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Lévi Strauss

Claude Lévi-Strauss
28/11/1908, Bruxelas (Bélgica) - 1/11/2009, Paris (França)

Natural de Bruxelas, era filho de Raymond Lévi-Strauss e Emma Levy, franceses de ascendência judaica. Concluiu os estudos secundários em Paris, no Liceu Janson de Sailly. Ainda jovem, conheceu o pensamento socialista e marxista, aderindo às propostas de esquerda. Foi secretário do “Grupo de Estudos Socialistas das Cinco Escolas Normais Superiores” e secretário geral da federação dos Estudantes Socialistas. Em 1932, foi candidato socialista às eleições de Mont-de-Marsan, tendo se casado com Dina Dreyfus no mesmo ano. Estudou na Faculdade de Direito de Paris e prosseguiu os estudos na Sorbonne, obtendo agregação (concurso nacional francês para recrutamento de docentes) em filosofia em 1931. Trabalhou como professor de liceu em Mont-de-Marsan por dois anos.

Em 1935, Lévi-Strauss se interessou pela etnologia e partiu para assumir uma cadeira de professor de sociologia na Universidade de São Paulo. No Brasil, Lévi-Strauss realizou seus primeiros trabalhos de campo, participando de diversas incursões científicas na Amazônia e no Mato grosso, e publicou sua primeira obra antropológica, sobre os índios bororo, em 1936. Permaneceu sendo professor no Brasil até 1938 e, no ano seguinte, partiu para a França para auxiliá-la nos esforços militares da segunda guerra mundial. Com o estabelecimento do estado fascista francês de Vichy, contudo, o jovem antropólogo é obrigado a se exilar nos Estados Unidos. No exterior, atua primeiro como colaborador da organização França Livre, um movimento externo de resistência, e depois é contratado para dar aulas na New School for Social Research. Na América do Norte, entrou em contanto com a antropologia de Franz Boas, Lowie, Ruth Benedict, Ralph Linton e conheceu Roman Jakobson, cuja linguística estruturalista marcaria fortemente sua teoria antropológica.

Em 1942, o antropólogo Franz Boas morreu de um ataque cardíaco enquanto jantava com Lévi-Strauss, episódio marcante da biografia do antropólogo francês. Entre 1946 e 1947, foi adido cultural da embaixada francesa em Washington e, em 1948, ele retornou à Paris. No mesmo ano, ele adquiriu seu doutorado em literatura pela Sorbonne ao publicar duas teses acadêmicas, “As Estruturas Elementares do Parentesco” e “Família e vida social dos índios Nambikwara”. Sua obra foi rapidamente reconhecida como uma das mais importantes publicações antropológicas sobre parentesco. Entre o final da década de 40 e o final da década de 50, Lévi-Strauss obteve considerável sucesso profissional e acadêmico, tendo se envolvido na administração do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França e se tornado subdiretor do Museu do Homem. Depois, assumiu uma cadeira na quinta seção da École Pratique des Hautes Études, referente a ciências da religião, que havia sido ocupada anteriormente por Marcel Mauss.

Em 1955, torna-se um dos mais importantes intelectuais franceses ao publicar a obra “Tristes trópicos”, um relato de suas experiências etnográficas obtidas no Brasil no final da década de 1930. Quatro anos depois, o intelectual francês foi nomeado para uma cadeira de Antropologia Social no Collège de France. Na mesma época, publicou um conjunto de ensaios chamado “Antropologia Estrutural”, afirmando-se como um dos principais expoentes da teoria estruturalista nas ciências sociais. Em 1962, publicou outra de suas obras mais importantes, “O Pensamento Selvagem”, na qual analisava as estruturas elementares do pensamento. Em 1971, Lévi-Strauss publicou o último volume de um conjunto de quatro obras antropológicas, “Mitológicas”.

Em 1973, recebeu o prêmio Erasmus e, no mesmo ano, foi eleito membro da Academia Francesa. Foi o primeiro membro dessa instituição a completar 100 anos, mas morreu pouco depois, no dia 30 de outubro de 2009. Recebeu outras homenagens, como a Grã-Cruz da Legião de Honra e a Ordem Nacional do Mérito francesas. Sua defesa de que o homem “primitivo” e o homem civilizados possuem as mesmas estruturas de pensamento foi extremamente influente para a formação da antropologia moderna.

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