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Júlio Prestes

Júlio Prestes de Albuquerque
15/3/1882, Itapetininga (SP) – 9/21946, São Paulo (SP)

Filho do coronel Fernando Prestes de Albuquerque e de Olímpia Santana Prestes, Prestes Maia realizou os estudos primários em Itapetininga e os secundários no Ginásio do Estado, na cidade de São Paulo. Seu pai, membro do Partido Republicano Paulista (PRP), fora presidente do Estado de São Paulo de 1898 a 1900, e vice-presidente entre 1908 e 1912 e de 1924 a 1927.

Ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo em 1901, tornou-se bacharel em 1906. Atuou como advogado nos três anos seguintes e, em 1909, foi eleito deputado estadual pelo PRP. Foi reeleito para mais quatro legislaturas, permanecendo no cargo até 1923. Nessa ocasião, presidiu a Comissão de Finanças da Câmara Paulista. Apresentou projetos polêmicos, como uma lei que autorizava o governo a rescindir do contrato com a Sorocabana Railway Company. A despeito da forte oposição ao projeto, ele foi aprovado, de forma que a estrada de ferro retornou às mãos do Estado de São Paulo. Também propôs as leis que criaram o Tribunal de Contas de São Paulo e os Tribunais Rurais do Estado, além de ter proposto o aumento do funcionalismo público estadual e a construção de estradas e escolas profissionais.

Em 1924, foi eleito deputado federal do PRP pelo estado de São Paulo. Também foi escolhido líder da bancada paulista na Câmara Federal e, na mesma época, aliou-se às forças governistas contra a rebelião tenentistas de 1924. Ao lado do pai, ajudou a organizar a repressão aos revoltosos por meio da formação dos “batalhões patrióticos”, corpos militares voluntários. Foi presidente da Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados em 1926 e 1927. Em 1926, também assumiu a liderança da maioria governista na Câmara, e apresentou ao Congresso a Lei de Reforma Monetária.

Em 1927, faleceu o presidente de São Paulo, Carlos de Campos. O vice-presidente, pai de Prestes, negou-se a assumir a presidência do estado, cabendo ao presidente do Senado estadual realizar novas eleições para a função. No dia 14 de julho de 1927, Prestes foi empossado presidente do Estado. Em seu governo, construiu a linha Mairinque-Santos, ampliou as obras da estrada de ferro Sorocabana e organizou o Instituto de Defesa Agrícola e Animal. Também foi responsável pela criação da Secretaria de Viação e Obras Públicas e por vultuosos empréstimos realizados em bancos ingleses e norte-americanos. Formulou e encaminhou ao legislativo estadual o Código Comercial, o Código de Processo Civil e a reforma judiciária do estado.

Em 1929, foi indicado candidato à presidência da república por Washington Luís, na legenda do PRP. Com efeito, Júlio Prestes era um grande amigo de Washington Luís, e era visto pelos governistas como um político habilidoso. O presidente consultou 20 governadores de estado antes de apresentar a candidatura de Prestes, e obteve o apoio da grande maioria deles. No entanto, o país passava por um período de grave crise econômica em decorrência da quebra da bolsa americana em 1929. E a política econômica do governo de manter a taxa de câmbio fixa era vista como desastrosa por boa parte dos cafeicultores paulistas, embora estes fossem tradicionais defensores do PRP. Surgiu, por conseguinte, um forte movimento oposicionista no Estado de São Paulo, que considerava Prestes como um potencial continuador da política econômica oficial.

A candidatura de Prestes também era vista por muitos estados influentes como uma afronta à política do café com leite. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, coligados na Aliança Liberal, lançariam Getúlio Vargas como candidato da oposição. As eleições do dia primeiro de março de 1930 deram vitória a Prestes, que recebeu cerca 1.100.000 votos. Ele foi recebido como presidente nos Estados Unidos e na França e aclamado em celebrações oficiais. A oposição, contudo, alegou que as eleições eram fraudadas e articulou um movimento militar contra a posse de Prestes. No dia 24 de outubro de 1930, Washington Luís foi deposto e Júlio Prestes pediu asilou ao consulado Britânico, rejeitando qualquer tentativa de resistência armada. Mais tarde, exilou-se na Europa.

Regressou ao Brasil em 1934, mudando-se para Itapetininga e passando a cuidar dos negócios de sua fazenda de algodão. Poucos anos antes de sua morte, ajudou a fundar a União Democrática Nacional (UDN).

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