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Lima Barreto

Afonso Henriques de Lima Barreto
13/5/1881 - Rio de Janeiro (RJ) - 1/11/1922, Rio de Janeiro (RJ)

Conhecido pelo nome de família , obteve fama, tanto pela excelência literária quanto pela sua biografia trágica. Nascido mulato, filho de almoxarife, numa época que ainda estava para assistir à abolição da escravatura (1888), Lima Barreto sofreu com o racismo e a discriminação durante toda sua vida. Sua infância foi marcada pela morte precoce da mãe, tuberculosa, em 1887. Estudou no célebre Colégio Pedro II e, em 1897, tornou-se aluno da Escola Politécnica.

Em 1902, o pai, João Henriques, enlouquece, obrigando o jovem Afonso Henriques a assumir pesadas responsabilidades em casa. Nessa época, devido a dificuldades financeiras, inscreve-se para um concurso de copista.  Após se tornar funcionário público, passa a escrever seus primeiros romances. A publicação das "Recordações do Escrivão Isaías Caminha" em 1909 foi, além de uma estreia literária, uma amarga desilusão. A obra, cuja temática era suficientemente incômoda para o meio jornalístico, não apenas custou a sair no papel, como foi quase inteiramente ignorada pela crítica.

Em 1911, o autor publica, em folhetins do Jornal do Comércio , "Triste Fim de Policarpo Quaresma" obra que, após sua publicação final em 1915, é reconhecida e recebe uma elogiosa opinião do jornal O Estado de S. Paulo. Em seguida, publica "Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá". Na mesma época, seu estado de saúde começa a se deteriorar devido ao consumo excessivo de álcool. Mais tarde, a sanidade mental de Barreto também declina, levando-o a ser internado em um hospício. Ao sair do hospício, publica "Numa e Ninfa" (1915). Entre 1915 e 1919, engaja-se   em uma intensa atividade profissional, publicando textos jornalísticos em diversos periódicos, além de obras literárias. Em 1919, volta a ter alucinações e retorna ao hospício.

Esgotado, no limiar da saúde e tremendamente infeliz, abandona o hospício pouco tempo depois. Nesse período, já era reconhecido como um dos mais importantes escritores brasileiros de sua época. No período que se segue a 1920, publica seus cinco livros finais: "Histórias e Sonhos", "Feiras e Mafuás", "Marginália", "Bagatelas" e "Clara dos Anjos". Embora tentasse com todas as forças se livrar do vício alcoólico, não conseguiu superá-lo, tendo morrido precocemente em novembro de 1922.

Politicamente polêmico, o escritor mulato também ficou famoso por seu antimilitarismo, sua vida irreverente, sua obra rebelde e libertária, sua relação ambígua com o feminismo e sua religiosidade complexa. Em 1914, no Correio da Noite, posicionou-se contra o serviço militar obrigatório - então uma bandeira do parnasiano Olavo Bilac -, pois não concebia uma associação entre guerra e civilização. Também afirmou que o Brasil não deveria participar da Primeira Guerra Mundial quando esta estourou. Opositor do regime monárquico, ele nem por isso amava a república - esta marcara-lhe desde cedo, já que fora responsável pela demissão do pai na Imprensa Nacional. Ao contrário de muitos brasileiros, detestava futebol e cinema. Não era propriamente católico, mas também jamais se declarou ateu. Detestava o militarismo alemão, mas também o segregacionismo e o imperialismo norte-americanos. Assumiu uma posição conservadora diante do feminismo. Na época em que Rui Barbosa e Hermes da Fonseca se enfrentaram nas urnas, opondo civilismo e militarismo, o escritor optou pelo primeiro.

Sua literatura foi influenciada pelos clássicos russos, pelo realismo francês de Stendhal e Flaubert, bem como pelo estilo irreverente de Eça de Queirós. Criou a personagem Policarpo Quaresma, um patriota otimista e ingênuo que, decidido a fazer tudo pela nação, dedica sua vida inteira a amar, servir e conhecer o Brasil; acaba, contudo, desgraçado nas mãos desta pátria que tanto amara. Uma verdadeira projeção autobiográfica, nas páginas finais de Quaresma são um grande lamento diante da vida perdida: "A sua vida era uma decepção, uma série, melhor, um encadeamento de decepções...". Em relação às "Recordações do Escrivão Isaías Caminha" e à "Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá", alegou-se que elas instauraram o "negrismo" na literatura brasileira, uma espécie de autoconsciência do negro e do mulato acerca de sua situação social.

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