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José Saramago

José de Sousa Saramago
16/11/1922, Azinhaga (Portugal) – 18/6/2010, Ilhas Canárias (Espanha)

Nascido numa família humilde de camponeses num vilarejo da província portuguesa do Ribatejo, nunca frequentou a universidade. Aos dois anos de idade, muda-se com a família para Lisboa, onde o pai, jornaleiro, trabalhará na Polícia de Segurança Pública, e ali faz o ensino primário. O contato com o vilarejo é constante durante toda a infância e adolescência, onde passa longos períodos com os avós maternos. Em 1932, inicia os estudos secundários no Liceu Gil Vicente, mas é obrigado a transferir-se para a Escola Industrial de Afonso Domingues três anos mais tarde, por falta de recursos financeiros da família para mantê-lo estudando no liceu. Ao concluir o curso de Serralheria Mecânica na Escola Industrial, em 1940, consegue o primeiro emprego nas oficinas dos Hospitais Civis de Lisboa. Nessa época, começa a frequentar a biblioteca municipal do Palácio das Galveias, lendo obras ao acaso.

Durante as décadas de 1940 e 1950, paralelamente às suas atividades como funcionário público, escreve numerosos contos e poemas, alguns dos quais publicados em jornais e revistas. Seu primeiro romance, "Terra do Pecado", é publicado em 1947. Em 1953 termina "Claraboia", romance que permaneceu inédito durante mais de cinquenta anos, tendo sido publicado somente em 2011. Nessa época, o autodidata começa a traduzir escritores como Tolstoi e Baudelaire. Abandona o funcionalismo público para exercer exclusivamente essa função na editora Estúdios Cor. A atividade resulta em mais de sessenta títulos traduzidos por ele até meados da década de 1980.

Seu primeiro livro de poesia, "Os Poemas Possíveis", é publicado em 1966. No final da década de 1960 começa a colaborar na revista Seara Nova, escrevendo crítica literária de mais de vinte livros de ficção, e publica crônicas no jornal A Capital, posteriormente reunidas no livro "Deste Mundo e do Outro" (1971). A primeira viagem internacional do escritor é com destino a Paris, em 1969, mesmo ano em que se filia ao Partido Comunista Português. No ano seguinte, divorcia-se da pintora Ilda Reis, com quem fora casado durante mais de 25 anos e com quem tinha uma filha, Violante, e inicia um relacionamento com a escritora Isabel da Nóbrega.

O início da década de 1970 é de intensa colaboração em jornais. Publica crônicas no Jornal do Fundão, trabalha como editorialista e diretor do suplemento literário do Diário de Lisboa, escreve para a revista Arquitectura, e se torna diretor adjunto do Diário de Notícias, publicando crônicas reunidas posteriormente no livro "Apontamentos" (1976). Após viver um momento conturbado entre 1974 e 1975, durante a evolução política da Revolução do 25 de Abril, passa a se dedicar exclusivamente à escrita e às traduções.

O livro que inaugura sua fase literária madura é "Levantado do Chão" (1980), pelo qual recebe diversos prêmios. Seu reconhecimento internacional veio em 1982, com a publicação do romance "Memorial do Convento". Saramago é também premiado pela obra "O ano da morte de Ricardo Reis" (1985). Nesse período, seus romances problematizam a interpretação da história oficial: caso de "A Jangada de Pedra" (1986), "História do Cerco de Lisboa" (1989), e de seu livro mais polêmico, "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (1991). Publica também peças de teatro, das quais a mais famosa é "In Nomine Dei" (1993). Após o casamento com a jornalista Pilar del Río, em 1988, passa a dividir seu tempo entre a residência habitual em Lisboa e a ilha de Lanzarote, no arquipélago das Ilhas Canárias, na Espanha.

Os anos posteriores dão início aos romances cujos enredos se desvinculam de locais ou épocas historicamente determinados: Ensaio "Sobre a Cegueira" (1995), adaptado para o cinema em 2008; "Todos os Nomes" (1997); "A Caverna" (2001); "O Homem Duplicado" (2002); "Ensaio Sobre a Lucidez" (2004); e "As Intermitências da Morte" (2005). Agraciado com o Prêmio Camões em 1995 e com o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, recebe o título de Doutor Honoris Causa de diversas universidades europeias e sul-americanas.

Nos últimos anos de vida, publica ainda "As Pequenas Memórias" (2006) e "A viagem do Elefante" (2009). José Saramago morreu aos 87 anos, vítima de leucemia crônica e complicações respiratórias. Por todo o seu legado, é considerado um dos mais importantes escritores da atualidade.

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