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Kafka

Franz Kafka
3/7/1883, Praga (República Theca) – 3/6/1924, Klosterneuburg (Áustria)

O escritor de origem austro-húngara e ascendência judaica foi o primogênito de seis crianças e passou sua infância entre o bairro alemão e o gueto na cidade de Praga, capital da Boêmia. Estudou no liceu alemão da cidade e recebeu a influência simultânea de três culturas: a judaica, a tcheca e a alemã. Manteve uma relação conturbada com o pai, o empresário Hermann Kafka e, tendo visto os dois irmãos morrerem cedo, cresceu solitário, tímido e inseguro, sob o peso das exigências paternas. Todas as suas obras foram escritas em alemão, embora fosse também fluente em tcheco. Posteriormente, aprende também o francês, idioma de um de seus autores preferidos, Gustave Flaubert.   

Admitido na Universidade de Praga, ingressou inicialmente no curso de Química, mas mudou para o Direito em apenas duas semanas. Nessa época conhece o futuro romancista Max Brod, que se tornaria seu grande amigo, testamenteiro literário e biógrafo. Em julho de 1906, recebe o título de doutor em Direito e passa a trabalhar durante um ano em estágio obrigatório nos tribunais. Ainda em Praga, trabalhou no Instituto de Seguros contra Acidentes do Trabalho para o Reino da Bohemia, de 1908 a 1917. Os anos como burocrata constituíram o arsenal de experiências que lhe serviu de matéria-prima para os seus principais romances.

A década de 1910 é época das mais produtivas de sua vida: escreve, numa só noite, "O Julgamento" (1912), e inicia em seguida o primeiro de seus três grandes romances, América. Publica uma coletânea de esboços em prosa, "Contemplação" (1913), e o "O Foguista" (1913), cujos fragmentos irão posteriormente integrar o romance "América". Em 1914, começa a escrever "A Colônia Penal" (1919) e "O Processo", obra que começa a redigir no início da Primeira Guerra Mundial e que abandona definitivamente em janeiro de 1915. É desse período também sua obra-prima "A Metamorfose", publicada pela primeira vez naquele ano.

Ao lado dos amigos escritores Max Brod e Felix Weltsch, compõe o pequeno círculo de escritores judaico-alemães que contribuíram para a florescência cultural de Praga na virada do século XIX até a Primeira Guerra Mundial. Mesmo não frequentando os círculos literários de sua época, mantinha contato com grandes gênios modernos: o físico Albert Einstein, o músico César Franck, o filósofo Edmond Husserl.

É por meio de Max Brod também que Kafka conhece a berlinense Felice Bauer, com quem mantém extensa troca de correspondências durante cinco anos e chega a se tornar noivo em duas ocasiões, sem porém nunca ter se casado. É na época em que rompe definitivamente o relacionamento com Felice que o escritor começa a sofrer com a tuberculose, doença que o levaria à morte sete anos mais tarde. O escritor também se envolveu com a jornalista e escritora Milena Jsenska, que era casada, e no último ano de sua vida, morando em Berlim, manteve um relacionamento com Dora Dumant, proveniente de uma família de judeus ortodoxos.

O judeu em país cristão, escritor numa família hostil à arte, que escrevia alemão na capital tcheca, era a reunião dos paradoxos. Seus personagens vivem situações limite e se angustiam diante do absurdo da existência. Sua obra reflete a desumanização do homem e as contradições do mundo moderno e das atmosferas opressivas.

O reconhecimento internacional de Franz Kafka, considerado “o pai da literatura moderna” pelo filósofo Jean Paul-Sartre, ocorreu somente após a sua morte.  A maioria de seus escritos, incluindo trabalhos inacabados, foi publicada postumamente. O amigo Max Brod, contrariando as disposições do escritor, salvou os manuscritos destinados à destruição, deixando como legado obras inestimáveis da prosa universal como "O processo" (1925), "O castelo" (1926), "América" (1927) e "Diários" (1948), que o levaram a ser considerado, ao lado de James Joyce e Marcel Proust, um dos maiores escritores do século XX.

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