasso e Van Gogh. Na capital germânica também tornou-se frequentador do jardim Botânico de Dahlen, o mais antigo da Alemanha.

Voltou ao Brasil em 1930 quando, incentivado pelo aprendizado de sua viagem, decidiu estudar arte. Passou a frequentar a Faculdade de Belas Artes do Rio de Janeiro. Seus interesses botânicos também se desenvolveram nessa época, quando ele passou a colecionar e classificar plantas.

Sua carreira como pintor foi ofuscada pelo seu trabalho como paisagista, mas não pode ser subestimada. Ganhou diversos prêmios como a medalha de ouro da Escola Nacional de Belas Artes em 1941. Em 1947 também pelo seu trabalho em tela venceu o 47º Salão de Belas Artes. Suas telas estão espalhadas por alguns importantes museus como o Museu de Arte de São Paulo e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Também foi escultor, tapeceiro e ceramista. Até o final de sua vida afirmava sentir mágoa por seu trabalho como artista plástico não ser devidamente reconhecido.

Ficou mundialmente conhecido pelo seu trabalho com paisagismo.  Em 1932 realizou seu primeiro trabalho: o jardim de uma casa desenhada pelo arquiteto e amigo Lúcio Costa, junto com Gregory Warchavchik.

Em 1934 realizou sua primeira obra pública projetando a Praça Casa Forte, no Recife. Assumiu também o cargo de Diretor de Parques e Jardins do Departamento de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco.

Sua primeira obra de peso veio seis anos depois, em 1938, quando criou os jardins do prédio do Ministério da Educação e Cultura (projeto de Le Corbusier com a participação de Oscar Niemeyer). Em 1940 criou dois trabalhos em Minas Gerais. Foi o responsável pelos jardins da Pampulha e pelo Parque Botânico de Araxá, a convite do governador do estado. Foi também no período que realizou o paisagismo da Chácara Tangará, na época propriedade do empresário Baby Pignatari, e que posteriormente se tornaria o Parque Burle Marx, em São Paulo.

Adquiriu um terreno de 365.000 m2, em Guaratiba, litoral fluminense. Ali começou uma grande coleção de plantas que se tornou referência na área (em 1985 Burle Marx doou a propriedade à Fundação Pró-Memória Nacional em 1985).

Na década de 50 projetou os jardins do parque do Ibirapuera em São Paulo. Em 1955 também fundou sua própria empresa, a Burle Marx & Cia Ltda., pela qual passou a fazer seus projetos e oferecer manutenção.

Projetou o  Eixo Monumental de Brasília no começo da década de 60. Em 1965  foi o responsável pelos jardins no Aterro do Flamengo. Até o final da sua vida lutou pela revitalização do Parque, que chegou a perder 17 mil árvores. Foi nessa época que fez o paisagismo da Embaixada do Brasil em Washington.

Em 1970, criou os calçadões do aterro de Copacabana, equilíbrio perfeito entre natureza e funcionalidade. Foi no Rio de Janeiro também que outras grandes obras suas estão em destaque como a reurbanização da lagoa Rodrigo de Freitas e o Museu de Arte Moderna (1955).

Continuou trabalhando nas décadas seguintes elaborando projetos tanto para o Brasil quando para o exterior. Tornou-se um dos pioneiros na luta pelo meio ambiente, defendendo a preservação da Amazônia. Nos últimos anos de vida ressentia que o Jardim Botânico do Rio tivesse se tornando apenas um local turístico e deixado de ser um centro de excelência em pesquisa.

Faleceu aos 84 anos de idade em seu sítio, vítima de câncer no abdômen. Seu caixão foi ornamentado com orquídeas colhidas em seu jardim.

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