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Glauber Rocha

 Glauber de Andrade Rocha
14/3/1939, Vitória da Conquista (BA) - 22/8/1981, Rio de Janeiro (RJ)

Foi um dos mais importantes cineasta brasileiros e um dos idealizadores do Cinema Novo. Nasceu no dia 14 de março de 1939 em Vitória da Conquista, na Bahia. Seu pai, Bráulio Silva Rocha, era engenheiro e católico, e sua mãe, Lúcia Mendes de Andrade Rocha, era presbiteriana. Seu nome foi dado em homenagem ao descobridor do sulfato de sódio (também conhecido como sal de Glauber), Johann Rudolf Glauber.

Em Vitória da Conquista, Glauber frequentou uma escola americana, onde aprendeu a odiar a língua inglesa e o cinema de Hollywood. Em 1948, a família de Glauber se muda para Salvador, onde o jovem passa a estudar no colégio presbiteriano Dois de Julho. Glauber fez papéis de teatro, encenou poesias no grupo Jogralesca Teatralização poética (de inspiração brechtiana) e participou de um programa sobre cinema na rádio Sociedade da Bahia.

Nessa época, a família de Glauber passou por dificuldades. Em 1952, Glauber perdeu uma de suas três irmãs, Ana Marcelina, que morreu de leucemia com apenas dez anos. Pouco depois, seu pai sofreu um acidente na construção da estrada Rio-Bahia, e ficou impossibilitado de trabalhar. Glauber teve então, que ajudar sua mãe na gestão da Pousada 14 e da loja Adamastor. Em 1956, participou da produção do curta-metragem "Um dia na rampa", de Luiz Paulino.

Glauber ingressou na Faculdade de Direito da Universidade da Bahia em 1957, mas abandonou os estudos três anos depois e se dedicou ao jornalismo. Nessa época se casou pela primeira vez, com a colega Helena Ignez, segundo lugar do curso Miss Bahia de 1958. O casamento não duraria muito, e ele se casaria ainda com Rosa Maria Penna, Juliet Berto e Paula Gaitán. Em 1957, Glauber se engaja na produção do curta "Pátio". Ele projeta a produção de um outro curta pouco depois, mas desiste no caminho. Em 1959, Glauber viaja para São Paulo, onde frequenta o Congresso dos Cineclubes e a Bienal de São Paulo. Sua primeira filha nasce em junho de 1960. Pouco tempo depois, Glauber é obrigado a substituir Luiz Paulino dos Santos na filmagem de seu primeiro longa, "Barravento".

O movimento do Cinema Novo começa a se esboçar, fundamentado na apologia de um cinema com mais conteúdo e de baixo custo: em 1962, os curtas de “Cinco Vezes Favela” são produzidos pelo Centro Popular de Cultura da UNE. Em 1963, Glauber lança um de seus filmes mais aclamados, "Deus e o Diabo na Terra do Sol", que concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Em janeiro de 1965, Glauber escreve o texto do manifesto "A Estética da Fome", que reivindicava uma visão social para o cinema e que influenciaria o Cinema Novo. Seus filmes expunham a nu as contradições da política brasileira e denunciavam as desigualdades sociais gritantes do país. Em 1966, Glauber filma o documentário “Maranhão 66” sobre a posse de Sarney como governador do Maranhão. Em 1967, Glauber lança o filme "Terra em Transe", uma leitura da história política brasileira e um retrato da desolação profunda dos intelectuais de esquerda diante do golpe militar de 1964.O desfecho do filme trazia um diagnóstico pessimista: “somos infinita, eternamente filhos das trevas, da inquisição e da conversão! (…) Não é possível acreditar que tudo isso seja verdade! Até quando suportaremos?”. Participaram do filme atores de destaque, como Paulo Autran, Jardel Filho e Danuza Leão. Em abril de 1967, "Terra em Transe" é proibido em todo o território nacional e é acusado de subeversivo pelas lideranças militares e pela Igreja.

Em 1969, Glauber lança seu filme "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro", que lhe rende o prêmio de melhor diretor em Cannes. No mesmo ano, estando o Brasil sob ditadura militar, Glauber é preso e ameaçado de morte, e seu nome é colocado na lista negra do Serviço Nacional de Inteligência (SNI). A ficha de Glauber no Deops estabelecia paralelos entre ele e o cineasta francês Jean-Luc Godard acompanhados de algumas alegações delirantes. Nessa época, Glauber se exila, permanecendo fora do país até o dia 23 de junho de 1976. Em 1972, Glauber encontra-se com João Goulart no exílio, episódio que o inspira a escrever a peça "Jango, uma Tragédia".

Na década de 70, Glauber causa polêmica ao defender a política de abertura do presidente do Geisel. Em 1977, Glauber perde a irmã Anecy Rocha num trágico acidente. Apesar de infeliz e isolado politicamente, Glauber não deixa de produzir. Publica para os jornais Folha de São Paulo, Correio Braziliense e Jornal do Brasil e lança seu último longa metragem "A Idade da Terra". A exibição de seu último longa em Veneza recebe duras críticas por parte dos jornais italianos, o que leva a uma disputa entre o diretor e os críticos qualificada de “escândalo” pela mídia. De acordo com os médicos brasileiros, Glauber morreu de pneumonia como consequência de imperícia e negligência médica. Adoeceu em Portugal, mas morreu pouco depois de chegar ao Rio de Janeiro, no dia 22 de agosto de 1981.

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