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Fernanda Montenegro

Arlette Pinheiro Esteves da Silva
16/10/1929, Rio de Janeiro (RJ)

 O nome artístico da atriz brasileira descendente de portugueses e italianos tem origem nos personagens dos romances de Proust e Balzac, e o sobrenome homenageia um médico homeopata amigo da família. Durante a infância, nutre grande encanto pelo cinema, e com apenas 15 anos inicia a carreira na Rádio Ministério de Educação, atuando no Radioteatro da Mocidade. Dá então os primeiros passos da carreira trabalhando em radionovelas, na mesma época em que dava aulas de português para alunos estrangeiros na escola de idiomas Berlitz, onde aprendera inglês e francês. Inicia no teatro aos 19 anos, encenando a peça Altitude 3.200. Na década de 1950, atua também em Alegres Canções nas Montanhas, ao lado de Fernando Torres, que viria a ser seu futuro marido e com quem teria os filhos Fernanda Torres, também atriz, e Cláudio Torres, cenógrafo e diretor de cinema. Com o marido, cria o programa de rádio Falando de Cinema, no qual entrevista uma série de celebridades da época. Nessa época também desenvolve paralelamente a carreira na televisão, estreando na TV Tupi em 1951, atuando em teledramas policiais.

Firma-se nessa época como um dos grandes nomes do teatro brasileiro, atuando ao lado de atores consagrados como Paulo Porto, Grande Otelo, Cacilda Becker e Nathalia Timberg, representando grandes clássicos e peças de renomados autores nacionais e internacionais. No Teatro Maria Della Costa (TMDC), onde atua por dois anos, encena O Canto da Cotovia (1954) e A moratória (1955), no qual interpreta Lucília, papel de destaque que impulsiona sua carreira de atriz. Participa do programa ao vivo Grande Teatro Tupi, coordenado por Sérgio Britto, durante quase dez anos, onde encena mais de 170 peças. No Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde permanece por dois anos, recebe o prêmio da Associação Paulista dos Críticos Teatrais por suas interpretações em Nossa Vida com Papai (1956) e Vestir os Nus (1958).

Em 1959, funda o Teatro dos Sete, companhia criada com Fernando Torres, Ítalo Rossi, Giani Ratto e Sérgio Britto, responsável por uma série de espetáculos até 1965, ano que marca o fim da trajetória da companhia teatral. É no mesmo ano que estrela seu primeiro filme, A falecida (1965), adaptação do diretor Leon Hirszman baseada na peça homônima de Nelson Rodrigues, pelo qual recebe o prêmio especial do I Festival Internacional de Cinema do Rio. Vencedora do Prêmio Molière por sua atuação em A Mulher de Todos Nós (1966) e O Homem do Princípio ao Fim (1967), participa de uma série de peças no fim da década de 1960 e início dos anos 1970 sob direção de seu marido. Em 1977, com o espetáculo É..., de Millôr Fernandes, realiza uma temporada de mais de três anos, em quatro capitais brasileiras.

A partir da década de 1980, tem início o período em que dedica grande parte de sua carreira às produções televisivas, atuando em diversas novelas e minisséries da Rede Globo, tais como Guerra dos Sexos (1983), Cambalacho (1986) e Riacho Doce (1990), entre outras. Filma Eles não usam black tie (1980), vencedor do Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Cinema de Veneza. Dois anos depois, encena o marcante As lágrimas amargas de Petra Von Kant, recebendo os prêmios Mambembe e Molière. Convidada pelo então Presidente da República, José Sarney, a tornar-se Ministra da Cultura, em 1985, rejeita o cargo por acreditar não ser sua vocação.

A primeira atuação no cinema ao lado do marido ocorre no episódio “Samba do grande amor”, do filme Veja esta canção (1994), de Cacá Diegues. A consagração internacional como atriz ocorre no final da década de 1990, por meio de Central do Brasil (1998), do diretor Walter Salles Jr. O filme é premiado em diversos festivais  nacionais e internacionais, tais como o Globo de Ouro e o Festival de Berlim, e recebe duas indicações ao Oscar – dentre elas, a de melhor atriz, única indicação de uma atriz brasileira nesta categoria. Uma das atrizes mais importantes do país, é considerada a primeira-dama do teatro brasileiro.

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