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Emílio Ribas

Emílio Marcondes Ribas
11/4/1862, Pindamonhangaba (SP) - 19/12/1925, São Paulo (SP)

Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (1887), iniciou a vida profissional como clínico no interior de São Paulo. Em 1896 foi escolhido para o cargo de inspetor sanitário do Estado e procurou combater as epidemias, especialmente a de febre amarela, nas cidades de Jaú, Rio Claro, Araraquara, Pirassununga, São Carlos, Campinas e Santos entre outros municípios.

Em (1898), alertou o governo de São Paulo sobre a importância de fabricar o próprio soro antipestoso, livrando-se dos atrasos da importação. Foi adquirida então uma fazenda nos arredores da capital e fundado o Instituto Butantã. Pesquisando sobre a febre amarela, Ribas chegou à conclusão de que o mal não se transmitia diretamente de uma pessoa doente para outra sadia, e sim que devia existir, no caso, um transmissor, o mosquito Aedes aegypti. Criticado pela imprensa, deixou-se picar pelo mosquito infectado pelo vírus da febre amarela, em 1903. Junto com Adolfo Lutz e outros voluntários adquiriu a doença e comprovou sua teoria

Sua gestão no Instituto Sanitário durou cerca de  duas décadas. Durante este período, exterminou grande quantidade de viveiros do mosquito da febre amarela, o "aedes aegypti", que também pode transmitir a dengue. Em 1904, reduziu a febre amarela a apenas dois casos no estado de São Paulo.

Foi para Cuba acompanhar estudos dos médicos Walter Reed e Carlos Finley. Voltou ao Brasil e defendeu a tese da transmissão da doença pelo mosquito, e não pelo contágio direto. Juntamente com Osvaldo Cruz e Vital Brasil, pioneiro na Medicina preventiva e curativa no Brasil, enfrentou uma época marcada pelas péssimas condições de saúde e educação da população, além da chegada constante de imigrantes e da falta de recursos à pesquisa científica.

Nos anos de 1908 e 1909  fez várias viagens de estudos e conferências pela Europa e pelos Estados Unidos. Atuou ainda como sanitarista no combate a outras doenças endêmicas do estado de São Paulo. Combateu a peste bubônica, a tuberculose e a lepra. Implantou a Seção de Proteção à Infância, a Inspetoria Sanitária Escolar, o Serviço de Profilaxia e Tratamento do Tracoma e a Seção de Engenharia Sanitária.

Reorganizou o Serviço Sanitário em geral, do então Desinfectório Central, do Hospital de Isolamento, hoje Instituto Emílio Ribas, do Laboratório de Análises Químicas e Bromatológicas e do Laboratório Farmacêutico. Constatou que o clima de Campos do Jordão era benéfico para as doenças pulmonares e colaborou para a fundação do Sanatório de Campos do Jordão e da Colônia de Santo Ângelo.

O Instituto de Infectologia Emílio Ribas foi uma das primeiras instituições de Saúde Pública em São Paulo, sendo inaugurado em 8 de janeiro de 1880, ainda no Império, através da contribuição da população paulista que doou parte do dinheiro para a sua construção com o objetivo de isolar e tratar os pacientes portadores de doenças infecciosas.

O Hospital, que inicialmente atendia apenas varíola, foi ampliado em 1894, para poder enfrentar as epidemias de doenças infecciosas que estavam ocorrendo na época (febre amarela, tifo, peste, difteria), passando a se chamar Hospital de Isolamento de São Paulo (Capital), considerado no inicio do século XX como um dos melhores do mundo. O isolamento era rigoroso obrigando os médicos e a equipe de enfermagem a morar no hospital, em edifício separado, anexo ao pavilhão (Unidade de Internação) em que ficavam os doentes. Em 1932, o Hospital passou a se chamar Hospital de Isolamento Emílio Ribas

Em seus últimos anos criou um asilo especializado para hansenianos, próximo a São Paulo, que visitava três vezes por semana. Em 1922 fez sua última conferência no centro acadêmico da faculdade de medicina da Universidade de São Paulo. Três anos depois, faleceu, aos 63 anos de idade.

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