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João Saldanha

João Jobim Saldanha
3/7/1917, Alegrete (RS) – 12/7/1990, Roma (Itália)

Apaixonado por futebol e por jornalismo, Saldanha foi o autor de algumas das frases mais famosas do futebol brasileiro como “se macumba ganhasse jogo Campeonato Baiano terminava empatado” e “se concentração ganhasse jogo time da penitenciária não perdia um”. Além de sua qualidade, ficou famoso pelas polêmicas e por seu estilo direto. Seu primeiro contato com o futebol foi no Paraná, para onde se mudou ainda criança devido à briga de seu pai, Gaspar Saldanha, com Borges de Medeiros, líder político local. Morava na rua do Estádio do Atlético Paranaense e passou a assistir aos jogos. Começou a treinar também no juvenil do clube.

Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1934, quando o pai lançou-se candidato à constituinte. Entrou para o time juvenil do Botafogo e conseguiu ser campeão em 1935.

Quis cursar direito, mas sendo um filiado ao PCB (Partido Comunista Brasileiro), foi perseguido pelo Estado Novo de Getúlio Vargas e teve que fugir do Brasil. Morou na França e na Tchecolosváquia onde estudou economia e jornalismo.

Voltou ao Brasil na década de 1950. Trabalhava em um cartório e arrumou um cargo secundário no departamento de futebol do Botafogo. Em 1957 foi convidado pela diretoria do clube a substituir o técnico Geninho, que não havia acertado sua renovação de contrato. Pegou o auge de um grande time do Botafogo que contava com Didi, Nilton Santos, Zagallo e o craque das pernas tortas, Garrincha.

Ficou pouco tempo no comando da equipe, deixando o cargo em 1959. Não gostava das limitações que se impunha sobre uma equipe como concentração e excursões. Virou comentarista esportivo.

Em fevereiro de 1969 foi convidado a assumir a seleção brasileira que disputaria a Copa do Mundo do México, no ano seguinte. Montou uma equipe onde craques como Pelé, Tostão, Gérson e Rivelino tinham liberdade para jogar. Foi demitido 13 meses depois. Se envolveu em uma briga com Médici, em especial após a insistência do presidente pedir para levar Dadá Maravilha. Disse para a imprensa: “Quando ele formou o Ministério não me pediu opinião. Por isso não quero a opinião dele na hora de eu formar o meu time”. Afirmou depois que o General não aguentava mesmo é ver um comunista à frente da seleção.

Viu seu time ganhar o Mundial com seu ex-comandando nos tempos de Botafogo, Zagallo, como técnico. Voltou ao cargo de comentarista, exercendo como poucos a função.  Mais do que criticar técnicos e jogadores por esquemas táticos confusões ou falta de habilidade na hora de chutar a bola, Saldanha colocava sua veia política a favor do futebol. Passou a atacar a corrupção nos clubes e nas federações.

Colecionou durante anos diversas histórias que não se negava a contar nas rodas de boêmios nos bares cariocas. De temperamento explosivo, chegou a correr armado atrás do goleiro Manga que o acusou de “gaveteiro”. Armado também ameaçou um farmacêutico que recusou-se a atender sua empregada.

Escreveu três livros onde relatava alguns fatos curiosos sobre sua trajetória no esporte: “Meus amigos...”, “Os subterrâneos do futebol” e “Futebol e outras histórias”.

Durante a Copa de 90 se tornou um grande crítico do esquema proposto por Paulo César Carpegiani. Foi para a Itália com a saúde já debilitada, contrariando uma decisão médica. Demonstrava durante as transmissões na TV Manchete dificuldade para falar e para respirar. Assistiu chateado a eliminação brasileira para a Argentina. Comentando Itália x Argentina, no dia 03 de julho começou a se sentir mal e foi levado para o hospital. Morreu vítima de insuficiência respiratória aguda. Afirmava que se tivesse que morrer que fosse durante um mundial. Dizem que morreu de desgosto já que aquele Brasil apresentou um futebol feio e pragmático, tudo que Saldanha odiava. Foi casado quatro vezes e deixou quatro filhos Vera, Sônia, Ruth e Joãozinho.

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