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José de Alencar

José Martiniano de Alencar
1/5/1829, Messejana (CE) – 12/12/1877, Rio de Janeiro (RJ)

O “patriarca da literatura brasileira”, como é conhecido, já na infância lia antigos romances com a mãe e as tias, e mantinha contato com os sentimentos nativistas transmitidos pelo pai revolucionário. Filho do senador José Martiniano de Alencar e de Ana Josefina de Alencar, o romancista transferiu-se para o Rio de Janeiro com a família em 1830 e ali frequentou o Colégio de Instrução Elementar. No final da década de 1840, uma viagem pelo sertão nordestino lhe dá inspiração, ainda menino, para o retrato da natureza que imprimirá posteriormente em seus grandes romances.

José de Alencar vai posteriormente a São Paulo, onde conclui os estudos preparatórios e ingressa na Faculdade de Direito. Nesse período funda a revista "Ensaios Literários", onde publica diversos artigos. Após frequentar durante um ano a Faculdade de Olinda, retorna à São Paulo e se forma em Direito, em 1851. No mesmo ano, retorna ao Rio de Janeiro e passa a advogar na Corte. Nesse período tem início sua colaboração para diversos jornais da época. Escreve no Correio Mercantil, a convite do colega de faculdade Francisco Otaviano de Almeida Rosa, e também no Jornal do Commercio. É nesse mesmo jornal que passa a escrever folhetins que, posteriormente, reúne na obra "Ao correr da Pena" (1874).

Em 1855, Alencar torna-se redator-chefe do Diário do Rio de Janeiro. No ano seguinte, sob um pseudônimo no Diário, o romancista começa a fazer críticas sistemáticas ao poema épico "Confederação dos Tamoios" (1856), de Gonçalves de Magalhães, protegido de D. Pedro II. A polêmica envolveu até mesmo o Imperador, que escreveu um artigo no Jornal do Commercio defendendo a obra, por meio do pseudônimo “Outro amigo do poeta”. Neste mesmo ano, publica o romance "Cinco Minutos".

Em 1857, publica, em folhetins no Diário do Rio de Janeiro, sua mais conhecida obra: "O Guarani". O romance foi publicado em livro no mesmo ano e torna-se um grande êxito literário no país.  Já agora um aclamado romancista, Alencar escreve também peças de teatro, estreando com a comédia "O Demônio Familiar". Nesse período também envereda pela política. Filia-se ao Partido Consevador, chegando a ser eleito diversas vezes deputado geral pelo Ceará. Em novembro de 1865, o político Alencar publica suas "Cartas de Erasmo", dirigidas a D. Pedro II: trata-se de uma série de epístolas nas quais exaltava a figura do Imperador. Em julho de 1868, durante a Guerra do Paraguai, é nomeado Ministro da Justiça e exerce a função até janeiro de 1870.  José de Alencar é eleito em primeiro lugar numa lista sêxtupla para o cargo de Senador pelo Ceará. No entanto, não chega a ser nomeado por D. Pedro II, que escolhe Jaguaribe e Figueira de Melo para exercerem o cargo. Foi um grande golpe na carreira política do escritor.        

Paralelamente à sua atuação política, mantém constante produção literária, escrevendo romances urbanos, históricos e regionais, poesias, crônicas, ensaios, obras teatrais, escritos políticos e estudos filológicos. Suas obras "Iracema" (1865) e "Ubirajara" (1874) formam, ao lado de "O Guarani", a trilogia indianista que caracteriza o nacionalismo romântico de Alencar e o movimento do indianismo na literatura brasileira do século XIX exaltando a natureza tropical e exuberante, e a apropriação da tradição indígena na prosa, a exemplo do que Gonçalves Dias fizera na poesia. Seu romance "Iracema" é elogiado de forma calorosa por Machado de Assis num artigo no Diário do Rio de Janeiro. A alegria proporcionada por essa crítica é tratada por Alencar na obra "Como e Porque Sou Romancista" (1873), na qual o escritor também apresenta sua poética.

José de Alencar manteve uma produção literária intensa, especialmente por ter falecido tão precocemente, aos 48 anos de idade, de tuberculose. Seu último romance publicado em vida foi "Senhora" (1875). Machado de Assis homenageou o escritor em 1897, quando da fundação da Academia Brasileira de Letras, nomeando-o patrono da Cadeira de número 23.

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