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H. G. Wells

Herbert George Wells
21/9/1866, Bromley (Inglaterra) - 13/8/1946, Londres (Inglaterra)

Em 30 de outubro de 1938 ouvintes da rádio norte-americana CBS foram surpreendidos por boletins especiais que interrompiam a programação musical noticiando uma invasão alienígena. Em plena época de Halloween a histeria se espalhou entre a população. O episódio promovido pelo cineasta Orson Welles, entrou para a biografia de H. G. Wells, já que a invasão marciana em questão fora uma adaptação radiofônica de seu clássico "A Guerra dos Mundos". Se Julio Verne - com quem o escritor inglês divide a paternidade do gênero de ficção científica - já havia levado humanos até o espaço, Wells trouxe pela primeira vez seres do espaço para a Terra, introduzindo os, hoje populares, ETs como personagens de ficção.

George Wells notabilizou-se por seus romances de antecipação carregados de suas visões políticas. Escreveu sobre outros tempos, lugares, formas de vida, mas nunca deixou de se referir à própria realidade. Abordou o tema da luta de classes representada pelos Morlocks e Elois de "A Máquina do Tempo" (1895), questionou a ética da ciência, em "A Ilha do Dr. Moreau" (1896) e anteviu bombardeios em "Guerra Aérea" (1904). Em seus romances não científicos, menos conhecidos do grande público, sua crítica social se mostra ainda mais consistente. Os costumes, dilemas e a ruína da baixa burguesia vitoriana, por exemplo, receberam seu trato em "Kipps" (1905), "Tono-Bungay" (1909), "The Story of Mr. Poly" (1910) e "The New Machiavelli" (1911). Em "Ann Veronica" (1909) foi a vez dos direitos das mulheres entrarem em cena.

Produziu narrativas que viam com fascínio e desconfiança a aplicação das tecnologias do futuro ficcional no mundo real. Também são exemplos desta intenção obras como A história do futuro (1941) e O destino da espécie humana (1939). A qualidade científica de suas ficções pode ser relacionada aos oito anos em que foi professor de ciências e zoologia. De fato, sua carreira de escritor teve início com artigos científicos de pouca repercussão. Mas como lembrou, em artigo publicado  no Estado de S. Paulo de 10 de janeiro de 1987, Oscar Wilde teria lido e elogiado “os conhecimentos científicos e a elegância de H.G.”, recomendando sua leitura.

Como membro da Fabian Society , cujo o propósito era gerar gradualmente uma transformação social da Inglaterra orientada pelo socialismo, passa a enxergar o nacionalismo como causa principal dos males que vinham acometendo a humanidade. Deixa a sociedade para dedicar-se a ideia de um Estado Universal proposta em seu livro A "Modern Utopia" (1905). Em 27 de outubro de 1934, tem a oportunidade de testar o que restava de suas convicções socialistas numa histórica entrevista realizada com Stálin, publicada sob o título “Uma conversa entre Stálin e Wells”. O encontro gerou grande repercussão entre os intelectuais de esquerda. Ao finalizar a entrevista, Wells mostra-se muito agradecido, mas não deixou de lembrar a Stálin o verdadeiro motivo de sua visita, ou seja, arregimentar filiados para o seu Pen Club, uma organização internacional de escritores presidida por Wells, voltada ao direito à livre expressão de opiniões, inclusive da oposição.

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