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Florestan Fernandes

Florestan Fernandes
22/7/1920, São Paulo (SP) – 10/8/1995, São Paulo (SP)

Perdeu o pai e a irmã muito cedo, tendo sido criado pela mãe, a imigrante portuguesa Maria Fernandes. Começou a trabalhar ainda criança, tendo sido auxiliar de barbeiro, engraxate e funcionário de açougues, bares e padarias. Realizou os primeiros estudos no Grupo Escolar Maria José, em Bela Vista (SP), tendo mais tarde ingressado no Ginásio Riachuelo, onde estudou de 1938 a 1940. Prestou serviço militar, aprendeu a datilografar e foi chefe da seção de materiais dentários no Laboratório Novoterápica. Em 1941, matriculou-se na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

A partir de 1943, passou a escrever artigos para os jornais O Estado de S. Paulo e Folha da Manhã. Nessa época, ingressou no Partido Socialista Revolucionário (PSR) e tornou-se militante socialista. Ainda em 1943, bacharelou-se em ciências sociais e obteve a licenciatura um ano mais tarde. Em seguida realizou sua pós-graduação na Escola Livre de Sociologia e Política (FESP) de São Paulo e obteve o título de mestre. Ao final desse período, tornou-se pesquisador e professor assistente da FFLCH, tendo assumido a função de assistente de uma cadeira de sociologia. Em 1946, traduziu “A crítica da economia política”, de Karl Marx.

 Em seu trabalho de mestrado "A organização social dos Tupinambá", analisava o relato de cronistas do século XVII e tentava reconstituir a realidade social desses índios nos primeiros séculos da América portuguesa. Em 1948, recebeu o Prêmio Fábio Prado por sua pesquisa. Em 1949, publicou “Análise funcionalista da guerra: possibilidades de aplicação à sociologia tupinambá”. Desligou-se do PSR em 1950, quando resolveu dedicar-se à carreira acadêmica.

 Em 1951, após defender a tese “A função social da guerra na sociedade Tupinambá”, adquiriu o título de doutor em sociologia pela FFLCH-USP. Tornou-se livre docente em 1953, após publicar “Ensaio sobre o método de interpretação funcionalista na sociologia”. No ano seguinte, tornou-se professor da USP. Trabalhando no Programa de Pesquisa sobre Relações Raciais no Brasil, promovido pela Unesco, publicou estudos que contestavam a existência de uma democracia racial no Brasil, tendo apontado o caráter discriminatório das relações políticas e sociais no país. Em 1955, publicou “Negros e brancos em São Paulo”. A obra apontava os mecanismos sociais discriminatórios que impediam que negros e mulatos tivessem acesso igualitário ao mercado de trabalho.

Após publicar “Tendências teóricas da moderna investigação etnológica no Brasil” (1956) e “A etnologia e a sociedade brasileira” (1958), participou da campanha em Defesa da Escola Pública. Em 1960, publicou “Mudanças sociais”, o primeiro volume da coleção “Corpo e Alma do Brasil” (sob sua direção). Em 1964, tornou-se catedrático de sociologia e publicou “A integração do negro na sociedade”, onde  denunciava a discriminação racial como um empecilho à democracia. Após o golpe de 1964, foi preso pelos militares, mas obteve a liberdade em pouco tempo. Proferiu palestras e escreveu cartas contra o regime militar, tendo defendido a democratização do país.

Durante a ditadura, publicou “Educação e sociedade no Brasil” (1966) e “Fundamentos empíricos da explicação sociológica” (1967). Após a promulgação do AI-5 (1969), foi aposentado compulsoriamente pelo regime e partiu para os Estados Unidos, onde foi professor visitante da Universidade de Colúmbia. Mais tarde, foi professor da Universidade de Toronto. Em 1975, publicou “A revolução burguesa no Brasil”, onde alega que o capitalismo no Brasil construiu-se sem a presença de uma ordem social competitiva, prevalecendo uma mentalidade social arcaica.

 Em 1986, após filiar-se ao Partido dos Trabalhadores, foi eleito deputado federal constituinte. Em 1990, foi reeleito e cumpriu o mandato até 1994. De 1989 a 1995, foi colunista da Folha de S. Paulo. Faleceu no final desse período, tendo recebido diversas homenagens. Publicou muitas outras obras, como “Nova República?” (1986) e “Em busca do socialismo” (1995).

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