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Dorival Caymmi

Dorival Caymmi
30/4/1914, Salvador (BA) – 16/8/2008, Rio de Janeiro (RJ)

Filho do fiscal da alfândega Durval Caymmi e da dona de casa Aurelina Cândida Soares Caymmi, foi criado por uma família que estimulava seus talentos artísticos. Ainda na infância, pegava escondido o violão do pai para tentar reproduzir as músicas que ouvia nos saraus promovidos por ele ou nas canções interpretadas pela mãe. Com o amigo José Rodrigues de Oliveira, o Zezinho, monta o conjunto musical “Três e meio”, que cantava músicas de Noel Rosa e Carmem Miranda, sucesso nas rádios do período. Sua primeira canção, a toada “No Sertão”, é composta em 1930 – porém, nunca foi gravada. Em 1935, foi aprovado em  um teste na Rádio Clube da Bahia, onde começou a cantar. Nessa época, venceu um concurso de marchas carnavalescas com “A Bahia também dá”.

Três anos depois, quando ainda não exercia a música como atividade profissional, mudou-se para o Rio de Janeiro após servir o exército, com a intenção de cursar Direito. Na cidade, conheceu diversos artistas, dentre eles o escritor Jorge Amado, que se tornaria seu grande amigo e também parceiro de algumas composições, como “É doce morrer no mar”. Apresentou suas composições nas rádios Tupi, Nacional e Transmissora – nesta última, cantando o samba “O que é que a baiana tem?”, que se tornaria um grande sucesso no ano seguinte, na interpretação da cantora Carmem Miranda no musical "Banana da Terra". Nessa época, conhece Adelaide Tostes, que interpretava a música “Último desejo”, de Noel Rosa, num programa de calouros na Rádio Nacional. A cantora, de nome artístico Stella Maris, torna-se mais tarde sua esposa, com quem viveria por quase 70 anos, formando uma dinastia de talentosos artistas.

Durante a década de 1940, frequentou o curso de desenho na Escola de Belas Artes do Rio, retomando a vocação artística desenvolvida na adolescência, quando cursava a Academia de Artes da Bahia. Engajou-se na campanha de Luiz Carlos Prestes ao Senado, ocasião em que passou a ser perseguido pela polícia. Mudou-se temporariamente para São Paulo em meados da década de 1950, onde atuou na Rádio Record e em boates. É nessa época que gravou seu primeiro LP, "Canções Praieiras" (1954). No ano seguinte, lançou o LP "Caymmi e o Mar", e viajou em excursão pela Europa em missão do governo brasileiro. E deste período também seu sucesso "Maracangalha" (1956). O álbum "Saudade da Bahia" (1957) fez sua estreia em um programa de TV. Em 1959, lançou sua obra-prima, o LP "Caymmi e Seu Violão". Após o sucesso de sua canção “Das Rosas” nos Estados Unidos, lança o álbum "Caymmi and the Girls From Bahia", nome internacional pelo qual ficaram conhecidas as cantoras do Quarteto em Cy.

Ao longo de sua carreira, recebe uma série de homenagens. Na década de 1970, recebe a Comenda da Ordem do Rio Branco, no Palácio do Itamaraty. Em 1984, quando comemora 70 anos com um show ao lado da esposa e dos filhos, recebe o título de Comendador da Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, do presidente João Figueiredo, e também a Ordem das Artes e das Letras da França. Dois anos depois, desfila no sambódromo como destaque da Mangueira, vencedora do carnaval daquele ano com o enredo “Caymmi mostra o mundo que a Bahia e a Mangueira têm”. No início dos anos 2000, suas canções são relançadas pelo selo EMI com a caixa de 7 CDs Caymmi Amor e Mar, contendo 12 LPs originais do compositor. Em 2006, recebe o Prêmio Nacional Jorge Amado de Literatura e Arte.

Falece aos 94 anos, em decorrência de complicações de um câncer renal. Em sua homenagem, foi instalada em Copacabana uma estátua de bronze do compositor carregando seu violão. O compositor faz parte da geração que precedeu e influenciou grandes nomes como João Gilberto, Caetano Veloso e outros artistas, dando espaço para movimentos até então nascentes, como a Bossa Nova e a Tropicália. Deixa um legado de mais de cem canções representativas da Música Popular Brasileira.

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