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Cartola

Angenor de Oliveira
11/10/1908, Rio de Janeiro (RJ) – 30/11/1980, Rio de Janeiro (RJ)

Filho de Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira, Cartola não nasceu no morro que o ajudaria a ser famoso, mas sim no bairro do Catete. Foi para a Mangueira aos 11 anos, junto com sua família, que passava por problemas financeiros.

Deixou a escola no quarto ano do ensino fundamental e passou a trabalhar. Fez bicos em obras e, para não sujar o cabelo, usava um chapéu coco. Saia do serviço e ia para as rodas de samba onde recebeu o apelido de “Cartola”, devido ao acessório.

Envolveu-se com a vida boêmia, passou a beber e deixou de trabalhar. Com isso foi expulso de casa pelo pai aos 17 anos. Começou a viver em um pequeno barraco e doente, recebia a visita de uma vizinha, Deolinda, que cuidou dele. Casaram e passaram a viver juntos.

Foi nessa época que começou a escrever seus primeiros sambas. Conheceu Carlos Cachaça que se tornou seu grande companheiro de farra. Juntos de outros amigos começaram a pular carnaval no Bloco dos Arengueiros. Esse grupo se reuniu em 1928 e no dia 28 de abril fundaram a Estação Primeira de Mangueira. Cartola escolheu as cores da agremiação e ganhou o cargo de diretor de harmonia.

No ano seguinte vendeu seu primeiro samba para Mário Reis pelo preço de 300 mil réis. Foi quando percebeu que escrever música poderia lhe render algum dinheiro. Sua primeira composição acabou nas mãos de um dos grandes cantores da época, Francisco Alves. Em 1932 conheceu Noel Rosa de quem se tornou grande amigo. Seus sambas passaram a ser gravados por grandes nomes da época como Sílvio Caldas e Carmem Miranda.

Suas músicas entretanto não chegavam às rádios comerciais. Passou a compor exclusivamente para a Mangueira até 1940, quando foi procurado por Villa Lobos para gravar com o maestro americano Leopold Stokowski, que pesquisava músicas brasileiras.

Perdeu a mulher e contraiu meningite. Se desentendeu com a direção da escola de samba que ajudou a fundar e deixou o morro. Mudou-se para a baixada fluminense atrás de uma paixão. Sumiu do meio artístico durante anos chegando a ser dado como morto.

Começou a namorar sua segunda esposa, uma amiga dos tempos de infância, Euzébia Silva do Nascimento, conhecida como Dona Zica. Voltou para o morro da Mangueira e passou a ser vizinho do amigo Carlos Cachaça. O animo melhorou mas os tempos ainda eram de dificuldade.

Passou a trabalhar como lavador de carros na Visconde de Pirajá. Foi ali que Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta ) o encontrou, em um botequim em frente ao seu trabalho. O escritor conseguiu para o “Divino Mestre” um lugar na Rádio Mayrink Veiga. Empregou-o também como contínuo do Diário Carioca. Passou a receber diversas propostas de trabalho e acabou como zelador da Associação das Escolas de Samba do Rio. A organização funcionava em um casarão no centro da cidade, que passou a ser palco de rodas de samba. Cartola provia a música e Dona Zica a sopa que mantinha os boêmios de pé.

O sucesso permitiu ao casal abrir seu próprio restaurante, o Zicartola que funcionou entre 1963 e 65.  Com o sucesso de seus sambas, começou a ganhar prestígio, chegando a ganhar uma cirurgia de correção do nariz do cirurgião Ivo Pitangui. Descobre-se que a causa da deformação é cancerosa.

Ganhou uma casa da prefeitura no pé do morro da Mangueira. Em 1974 gravou seu primeiro LP, “Cartola”. Participa do especial “Cartola Convida”,  série de shows na praia do Flamengo. Dois anos depois vai lançar seu segundo disco, também chamado de “Cartola”.

Não gostava da maneira que estava sendo conduzido o carnaval, com grandes desfiles. Apesar disso em 1977 voltou a desfilar pela escola de seu coração. Em 78 lança “Cartola – 70 anos” pela gravadora RCA Victor.

Com idade avançada e buscando tranquilidade deixa o morro da Mangueira com Dona Zica em 79 e passa a morar em Jacarepaguá. Morreu em 1980 devido a um câncer de tiroide. Em 1982 são lançados dois discos póstumos. E em 2006 sai sua cine-biografia “Cartola- Música para os olhos” de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda .

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