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Carlos Chagas

Carlos Ribeiro Justiniano das Chagas
9/7/1879, Oliveiras (MG) – 8/11/1934, Rio de Janeiro (RJ)

Ficou até os quatro anos de idade na principal propriedade da família, a Fazenda Bom Retiro. Nessa época seu pai, José Justiniano Chagas, faleceu, deixando a mãe com uma fazenda de café, dívidas e quatro filhos para criar. Foi mandado estudar no Colégio dos Jesuítas, na cidade de Itú, interior paulista. Lá ficou dois anos até ir estudar na Escola de Minas, em Ouro Preto.

Seu primeiro contato com a medicina aconteceu em 1895, quando um ataque de beribéri o levou de volta para sua cidade natal. Lá seu tio, Carlos Ribeiro de Castro havia instalado uma clínica cirúrgica em Oliveiras. Influenciado, ingressou no ano seguinte na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Foi nessa época que conheceu a malária e a febre amarela, chegando a acompanhar o professor Miguel Couto pelas andanças nos hospitais cariocas. Concluiu seus estudos em 1903. Nessa época conheceu Oswaldo Cruz e passou a trabalhar no Instituto dos Manguinhos Inicialmente ficou pouco tempo na área de medicina experimental, aceitando um posto no Hospital dos Pestosos, em Jurujuba e abrindo um pequeno consultório.

Devido a necessidade de aumentar sua renda aceitou um convite para trabalhar em uma campanha contra a proliferação da malária na Companhia das Docas de Santos. Quando voltou ao Rio, iniciou uma ação semelhante na baixada Fluminense. O sucesso no combate a doença o levou em 1907 para Minas Gerais, com a missão de ajudar os operários que construíam estrada de ferro Central do Brasil.

Instalou um laboratório em um vagão e passou a atender em uma pequena tenda. Nesse local identificou os primeiros sintomas da doença de Chagas e conheceu o inseto barbeiro, localizando em seu estômago um tripanossoma. O microrganismo foi enviado para Oswaldo Cruz e após uma série de testes com saguis chegaram a conclusão de como o mal era transmitido. No dia 17 de dezembro de 1908 Chagas descreve em um relatório sobre o Trypanosoma cruzi, sendo o segundo nome uma homenagem a Oswaldo Cruz.

Em abril de 1909 a descoberta  é publicada em uma revista científica alemã e lida por Oswaldo Cruz na sede carioca da Academia Nacional de Medicina. Chagas continua sua pesquisa até 1912 quando vai para o Amazonas fazer mais um trabalho de saneamento.

No meio da selva identificou diversos insetos. Ficou indignado com a situação que os ribeirinhos viviam, especialmente na cidade de São Felipe, onde 400 pessoas morreram devido a malária.
Trabalhou durante meses no meio da floresta percorrendo os rios da região na companhia dos índios, chegando a caçar para comer.

Em 1916 teve suas pesquisas contestadas pelo Instituto Bacteriológico de Buenos Aires. A polêmica terminou rapidamente com a exposição na capital argentina das descobertas do cientista.

Em 1917 com a morte de Oswaldo Cruz assume a direção do Instituto Manguinhos No ano seguinte trabalhou contra a gripe espanhola que chegou ao Brasil. Criou hospitais improvisados e laboratórios de emergência para impedir que o surto se alastrasse. 

Com o sucesso de seu trabalho foi convidado pelo então presidente da república Epitáfio Pessoa a assumir o cargo de diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública. Criou inspetorias para combater diversas doenças entre elas a lepra, sífilis e tuberculose.

Em 1923 com verbas da Fundação Rockfeller funda a Escola de Enfermagem Ana Nery, primeira do gênero no País. Chegou a ser acusado de tráfico de escravos brancos pela associação com os americanos. Tornou-se em 1925 professor na faculdade de medicina do Rio de Janeiro. No mesmo ano fundou o curso Especial de Higiene e Saúde Pública.

Permaneceu no cargo até 1926. Continuou trabalhando no Manguinhos e desenvolvendo pesquisas sobre como vencer a doença de Chagas até o dia de sua morte aos 55 anos.  Faleceu trabalhando em casa, sob sua mesa de trabalho devido a um infarto. Deixou dois filhos: Carlos Chagas Filhos e Evandro Chagas. Os dois seguiram a carreira do pai.

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