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Fernando Sabino

Fernando Tavares Sabino
12/10/1923, Belo Horizonte (MG) – 11/10/2004, Rio de Janeiro (RJ)

Fernando Sabino é um dos maiores cronistas da literatura brasileira. Aprendeu a ler com a mãe e se tornou um leitor compulsivo, mas também demonstrava afinidade para a música e os esportes. Aos doze anos torna-se locutor do infantil “Gurilândia”, da rádio Guarani, de Belo Horizonte. Durante a adolescência começa a escrever artigos, contos e crônicas nas revistas Alterosa e Belo Horizonte, e conquista diversos prêmios em concursos literários. Nessa época mantém contato frequente com os clássicos portugueses de Gil Vicente, Alexandre Herculano, Almeida Garrett e Eça de Queiroz, entre outros. Começa a publicar artigos literários no O Diário, e ali compõe junto com os inseparáveis Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino, seu amigo de infância, o ilustre quarteto mineiro que se destacou na literatura brasileira durante mais de quatro décadas.

Na década de 1940, ingressa na Faculdade de Direito e começa a trabalhar como redator na Folha de Minas. Colabora também no jornal carioca Dom Casmurro, na revista Vamos Ler, no Anuário Brasileiro de Literatura e no Correio da Manhã. Nessa época reúne seus primeiros contos no livro Os Grilos não Cantam Mais (1941). Nessa época também presta serviço militar, experiência que lhe serviu de inspiração para o livro 'O Grande Mentecapto' (1979), obra que lhe rendeu o Prêmio Jabuti e foi adaptada para o cinema e o teatro. Torna-se amigo de escritores ilustres, como Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Morais, e quando se muda para o Rio de Janeiro, em 1944, começa a conviver também com Rubem Braga, Di Cavalcanti, Manuel Bandeira e Carlos Lacerda. Depois de formado, muda-se para Nova York com a primeira esposa e a filha primogênita e ali vive por dois anos, trabalhando no Escritório Comercial do Brasil, no Consulado Brasileiro, e enviando crônicas para o Diário Carioca, O Jornal e O Estado de S. Paulo. Sua experiência americana é contada no livro 'Cidade Vazia' (1950).

A década de 1950 é de intensa colaboração em diversas publicações, como o semanário Comício, as revistas Manchete e Senhor e o Jornal do Brasil.  Nas eleições de 1954 faz campanha política no Recife e em Fortaleza, e no ano seguinte viaja pelo Brasil percorrendo mais de 150 cidades ao lado do mineiro Milton Campos, cobrindo para o Diário Carioca a campanha de Juarez Távora à presidência da República. Publica, em 1956, O Encontro Marcado, sucesso de crítica que teve edições inclusive no exterior, motivo que o leva a visitar diversos países para divulgar sua obra. A partir de 1960, escreve crônicas para o Suplemento Feminino do Estado, e começa a elaborar diversos roteiros para curta-metragem e documentários. Nessa  época publica 'O Homem Nu' (1960), também adaptado para o cinema, e 'A Mulher do Vizinho' (1962). Torna-se Adido Cultural junto à Embaixada do Brasil em Londres, durante o governo João Goulart, e ali lê semanalmente suas crônicas na BBC. Funda a Editora do Autor e, posteriormente, a Editora Sabiá. 

Ao mesmo tempo em que permanece colaborando com crônicas e reportagens em diversas publicações, especialmente no Jornal do Brasil, sua atuação como roteirista é constante entre os anos 1970 e 1980, época em que realiza uma série de documentários sobre literatura e outros temas, em viagens pelo Brasil e diversos outros países. A partir de 1987, passa a assinar a coluna “Dito e Feito”, no jornal O Estado de S. Paulo. Em 1991, lança o polêmico livro 'Zélia, Uma Paixão', biografia autorizada da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, que lhe rende pesadas críticas em virtude do ambiente político do momento. Por sua extensa produção literária, que lhe rendeu mais de quarenta livros publicados, recebeu da Academia Brasileira de Letras, em 1999, o Prêmio Machado de Assis, maior prêmio literário do país.

Faleceu às vésperas de completar 81 anos, vítima de um câncer no fígado. Em virtude da manifesta proibição, em testamento, de que fossem lançadas novas obras póstumas, permanecem inéditos os três capítulos de 'A Resposta', livro que ele chamava de “autobiografia não autorizada”, e que escrevia na época de seu falecimento. Deixou pronto o próprio epitáfio, no cemitério São João Batista: “Aqui jaz Fernando Sabino, nasceu homem, morreu menino.”

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