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Cicilio Matarazzo

Francisco Antônio Paulo Matarazzo Sobrinho
20/2/1898, São Paulo - 16/4/1977, São Paulo

Filho de Virgínia Matarazzo e do Senador Andréa Matarazzo, era também sobrinho do conde Francisco Matarazzo (1854 - 1937), italiano que construiu um dos maiores complexos industriais do Brasil. Realizou os estudos fundamentais no Instituto de Educação Caetano de Campos, na Praça da República. Aos 10 anos de idade, partiu para a Europa.

Em 1924, iniciou suas atividades empresariais, adquirindo a Metal Graphica Aliberti de seu tio. Logo em seguida, associou-se a Julio Pignatari, formando a empresa Pignatari & Matarazzo que se expandiu rapidamente nas áreas de metalurgia, estamparia de embalagens e laminação. Em 1935, a empresa foi desmembrada, passando Ciccillo a ser o único proprietário da Metalma - Metalúrgica Matarazzo.

O contato com o crítico de arte Sérgio Milliet (1898 - 1966) e o arquiteto Eduardo Kneese de Mello (1906 – 1994), faz crescer seu interesse pelas artes e alimentou seu plano de criar em São Paulo um museu dedicado à produção artística moderna. Em 1947, casou-se com Yolanda Penteado (1903 - 1983), pertencente a uma tradicional família cafeicultora paulista.

Por intermédio do industrial norte-americano Nelson Rockefeller (1908 - 1979), da Standard Oil, obteve um acordo de cooperação com o Museum of Modern Art – MoMA (Museu de Arte Moderna) de Nova York. Assume então a liderança do projeto de criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo – MAM/SP.

O estatuto do MAM, pautado no funcionamento do MoMA, é estabelecido em 1948. No ano seguinte o museu é inaugurado, na rua Sete de Abril nº 230, no mesmo prédio, de propriedade de Assis Chateaubriand (1892 - 1968), onde funciona o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Masp. Em 1958, o MAM é transferido para o parque do Ibirapuera.

Convida Léon Degand (1907 - 1958), crítico belga residente em Paris, para organizar a exposição inaugural do museu, "Do Figurativismo ao Abstracionismo", primeira mostra coletiva de arte não figurativa realizada no Brasil contou com artistas europeus como Jean Arp (1887 - 1966), Alexandre Calder (1898 - 1976), Robert Delaunay (1885 - 1941), Wassily Kandinsky (1866 - 1944), Francis Picabia (1879 - 1953), Victor Vasarely (1908 - 1997) e Flexor (1907 – 1971) além dos brasileiros Cicero Dias (1907 – 2003) e Waldemar Cordeiro (1925 – 1973).

Com o amigo  e engenheiro Franco Zampari (1898 - 1966), criou em 1948 o Teatro Brasileiro de Comédia - TBC, e em 1949 a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, em São Paulo. Preside a Comissão do IV Centenário da cidade. O local escolhido para sediar a maior parte dos eventos é o Ibirapuera, onde  planeja construir um grande parque. Para projetar o conjunto de edificações é convidado o arquiteto Oscar Niemeyer (1907).

Logo após a inauguração do MAM, propôs a realização de uma grande mostra internacional inspirada na Bienal de Veneza: a Bienal Internacional de São Paulo (1951). Nesse momento, atuou, também, como um embaixador da arte, pois se esforçou para trazer as diversas delegações internacionais, pelo domínio que  obtido  do sofisticado ambiente artístico europeu. Nessa tarefa, contou com o auxílio da esposa, Yolanda Penteado, responsável diretamente pela vinda de obras significativas, como a Guernica, durante a realização da II Bienal, em 1953.

Em 1962, resolve separar a bienal do MAM, e cria a Fundação Bienal. No ano seguinte, decide doar o acervo do MAM à USP, apesar das tentativas de diversos conselheiros e do diretor artístico do museu, o crítico Mário Pedrosa (1900 - 1981), de dissuadi-lo da ideia. Em janeiro de 1963, o MAM é extinto e seu patrimônio transferido para a USP, e, em reconhecimento a essa doação, recebe da reitoria da universidade o título de doutor honoris causa. Na ocasião, é concedido a Yolanda Penteado o diploma de benemerência. Renuncia à presidência da Fundação Bienal em 1975, dois anos antes de sua morte.

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