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Joaquim Cruz

Joaquim Cruz
12/3/1963, Taguatinga (DF)

Foi o primeiro atleta do Brasil a conquistar uma medalha olímpica após Adhemar Ferreira da Silva. Desde de pequeno gostava de ser discreto. Jogava bola e corria descalço, devido à pobreza da família. Seu pai, carpinteiro, se mudou para a região para trabalhar na construção de Brasília e acabou ficando por lá.

Com 1,90m começou jogando basquete, convidado pelo técnico Luiz Alberto de Oliveira que o chamou após vê-lo jogando futebol no Centro Educacional do Sesi. Foi convencido por ele também que seu futuro estava no atletismo e passou a se dedicar ao esporte.

Quatro anos mais tarde o resultado da aposta deu resultado. Com apenas 15 anos, ganhava os 400 e os 800m no Brasileiro de Menores e no Sul-americano do Uruguai. A capacidade do jovem para o atletismo ficava mais evidente a cada prova vencida. Em 1978 ganhou o ouro nos 1.500m do Mundial de Menores. No ano seguinte ficou no lugar mais alto do pódio após vencer o Sul-americano da Bolívia e o Mundial Juvenil em Turim. Em 80 foi campeão no Mundial de Menores no Canadá. Bateu o recorde mundial juvenil em 1981 fazendo 1m44s3 no Troféu Brasil de Atletismo.

Inseparável do técnico foi para os Estados Unidos em setembro do mesmo ano, acompanhando Luiz Alberto em um convite da Universidade Brigham Young. Mesmo com dificuldade para se adaptar ao país e a língua, conseguiu entrar e ser aprovado nos cursos de Educação Física e Biologia, ao mesmo tempo que usufruía do centro de treinamento do campus e se desenvolvia como atleta.

O resultado viria três anos depois. Classificou-se para a Olimpíada de Los Angeles ainda como um desconhecido que competiria em duas provas: 800m e 1.500m. Chegou a competição tendo como resultado mais significativo na carreira uma medalha de bronze nos 800m obtida no Mundial de Atletismo de Helsinque, disputado em 1983. Na primeira prova teve pela frente nomes como o recordista mundial de então, o inglês Sebastian Coe e seu compatriota e vencedor dos últimos jogos, Steve Ovett. Acabou superando-os com o tempo de 1m43, batendo o recorde olímpico.

Não competiu nos 1.500m devido a uma gripe. Mas não ficaria sem uma medalha importante nessa prova. Três anos depois venceria nos Jogos Pan-americanos de Indianápolis, com o tempo de 3min47.

Um ano depois voltaria aos jogos Olímpicos, desde vez realizados em Seul. Liderou grande parte da prova decisiva, mas acabou superado pelo queniano Paul Ereng, ficando com a medalha de prata nos 800m rasos.

A partir daí viveu uma constante guerra contra as contusões. Desde 1982 quando teve problema no talo ravicular do pé direito Cruz sofria com elas, fazendo diversas cirurgias. Já havia perdido a temporada de 1986 e logo após a Olimpíada ficou sem competir em 89 e 91.

O maior problema devido as lesões foi em 1992, quando um machucado no tendão de aquiles do pé direito o deixou de fora da Olimpíada de Barcelona, mesmo após um intenso treinamento visando a recuperação.

Sua última grande vitória em competição foi no Pan-americano de Mar del Plata, onde decidiu participar da prova de 1.500m rasos. Superando os problemas físicos, acabou dominando a prova, cruzou a linha de chegada com o tempo de 3min40s26, deixando para trás o norte-americano Terrance Herrington. De quebra marcou um novo recorde na competição.

Participou ainda dos jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, quando foi escolhido com porta-bandeira da delegação brasileira na cerimônia de abertura. Acabou não conseguindo se classificar para as semifinais dos 1.500m e decidiu encerrar sua carreira aos 32 anos. Sua despedida foi no Troféu Brasil de 97, onde participou simbolicamente do aquecimento devido a uma contusão na panturrilha esquerda.

Se tornou treinador de atletismo nos Estados Unidos, local onde continuou morando. Foi treinador da equipe americana no Parapan-Americano de 2007 no Rio de Janeiro e nos Jogos Paraolímpicos de 2008 em Pequim. Dedica-se também a incentivar o esporte em sua cidade natal ajudando crianças carentes a praticar o esporte.

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