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Eleazar de Carvalho

Eleazar de Carvalho
28/6/1912, Iguatu (CE) – 12/9/1996, São Paulo (CE)

“O meu lugar é aqui”, dizia aquele que, após pisar em solos internacionais, sempre saudava sua pátria. O nome do regente foi durante mais de 50 anos o destaque da orientação a músicos, orquestras e instituições culturais. A personalidade, definida como “inquieta” pelo pai, um capitão do exército, foi o mote para que, aos 11 anos, Eleazar fosse mandado para a Marinha, que na época era o equivalente a uma escola correcional. E foi ali mesmo, na banda da escola, que teve contato com a música.

Começou a tocar Tuba e em 1928 estudou solfejo e harmonia no Rio de Janeiro, integrando Banda dos Fuzileiros Navais. A paixão pela música o fez abdicar de todos os direitos adquiridos na Marinha, que abandonou depois de ser aprovado em um concurso para a Orquestra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Estudou com Francisco Mignone na Escola de Música e tocou com Almirante, Donga e Pixinguinha. O pontapé inicial na carreira do importante maestro foi com a ópera "O Descobrimento do Brasil", que estreou no Teatro Municipal do Rio junho de 1939.

Formou com músicos das escolas do Rio a Orquestra Sinfônica Brasileira, atuando como assistente do maestro húngaro Skenzar, regente do grupo. Tinha uma ideia fixa, conhecer os Estados Unidos, para onde foi decidido a reger uma das três grandes orquestras americanas (Boston, Filadélfia e Nova York). Chamaram-no louco de início, mas após muita persistência, Eleazar foi convidado a reger no Carnegie Hall. O convite era tido também como “maldição” pelo maestro graças a uma foto dele vestido de índio, na frente do prédio – ilustrando sua ascendência indígena -, motivo que o fez recusar o convite. Não desistiu, no entanto, de reger uma orquestra de prestígio internacional e procurou Eugene Ormandy, regente da Orquestra Sinfônica da Filadélfia, que o rejeitou.

Decidiu procurar Serge Koussewitzky, diretor musical da Orquestra Sinfônica de Boston, que estava ministrando cursos na ocasião e mais tarde seria seu grande mestre. Venceu o músico pela ousadia e pelo talento e foi aceito após pedir cinco minutos à frente da orquestra, que regeu um ano após ter chegado aos Estados Unidos. Regeu também a Orquestra da Filadélfia substituindo o maestro Charles Munch, que havia adoecido.

Com a morte de Koussewitzky tornou-se regente do Berkshire Music Center. Durante os dezesseis anos que esteve à frente da orquestra, foi também maestro da Saint Louis Symphony Orchestra (regendo mais de 1000 concertos) e, mais tarde, a Pro Arte Symphony Orchestra em Nova York.

A atuação como professor lhe rendeu o título de emérito da Yale University, além de lecionar regência nas universidades de Washington, Hofstra, Tampa e na famosa Juilliard School of Music.

Depois de anos nos Estados Unidos dirigiu as principais orquestras ao redor do mundo, a exemplo das Filarmônicas de Berlim, Viena e até mesmo de Israel. Além, é claro, das peças brasileiras, principalmente de Heitor Villa Lobos.
A experiência internacional do regente o motivou a criar a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, fundada em 1954. Regeu desta o primeiro concerto, na Estação Júlio Prestes, em um momento em que a orquestra ainda não tinha um local adequado para acontecer. Foi à OSESP que o maestro dedicou seus maiores esforços, dirigindo-a até o último dia de sua vida. Hoje, é o edifício da Estrada de Ferro Sorocabana que abriga a Sala São Paulo, uma das mais importantes casas de concertos e eventos do país, e nada menos que a sede da Orquestra Sinfônica criada por Eleazar de Carvalho.

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