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Café Filho

João Fernandes Campos Café Filho
3/2/1899, Natal (RN) - 20/2/1970, Rio de Janeiro (RJ)

João Café Filho nasceu em Natal, em 3 de fevereiro de 1899. Em 1917, mudou-se para Recife, onde iniciou os estudos na Academia de Ciências Jurídicas e Comerciais. Sem concluí-los, retornou a Natal e prestou concurso para advogado do Tribunal de Justiça, e foi aprovado. Trabalhou como advogado e, a partir de 1921, passou a atuar também como jornalista, tendo fundado o "Jornal do Norte", onde publicava artigos sobre a situação de carência material absoluta dos trabalhadores da região.

Em 1923, Café Filho se candidatou para um cadeira na câmara dos vereadores, mas não foi eleito. Concluiu, então, que sua atuação política deveria enveredar por outros caminhos, e passou a atuar em grandes greves e manifestações de trabalhadores. Mudou-se para Recife em 1925, onde se tornou diretor do jornal "A Noite". Incitou os oficiais de baixa patente a se recusarem a lutar contra a Coluna Prestes e pregou uma revolução antioligárquica, o que lhe rendeu um processo e uma ordem de prisão. Viveu, nos anos seguintes, foragido, passando por cidades como Campo Formoso e Itabuna. Participou, em 1930, da revolução que derrubou a República Velha e colocou Getúlio Vargas no poder.
  
Em 1933, Café Filho participou da fundação do Partido Social Nacionalista (PSN) do Rio Grande do Norte. Foi deputado federal entre 1935 e 1937. Denunciou, ao lado dos políticos da União Democrática Brasileira, a eminência de um golpe, que efetivamente foi realizado em outubro de 1937. Com a instituição do Estado Novo, a residência de Café Filho foi invadida pela polícia. Conseguiu, no entanto, asilo político na embaixada da Argentina, chegando a Buenos Aires no início de novembro.

Em 1946, com o fim do Estado Novo, Café Filho concorreu a uma cadeira na Câmara dos deputados e foi eleito. Havia fundado, com Ademar de Barros, o Partido Republicano Progressista (PRP). Permaneceu no cargo de deputado federal até 1950, quando foi eleito vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas. Como legislador, Café Filho publicou um projeto que  estabelecia um piso salarial para os trabalhadores da área de jornalismo e foi contra a cassação dos mandatos dos parlamentares eleitos pelo PCB.
 
Assumiu a presidência no dia 24 de agosto de 1954, por ocasião do suicídio do presidente Vargas. Formou um novo ministério com preponderância de membros vinculados à UDN, partido de oposição a Vargas. Tancredo Neves, ministro da justiça, temia que Café Filho fosse um aliado das forças golpistas, fato que foi desmentido pelo ex-presidente em suas memórias. Em seu curto governo, Café Filho preocupou-se em assegurar a realização de eleições e a estabilidade econômica – o país sofria com a inflação crescente e o alto déficit comercial. Realizou, com este propósito, cortes nas despesas do governo e contenções no crédito.

O presidente adoeceu e entregou a presidência ao presidente da Câmara, Carlos Luz, no dia 8 de novembro de 1955. Com a articulação de um movimento golpista contra a posse do presidente Juscelino Kubitschek, eleito no pleito de 1955, surgiu uma reação legalista comandada pelo general Lott. O movimento pediu a renúncia do presidente Carlos Luz por considerá-lo vinculado aos golpistas e pediu ao Congresso o impedimento de Café Filho, que foi aceito no dia 22 de novembro e confirmado pouco depois pelo Supremo Tribunal Federal. Assumiu em seu lugar o presidente Nereu Ramos.
 
Após seu afastamento, Café Filho trabalhou na área imobiliária e foi nomeado ministro do Tribunal de Contas do Estado da Guanabara em 1961. Café Filho faleceu no dia 20 de fevereiro de 1970.

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