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Carybé

Hector Julio Páride Bernabó
7/2/1911, Lanús (Argentina) – 1/10/1997, Salvador (BA)

Carybé era grande admirador do sincretismo afro-brasileiro, assimilado e reproduzido na maior parte de suas obras. Filho de pai italiano e mãe brasileira, viveu até os 8 anos de idade em Gênova e Roma, na Itália, antes de morar pela primeira vez no Brasil, onde completou os estudos secundários e iniciou a carreira no ateliê de cerâmica do irmão,  Arnaldo Bernabó. Depois de concluir a Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, muda-se com a família para a Argentina, onde trabalha nos jornais Notícias Gráficas e El Diário, sendo contratado pelo Pregón para realizar reportagens e fazer desenhos em diversos lugares. Esse contato com variadas culturas influencia diretamente sua produção artística. 

Durante a década de 1940, viaja a estudos pela América do Sul e começa a se relacionar mais intensamente com a cultura baiana, frequentando terreiros de candomblé, aprendendo capoeira e realizando desenhos e pinturas. Nesse período, ilustra uma série de livros, dentre eles Macunaíma, que ele próprio traduziu para o espanhol, Luna Muerta, Poesias Completas de Walt Whitmann e A Cabana do Pai Tomás, além de Robinson Crusoe e Juvenília – pelo qual recebeu o primeiro Prêmio da Câmara Argentina do Livro. Também realiza sua primeira exposição individual, em Buenos Aires. Já morando no Brasil, trabalha no jornal O Diário Carioca, e depois, a convite de Carlos Lacerda, na Tribuna da Imprensa.

Em 1950, decide morar definitivamente em Salvador, com a esposa e o primeiro filho. Ali produz painéis para o Centro Educacional Carneiro Ribeiro, por recomendação de Rubem Braga, e inicia uma série de murais em prédios e obras públicas. Enquanto participa de um movimento de renovação artística, ao lado de Mário Cravo Júnior, Jenner Augusto e Genaro de Carvalho, realiza mais de mil desenhos para o filme O Cangaceiro, de Lima Barreto, e continua ilustrando livros, tais como A Borboleta Amarela, de Rubem Braga, e Bahia, Imagens da Terra e do Povo, que re rendeu a medalha de ouro na 1a. Bienal de Livros e Artes Gráficas. Em 1957, naturaliza-se brasileiro e, no ano seguinte, parte a convite do Departamento de Estado para os Estados Unidos, onde vai decorar o escritório da Petrobrás e uma loja da Varig, além de realizar dois murais para o Aeroporto Idlewid, (hoje John F. Kennedy) em Nova York, em um concurso realizado pela American Airlines. Os murais ali permaneceram durante quase 50 anos, quando, após serem quase destruídos em virtude do projeto de reforma do local, foram transferidos para o Aeroporto Internacional de Miami, em 2009.

Em parceria com Jorge Amado, escreve e ilustra o livro Bahia, Boa Terra Bahia (1966), também compondo desenhos e xilogravuras para uma série de outros livros do escritor e de outros autores, dentre eles o fotógrafo e etnólogo Pierre Verger. Em 1967, ano em que recebe o Prêmio Odorico Tavares de Melhor Artista Plástico, realiza o Painel dos Orixás, obra para o Banco da Bahia posteriormente cedida para o Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia, fazendo obras também para a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e para a Assembleia Legislativa.

A partir dos anos 1980, começa a desenhar figurinos e cenários para peças teatrais, trabalhando na montagem de Quincas Berro d'Água, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e de La Bohème, no Teatro Castro Alves. Após trinta anos de pesquisa, publica Iconografia dos Deuses Africanos no Candomblé da Bahia (1981). Nessa época, recebe uma série de homenagens e condecorações. O amigo Jorge Amado escreve sobre a vida do artista na obra O Capeta Carybé (1986), que ganhou uma versão em curta-metragem, dez anos depois. Conhecedor e devoto da religiosidade afro-brasileira, Carybé faleceu aos 86 anos, vítima de um enfarte, durante uma cerimônia no terreiro de candomblé Ilê Axé Opô Afonjá, deixando como legado uma produção estimada em mais de 5.000 obras.

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