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Di Cavalcanti

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo
6/9/1897, Rio de Janeiro - 26/10/76, Rio de Janeiro

Ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco em 1916. Começou a frequentar o  atelier do impressionista George Fischer Elpons, onde conheceu e tornou-se amigo de Mário e Oswald de Andrade. Em 1922 idealizou e organizou a Semana de Arte Moderna, no Teatro Municipal de São Paulo, criando para essa ocasião as peças promocionais do evento.

Faz a primeira viagem à Europa em 1923, permanecendo em Paris dois anos. Frequenta a Academia Ranson e expõe em diversas cidades como Londres, Berlim, Bruxelas, Amsterdã e Paris. Conheceu Picasso, Léger, Matisse, Erik Satie, Jean Cocteau e outros intelectuais franceses.

Retornou ao Brasil em 1926 e ingressou no Partido Comunista. Faz nova viagem a Paris e criou os painéis de decoração do Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Nos anos  30 iniciou suas participações em exposições coletivas, salões nacionais e internacionais como a International Art Center em Nova York.

Em 1932 junto com Flávio Carvalho Antonio Gomide e Carlos Prado fundou em São Paulo o Clube dos Artistas Modernos. Foi preso pela primeira vez durante a Revolução Paulista de 32. Se casou com a pintora Noêmia Mourão  e publicou o álbum “A Realidade Brasileira”, uma série de doze desenhos satirizando o militarismo da época.

Em Paris, no ano de 1938, trabalhou na rádio Diffusion Française, nas emissões Paris Mondial.  Ao retornar para o Brasil foi preso novamente no Rio de Janeiro. Em 1936 escondeu-se na Ilha de Paquetá onde acabou detido com Noêmia. Libertado por amigos, seguiu para Paris onde  permanece até 1940.

Com a iminência da Segunda Guerra deixou Paris e retornou ao Brasil, fixando-se em São Paulo. Um lote de mais de quarenta obras despachadas da Europa não chegou ao destino, extraviando-se. Em 1946 volta para a Paris em busca dos quadros desaparecidos. No mesmo ano expõe no Rio de Janeiro, na Associação Brasileira de Imprensa. Ilustra livros de Vinícius de Morais, Álvares de Azevedo e Jorge Amado. Em 1947 entrou em crise com Noêmia Mourão .

Foi convidado para participar da I Bienal de São Paulo, em 1951. Faz uma doação generosa ao Museu de Arte Moderna de São Paulo,  de mais de quinhentos desenhos. Em 1954 o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro realiza uma retrospectiva de seus trabalhos. Faz novas exposições na Bacia do Prata, retornando a Montevidéu e Buenos Aires.  1956 é o ano de sua participação na Bienal de Veneza , onde recebe o I Prêmio da Mostra Internacional de Arte Sacra de Trieste.

Seus trabalhos fazem parte de uma exposição itinerante por países europeus. Recebe uma proposta de Oscar Niemeyer para a criação de imagens em tapeçaria a ser instalada no Palácio da Alvorada; também pintou as estações para a Via-sacra da catedral de Brasília.

Foi indicado pelo presidente João Goulart para ser adido cultural na França e embarcou para a capital francesa, porém  não assume devido ao golpe de 1964. Vive em Paris com Ivete Bahia Rocha, apelidada de Divina. Lança novo livro, Reminiscências líricas de um perfeito carioca e desenha joias para Lucien Joaillier.

Em 1966 seus trabalhos desaparecidos no início da década de 40 são localizados nos porões da Embaixada brasileira. Candidata-se a uma vaga na Academia Brasileira de Letras, mas não se elege.

Nos anos 70 a modelo Marina Montini passa ser sua musa. Em 1971 o Museu de Arte Moderna de São Paulo organizou uma retrospectiva de sua obras. Comemorou 75 anos de idade no Rio de Janeiro, em seu apartamento do Catete. A Universidade Federal da Bahia outorga-lhe o título de Doutor Honoris Causa. Morreu em sua cidade Natal após complicações decorrente de uma hepatite mal curada.

O  velório  realizado  no Museu de Arte Moderna foi filmado pelo cineasta Glauber Rocha, que recebeu um compreensível pedido para que as filmagens fossem interrompidas. Apesar  da solicitação feita por Elizabeth, filha adotiva do pintor, as gravações continuaram. No no ano seguinte, Glauber lançou o documentário "Ninguém Assistirá Ao Enterro Da Tua Última Quimera, Somente A Ingratidão, Aquela Pantera, Foi Sua Companheira Inseparável!, - Di Cavalcanti di Glauber", uma homenagem cinematográfica póstuma. A exibição do filme foi interditada pela justiça no mesmo dia, após um mandado de segurança impetrado pela filha do pintor, Elizabeth Di Cavalcanti.

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