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Hortência

Hortência de Fátima Marcari Oliva
23/9/1959, Potirendaba (SP)

Uma das maiores jogadoras de basquete que o Brasil já teve, ficou conhecida como “Rainha” sendo ao lado de “Magic” Paula o diferencial dentro de quadra de uma geração vitoriosa. Antes de começar no esporte que a consagrou, treinou futsal e handebol até receber uma bola de basquete da professora Mitsuko, que administrava a aula de educação física em seu colégio. Percebeu que a jovem tinha jeito para o esporte. Em 1973 foi treinar no São Caetano.

Com dificuldades financeiras pensou em largar a atividade, mas foi incentivada pelo técnico Valdyr Pagan a não desistir da carreira e a levou para o programa “Adote um atleta” que permitiu a Hortência a continuar treinando Passou a se alimentar melhor e ganhar massa. Foi o treinador que em 78 a levou para o Higienópolis Catanduva, onde assinou seu primeiro contrato.

Foi convocada pela seleção brasileira pela primeira vez em 1976, para o Pan Juvenil em Nevada. Seria vestindo a camisa de seu País que conquistaria prestígio nacional e internacional. Seu primeiro título foi o Sul-americano na Bolívia em 78. No começo de sua carreira, participou ainda do Mundial na Coreia (9º lugar) em 79 e do Pan-Americano de Porto Rico em 79 (4º lugar).

Marcou a década de 80 como o momento em que sua carreira deslancharia. Pelo clube conquistou diversos títulos como os Jogos Regionais (80 e 81) e Campeonato Paulista (80 e 81) antes de se transferir para o Prudentina em 82. Dois anos depois conquistava a Taça Brasil pelo time. Na seleção foi medalha de bronze no Pan de Caracas em 83 e prata em 87. Obteve também o campeonato Sul-americano em 81,86 e 89. Ficou faltando um bom desempenho no Mundial. Em 83 obteve o quinto lugar, em 86 ficou apenas na 11ª colocação.

Em 1985 mudou de clube novamente e foi para o Minercal. Foi tetracampeã paulista e bicampeão da Taça Brasil. Dois anos depois bateu o recorde mundial de cestas, com 124 pontos em uma só partida. Em 1988 foi convidada pela revista Playboy para posar nua, sendo capa da edição de fevereiro. Casou com o empresário João Vitor Oliva em 89.

Foi para o Constecca/Sedox em 91. No mesmo ano conquistou um de seus maiores títulos no Pan-americano de Havana, sendo medalha de ouro com a seleção brasileira, vencendo as americanas, que estavam invictas há mais de 30 jogos oficiais, e as cubanas, donas da casa.  Também conquistou o Mundial de clubes e mais um Campeonato Paulista.

Com um dos melhores times femininos de basquete do mundo, Hortência conseguiu classificar o País para sua primeira Olimpíada no esporte, em Barcelona no ano seguinte. Também transferiu-se para o Leite Moça. Passou pouco tempo no clube mudando para o Nossa Caixa/Nosso Banco/Ponte Preta no ano seguinte.

Conquistou mais dois Mundial de Clubes (93 e 94). Com o Brasil levantou o Mundial na Austrália, vencendo novamente os Estados Unidos, invicto desde a última derrota para o Brasil no Pan de três anos antes. Abandonou o basquete logo depois. Sempre declarou querer ser mãe, sonho que realizou em 1996.

Atendendo a pedidos voltou para a seleção alguns meses depois do nascimento de João Victor, para a disputa da Olimpíada de Atlanta. Na ocasião, mostrou que não havia perdido a majestade que a consagrou outrora e levou o Brasil a inédita medalha de prata.

Passou a dedicar sua vida a massificar o esporte. Se tornou empresária e passou a atuar em clubes ajudando-os a crescer. Dirigiu o Seara em 95 e 96. Foi para o Data Control em 97 (participando da conquista do Mundial de Clubes). Em 98 esteve no Fluminense e em 99 no Paraná Basquete.

Sua carreira foi reconhecida por grandes entidades do esporte. Em 2002 entrou para o Hall da Fama do basquete feminino em Knoxville, Tenessee. Três anos depois passou a figurar definitivamente no Hall of Fame no Naismith Memorial. Em 2007 com o lançamento da lista da FIBA, foi uma das três brasileiras a figurar na escolha. Atualmente dedica-se a palestras motivacionais sobre sua carreira.

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