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Didi

Valdir Pereira
8/10/1928, Campos (RJ) – 12/5/2001, Rio de Janeiro (RJ)

Era chamado por Nelson Rodrigues de “Príncipe Etíope do Rancho” em razão de sua elegância dentro e fora de campo. Foi um dos grandes meio campistas do futebol brasileiro. Famoso por jogar sempre de cabeça levantada, olhando para os companheiros, não para a bola. Estreou nos gramados como juvenil do Americano da cidade de Campos (RJ) em 1946.  De lá ainda passou pelo Lençoiense de São Paulo e pelo Madureira do Rio antes de estrear no primeiro grande clube de sua carreira, o Fluminense em 1949.

Logo começou a se destacar. Ficou nas Laranjeiras até 1956. Com seus passes precisos consagrou o artilheiro Carlyle e ajudou o tricolor carioca a conquistar a Copa Rio de 1952, um importante torneio que reunia times do mundo inteiro.

Em uma época em que os jogadores de futebol e os negros eram subestimados, fazia questão de entrar pela porta principal no aristocrático Fluminense. Entretanto foi no Botafogo que Didi teve a fase mais vitoriosa de sua carreira. Ele chegou em General Severiano em 1956, após uma saída conturbada do tricolor (onde seu talento era menosprezado pelo fato que ele se movimentava pouco em campo, preferindo fazer a bola correr à ele).No alvinegro, ao lado de Nilton Santos, Garrincha e Zagallo acabaria fazendo história.

Em pouco mais de um ano já era campeão carioca no clube. Foi no Botafogo que criou seu chute “folha-seca” em uma partida contra o América em 1956. O zagueiro Ivan deu um carrinho no tornozelo direito de Didi, que passou a sentir dores. Percebeu que se batesse no meio da bola o pé não doía e ainda fazia uma curva que confundia o goleiro.

A classificação do Brasil para a Copa de 1958 se deve a Didi. Nas eliminatórias para o torneio o time precisava vencer o Peru para garantir sua vaga. O jogo foi complicado, mas o craque resolveu  em uma falta onde aplicou a “folha-seca” e classificou a seleção.

No mundial foi eleito o melhor jogador do torneio, superando os estreantes Pelé e Garrincha, ficando conhecido pela imprensa internacional como “Mr. Football”. Após o torneio recebeu uma proposta do Real Madrid e deixou o Botafogo. Foi jogar ao lado de Puskas e Di Stéfano. Não se adaptou à Espanha (alegou depois que foi boicotado pelos colegas) e voltou ao alvinegro carioca. Ainda voltaria ao clube pelo qual se apaixonou mais vez, em 1964, após uma breve passagem pelo futebol peruano. No total Didi fez com o time da estrela solitária 313 jogos e marcando 114 gols.

Foi campeão carioca em 61 e 62 antes de ir defender a seleção brasileira e conquistar o bi mundial no Chile. Antes de se aposentar em 1966 defendeu ainda o São Paulo e o Vera Cruz, clube mexicano.

Didi iniciou então sua também vitoriosa carreira como técnico de futebol. Assumiu a seleção peruana, e por ironia do destino, o mesmo homem que tirou a chance do país jogar a Copa de 1958 os levou para seu primeiro mundial, em 1970, no México.

Dirigindo os peruanos enfrentou o Brasil nas quartas-de-final e foi eliminado pelos futuros tricampeões do mundo. Após o torneio dirigiu o River Plate da Argentina por apenas um ano. Em 1972 foi para a Turquia onde assumiu um dos clubes mais populares do país, o Fenerbache.
Treinou seu primeiro clube brasileiro apenas em 1975, quando passou a comandar o Fluminense. No Rio também chegou a dirigir o Botafogo e o Bangu. Foi também técnico do São Paulo e do Cruzeiro.

Sua carreira no exterior também foi vasta. Além de comandar clubes argentinos e turcos, passou pela Arábia Saudita (onde comandou Al-Ahli Jeddah e o Shebbad), Kuwait (Kuwait Sporting) e Peru (Sporting Cristal). Aposentou-se em 1987 com a mágoa de nunca ter sido convidado para dirigir a seleção brasileira.

Após 18 dias de luta contra um câncer de fígado, faleceu aos 72 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos. Ao seu lado no hospital sua mulher Guiomar, com quem foi casado por quase 50 anos, e suas quatro filhas. Foi velado no Botafogo, mas deixou saudades em diversas torcidas mundo afora.

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