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João do Pulo

João Carlos de Oliveira
28/5/1954, Pindamonhangaba (SP) – 29/5/1999, São Paulo (SP)

Ganhou o apelido após realizar seu maior feito, o recorde mundial no salto triplo obtido durante os jogos Pan-americanos da Cidade do México, em 1975. Entretanto, o sonho do garoto pobre, nascido e criado no interior paulista, não era brilhar no atletismo. Lavando carros para ajudar a família, desejava ter uma chance como jogador de futebol. Teve tuberculose aos 5 anos de idade e costumava sair de casa sem tomar café da manhã. Foram fatores que contribuíram para o aspecto franzino do atleta.

Enquanto brincava de vôlei no colégio estadual onde estudava foi descoberto pelo treinador e professor de educação física, José Roberto Vasconcelos. O primeiro sucesso viria poucos meses depois, quando conquistou a medalha de ouro no salto em altura dos Jogos Regionais do Litoral Norte e do Vale do Paraíba. 

Logo em sua estreia no salto triplo obteve a marca de 14,06m sem nunca ter treinado na especialidade. Com o resultado, acabou convocado para disputar o campeonato Sul-americano de 1972, realizado em Assunção, Paraguai. Na competição alcançou 14,76m. 

Entrou para o exército, onde permaneceu por 14 anos e conquistou a patente de sargento. Começou a se destacar no cenário nacional em 1973, treinado pelo técnico Pedro Henrique de Toledo, o Pedrão. No ano foi campeão paulista juvenil, campeão paulista e campeão do Troféu Brasil. 

No ano seguinte levaria novamente o Troféu Brasil e o campeonato paulista juvenil além de um troféu sul-americano com a marca de 16,34m. Em 1975 se destacou pela incrível campanha nos jogos Pan-americanos. Além da medalha de ouro e do recorde mundial no salto triplo (obtido com a marca de 17,89m) conquistou também o ouro no salto em distância. 

Sua primeira participação em Jogos Olímpicos aconteceu em 1976, em Montreal no Canadá. Saiu de lá com a medalha de bronze na mesma competição onde havia batido o recorde mundial um ano antes. Em 77 mais um título importante, quando levantou o campeonato mundial. Conquistou no mesmo ano mais um Troféu Brasil, o Campeonato Brasileiro e o Torneio de Nice. Em 1978 sua melhor marca no salto triplo foi no Torneio de Checoslováquia, quanto saltou 17,44m. Nos Jogos Pan-americanos de 79 não precisou repetir a façanha de quatro antes, conquistando o ouro atingindo “apenas” 17,27m. Foi também bicampeão mundial naquele ano.

Em 1980 disputou uma nova edição dos Jogos Olímpicos, desta vez realizados em Moscou, na Rússia. Levou novamente para casa o 3º lugar no salto em distância. Ainda em 1980 conquistou o torneio Orlando Guaita no Chila e campeão mundial militar.

Sua última grande competição foi o Campeonato Mundial em 1981, quando foi tricampeão no torneio. No mesmo ano sua carreira seria encerrada. Sofreu um acidente no dia 22 de dezembro. O carro em que viajava se chocou com outro veículo que vinha na contramão na Rodovia Anhanguera. João do Pulo sobreviveu, mas acabou perdendo a perna direita, após um ano tentando se recuperar. 

Se viu obrigado a abandonar o esporte que o consagrou. Se aventurou na carreira política, sendo eleito deputado estadual pelo PFL em 1986 e reeleito quatro anos depois, em 1990. Em 1994 tentou novamente o cargo, mas não conseguiu. Virou empresário, montou uma padaria e uma transportadora, ambos os empreendimentos não deram certo. Depressivo, passou a viver do soldo militar que recebia. Se afundou no álcool e chegou a ser preso por não pagar a pensão da filha. 

Em 1998, com novo fôlego, tentou novamente um cargo de deputado estadual, e com uma nova prótese passou a se preparar para competir na Paraolimpíada de Sidney, em 2002. Aspirava lutar pelos diretos dos deficientes físicos na Assembleia Legislativa e participar de uma nova competição internacional. 

Morreu no hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, vítima de falência múltipla dos órgãos em consequência de uma cirrose hepática e infecção generalizada. João do Pulo, ou João Sete Vidas, como começou a ser chamado depois do acidente e das 25 intervenções cirúrgicas que passou ao longo da vida é considerado um dos grandes nomes do atletismo brasileiro. Além dos recordes mundiais e das medalhas no salto triplo, chegou a ter o recorde sul-americano e brasileiro do salto em distância e dos 100m rasos.

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