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Florestan Fernandes

Florestan Fernandes
22/7/1920, São Paulo (SP) – 10/8/1995, São Paulo (SP)

Um dos grandes pensadores da realidade política e social do Brasil, Florestan Fernandes é considerado o fundador da Sociologia crítica brasileira. Filho da imigrante portuguesa Maria Fernandes, nasceu na capital paulista em 1920. Começou a trabalhar ainda criança; foi auxiliar de barbeiro, engraxate e funcionário de açougues, bares e padarias. Realizou os primeiros estudos no Grupo Escolar Maria José, em Bela Vista (SP) e mais tarde ingressado no Ginásio Riachuelo, onde estudou de 1938 a 1940. Prestou serviço militar, aprendeu a datilografar e foi chefe da seção de materiais dentários no Laboratório Novoterápica. Em 1941, matriculou-se na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

 Florestan Fernandes durante simpósio de educação em São Paulo, 29/9/1989. 

Foto: Paulo Cesar Bravos/Estadão

 Clique aqui para ver tudo sobre Florestan Fernandes no Estadão 

 Florestan Fernandes durante simpósio de educação em São Paulo, 29/9/1989. 

Foto: Paulo Cesar Bravos/Estadão

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A partir de 1943, passou a escrever artigos para os jornais O Estado de S. Paulo e Folha da Manhã. Nessa época, ingressou no Partido Socialista Revolucionário (PSR) e tornou-se militante socialista. Ainda em 1943, bacharelou-se em Ciências Sociais e obteve a licenciatura um ano depois. Em seguida realizou sua pós-graduação na Escola Livre de Sociologia e Política (FESP) de São Paulo e obteve o título de mestre. Ao final desse período, tornou-se pesquisador e professor assistente da FFLCH, tendo assumido a função de assistente de uma cadeira de sociologia. Em 1946, traduziu A Crítica da Economia Política, de Karl Marx.

 Em seu trabalho de mestrado A organização social dos Tupinambá, analisava o relato de cronistas do século XVII e tentava reconstituir a realidade social desses índios nos primeiros séculos da América portuguesa. Em 1948, recebeu o Prêmio Fábio Prado por sua pesquisa. Em 1949, publicou Análise funcionalista da guerra: possibilidades de aplicação à sociologia tupinambá. Desligou-se do PSR em 1950, quando resolveu dedicar-se à carreira acadêmica.

 Em 1951, após defender a tese A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá, adquiriu o título de doutor em sociologia pela FFLCH-USP. Tornou-se livre docente em 1953, após publicar “Ensaio sobre o Método de Interpretação Funcionalista na Sociologia. No ano seguinte, tornou-se professor da USP. Trabalhando no Programa de Pesquisa sobre Relações Raciais no Brasil, promovido pela Unesco, publicou estudos que contestavam a existência de uma democracia racial no Brasil, tendo apontado o caráter discriminatório das relações políticas e sociais no país. Em 1955, publicou Negros e Brancos em São Paulo. A obra apontava os mecanismos sociais discriminatórios que impediam que negros e mulatos tivessem acesso igualitário ao mercado de trabalho.

Após publicar Tendências Teóricas da Moderna Investigação Etnológica no Brasil (1956) e A Etnologia e a Sociedade Brasileira (1958), participou da campanha em Defesa da Escola Pública. Em 1960, publicou Mudanças Sociais, o primeiro volume da coleção Corpo e Alma do Brasil (sob sua direção). Em 1964, tornou-se catedrático de sociologia e publicou A Integração do Negro na Sociedade, onde denunciou a discriminação racial como um empecilho à democracia. Após o golpe de 1964, foi preso pelos militares, mas obteve a liberdade em pouco tempo. Proferiu palestras e escreveu cartas contra o regime militar, tendo defendido a democratização do país.

Durante a ditadura, publicou Educação e Sociedade no Brasil (1966) e Fundamentos Empíricos da Explicação Sociológica (1967). Após a promulgação do AI-5 (1969), foi aposentado compulsoriamente pelo regime e partiu para os Estados Unidos, onde foi professor visitante da Universidade de Colúmbia. Mais tarde, foi professor da Universidade de Toronto. Em 1975, publicou A Revolução Burguesa no Brasil, onde alega que o capitalismo no Brasil construiu-se sem a presença de uma ordem social competitiva, prevalecendo uma mentalidade social arcaica.

 Em 1986, após filiar-se ao Partido dos Trabalhadores, foi eleito deputado federal constituinte. Em 1990, foi reeleito e cumpriu o mandato até 1994. De 1989 a 1995, foi colunista da Folha de S. Paulo. Faleceu no final desse período, tendo recebido diversas homenagens. Publicou muitas outras obras, como Nova República? (1986) e Em Busca do Socialismo (1995).

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# Capa do jornal de 16/11/1889

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