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Getúlio Vargas

Getúlio Dornelles Vargas
19/4/1883, São Borja (RS) - 24/8/1954, Rio de Janeiro (RJ)

Getúlio Dornelles Vargas nasceu na cidade de São Borja, Rio Grande do Sul, em 19 de abril de 1883. Seu pai, Manoel do Nascimento Vargas, era fazendeiro, republicano histórico e positivista, defensor da noção de um governo “científico”, forte e tutelar.
Ingressou na Faculdade de Direito de Porto Alegre em 1902. Aos 27 anos de idade iniciou sua carreira política, quando eleito deputado estadual pela primeira vez, em 1910. Casa-se com Darcy Sarmanho, com quem tem cinco filhos. Em 1917, é eleito deputado pela terceira vez.
Detentor de uma forte base política no estado, em 1926, se torna líder da bancada gaúcha. Então, como presidente da Comissão de Finanças, é responsável pela Reforma Constitucional de 1926. No mesmo ano, é convidado a assumir o Ministério da Fazenda do governo Washington Luís. Em dois anos, elege-se presidente do Rio Grande do Sul.

Em 1929, a crise econômica mundial era sentida no Brasil. O principal produto nacional, o café, passava por uma crise de superprodução, levando muitos produtores à falência e debilitando seriamente a economia nacional. A indicação de um paulista para a presidência da república por Washington Luís, tentava aliviar as preocupações da elite cafeeira paulista, mas ia de encontro a interesses políticos há muito estabelecidos. As elites gaúchas e mineiras ficaram profundamente contrariadas, pois a indicação de Júlio Prestes feria o pacto político do “café com leite”. Uma coalizão é formada em oposição ao governo e à candidatura Prestes, a Aliança Liberal.  
Nas forças armadas brasileira, outro grupo insatisfeito formava o movimento tenentista -um grupo de militares de baixa descontentes com a corrupção endêmica do sistema político nacional e com o fraudulento sistema eleitoral- e mostrava-se disposto a pegar em armas para reformular a política nacional. 

Com o país mergulhado numa crise política e econômica, opositores conspirar contra o governo Washington Luís. Eclode a Revolução de 1930, na qual Getúlio Vargas é líder e idealizador. Um golpe depõe o presidente e impede que Júlio Prestes assuma como presidente eleito. Um novo regime é estabelecido.

Entre 1930 e 1934, Getúlio Vargas chefia um governo provisório bastante instável. Acusado de ser contra a ordem constitucional, enfrenta oposição de paulistas durante a revolução constitucionalista de 1932. A revolta paulista é derrotada, mas Vargas assume o compromisso de promulgar uma nova constituição e convoca uma constituinte para 1934. É, então, eleito indiretamente para o quatriênio de 1934 a 1938. Após a fracassada tentativa de golpe do PCB, de 1935, Getúlio intensifica leis anti- subversão. A censura aos meios de comunicação é instaurada e a atuação da sua polícia de estado recrudesce, reprimindo e torturando opositores do regime. Em 1937, é divulgado o plano Cohen.  O documento, escrito pelo capitão integralista Mourão Filho, aponta um plano comunista para tomar o poder. A suposta ameaça leva o Congresso a decretar Estado de Guerra e suspender direitos constitucionais.Vargas, então, em pouco mais de um mês, dá um golpe de estado, dissolve o Senado e a Câmara Federal e outorga uma nova constituição. Autoritária e centralizadora, a carta concedia largo poder ao executivo, era o início da ditadura do Estado Novo.

Até 1937, o governo Vargas preocupara-se em neutralizar forças políticas dissidentes, ampliar a máquina burocrática do Estado e reorganizá-la. Durante os anos do Estado Novo (1937-1945), Vargas promove o nacionalismo e, por meio do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), cerceia rigorosamente o direito de liberdade de expressão; conduz uma política externa relativamente independente, exigindo recursos norte-americanos para a construção de Volta Redonda e do Parque Siderúrgico Nacional em troca do apoio brasileiro na Segunda Guerra Mundial; elabora uma política econômica de incentivo à indústria nacional. Em 1940, o governo aprova a lei do salário mínimo e em 1943 cria a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), concessões trabalhistas que renderão ao presidente o título de “pai dos pobres”.

Nos meados da década de 40, Vargas, desgastado internamente e sem apoio internacional, perde importantes bases de sustentação. É deposto pelo exército em 1945. Não se distancia da política, devido à anistia e sua política trabalhista, recebe apoio das esquerdas com o “queremismo”, forte movimento pela constituinte com Vargas.

A república de 46 elege seu primeiro presidente, o general Eurico Gaspar Dutra. Candidato apoiado por Vargas, que, em troca, obtém apoio político para concorrer ao Senado e é eleito senador e deputado por vários Estados.
Em 1950, candidata-se à presidencial pelo PTB. As urnas confirmam sua popularidade, ele é eleito com 48% dos votos. Seu governo é marcado por várias crises. Carlos Lacerda, líder do partido de oposição, a UDN, inicia uma campanha intensa contra o presidente. As esquerdas se distanciam de Vargas após o acordo com os Estados Unidos e ratificação ao golpe da CIA na Guatemala. A despeito da criação da Petrobrás e do aumento de 100% no salário mínimo em 1954, o presidente não consegue contornar a crise. O atentado da Rua Toneleiros, contra a vida de Lacerda, faz crescer a onda antigetulista que pedia sua renúncia. Pressionado, sem poder político e temendo ser desmoralizado, Getúlio tira a própria vida no dia 24 de agosto de 1954 com um tiro no peito, em seus aposentos no Palácio do Catete. Suas últimas palavra ao povo brasileiro, estão numa impactante carta-testamento, onde declara ter lutado pela nação brasileira. Seu suicídio gerou enorme comoção nacional.

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