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Franco Montoro

André Franco Montoro
14/7/1916, São Paulo (SP) – 16/7/1999, São Paulo (SP)

Sua carreira política ficou marcada pela moderação. Católico, seguia preceitos da chamada democracia cristã. Conforme ensinamentos da encíclica “Rerum Novarum” de Leão XIII, acreditava que a vertente seguida pela sociedade deveria ser um meio termo, não caindo nem para o totalitarismo do comunismo nem para um capitalismo selvagem. Descendente de italianos e espanhóis, estudou primeiramente no Colégio Caetano de Campos, uma das escolas públicas mais conceituadas da época. Depois de uma temporada morando em Santos, voltou e concluiu o colegial no São Bento. Começou logo em seguida a ministras aulas de filosofia e psicologia.

Formou-se em Filosofia e Pedagogia na Faculdade São Bento, e em direito no Largo São Francisco. Dividia seu tempo entre aulas e a advocacia quando iniciou sua vida política, entrando no PDC, (Partido Democrata Cristão). Sua relação com a cúria já era próxima, tendo sido durante a década de 40 membro da Ação Católica Brasileira (ACB) e um dos fundadores da Juventude Universitária Católica (JUC), instituições que visavam o envolvimento de leigos católicos em ações sociais. O PDC era abertamente apoiado pelo arcebispo de São Paulo, cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota. Ele seguia a orientação do Vaticano de reprimir o avanço comunista.

Montoro foi eleito para seu primeiro cargo político em 1952 como vereador, mas não chegou a concluir o mandato deixando a casa como protesto ao comércio de votos para eleição do presidente da mesa. Em 1954 concorre ao posto de deputado estadual. Eleito, tornar-se presidente da Assembleia Legislativa.

Durante o período viajou para a Bélgica onde representou o Brasil e o PDC no Congresso Internacional da Democracia Cristã, tratando da integração econômica e política dos países latino- americanos. Também não chegou a terminar o mandato, deixando o cargo para concorrer na Câmara Federal, onde tornou-se líder do Partido Democrata Cristão.

Teve um papel de destaque na crise política causada pela renúncia do presidente Jânio Quadros e que, com risco de golpe, transformou o Brasil por um curto período em um parlamentarismo. Estava na comitiva que acompanhava o vice João Goulart em viagem a China e o aconselhou a evitar o confronto, adiando a volta ao País. Com a posse do presidente e do primeiro-ministro Tancredo Neves, tornou-se Ministro do Trabalho. Ficou um ano no cargo e nesse período reafirmou suas ideias ligadas à democracia cristã, apelando para mudanças sociais. Voltou a ser eleito deputado federal em 62.

Junto com o PDC apoiou a eleição do general Castelo Branco para a presidência após o golpe militar de 1964. Tentou se eleger prefeito de São Paulo no ano seguinte. Com a extinção dos partidos políticos, juntou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) que fazia posição ao governista Arena. Sua participação durante os primeiros anos do regime foi marcada pela luta dos direitos trabalhistas, sendo seu livro “ABC dos Direitos do Trabalhador” uma referência para as ações de diversos sindicatos.

Foi eleito como senador em 1970 com dois milhões de votos. Dentro dos limites do AI-5 teve um papel de destaque trabalhando pela abertura política do Brasil. Foi reeleito em 1978 com mais de 4 milhões de votos.

Quatro anos depois chegaria a ser eleito governador de São Paulo nas primeiras eleições realizadas para o cargo após a militarização do governo. Teve uma grande quantidade de votos: 5,5 milhões, mais que o dobro do segundo colocado, Reynaldo de Barros, do PDS. Seu governo será lembrado pelos avanços sociais e administrativos.

Nomeou Mário Covas, cassado pelos militares, prefeito da capital paulista. Foi um dos articuladores do comício “Diretas Já” no Vale do Anhangabaú em 84. Com a redemocratização discordou junto com outros intelectuais dos rumos do PMDB (que substituiu a MDB na reorganização partidária) e deixou o partido fundando o PSDB. Foi eleito mais duas vezes como deputado federal. Morreu vítima de um enfarte e foi enterrado com honras de chefe de estado.

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