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Lucio Costa

Lucio Marçal Ferreira Ribeiro Lima Costa
27/2/1902, Toulon (França) – 13/6/1998, Rio de Janeiro (RJ)

Nasceu na França, país no qual o pai, o engenheiro Joaquim Ribeiro Costa,  atuava em uma missão oficial do governo brasileiro. Regressou ao Brasil pouco depois do nascimento, tendo permanecido no País até 1910. Mais tarde, retornou com a família à Europa, onde se instalou por seis anos. Realizou os primeiros estudos na Royal Grammar School, em New-castle-on-Tyne (Inglaterra), e no Collège National, em Montreux (Suíça). Retornou ao Brasil definitivamente aos 15 anos, tendo se matriculado na Escola Nacional de Belas Artes em 1917. Em 1922, formou-se em arquitetura e abriu seu primeiro escritório. Nessa época, construiu seu primeiro projeto no Rio de Janeiro, a Casa Rodolfo Chambelland. Em 1924, realizou estudos sobre a arquitetura colonial e, entre 1926 e 1927, ajudou a revalorizar esse estilo arquitetônico.

No final da década de 1920, após conhecer as obras de Le Corbusier, Gropius e Mies van der Rohe, tornou-se adepto da estética modernista. Em 1928, casou-se com Julieta Guimarães Costa, com quem teve duas filhas. Em 1930, publicou sua primeira obra, “Razões de nova arquitetura”. Foi nomeado diretor da Escola Nacional de Belas-Artes após o movimento político militar de 1930. Também acabou responsável pela reformulação do Salão Nacional de Belas Artes, tendo convidado Anita Malfati e Manuel Bandeira para o júri. O evento foi marcado pela revelação de grandes nomes do modernismo nacional, como Di Cavalcanti, Cândido Portinari, Tarsila do Amaral e Cícero Dias. As reformas efetuadas por Lucio, contudo, foram mal vistas por professores  conservadores. Sob pressão, o jovem arquiteto abandonou o cargo, o que resultou em uma greve de estudantes de cerca de um ano.

Em 1935, a convite de Gustavo Capanema, elaborou um projeto para a construção do edifício do então Ministério da Educação e Saúde. Em 1936, conseguiu convencer Le Corbusier, um dos maiores expoentes do modernismo francês, a vir ao Brasil como consultor para o projeto da sede do Ministério. Em 1937, após elaborar alguns projetos no Rio de Janeiro, passou a atuar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN).

Em 1939, venceu o concurso para a construção do "Pavilhão Brasil" na Feira Mundial de Nova Iorque, tendo convidado Oscar Niemeyer para trabalhar a seu lado. Em 1950, elaborou o projeto da "Casa do Brasil", em Paris. Perdeu a esposa em 1954, após um acidente de automóvel pelo qual se considerava  responsável. Em 1957, venceu o concurso para realizar o Plano Piloto para a construção de Brasília. O concurso fora realizado pelo departamento de arquitetura da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), cujo diretor era Oscar Niemeyer. A partir de então, Costa se tornou conhecido internacionalmente, e suas construções, características por seu estilo moderno e funcional, tornaram-se alvo de críticas elogios. Em 1959, publicou “A crise da arte contemporânea”. No ano seguinte, recebeu o título de professor "honoris causa" da Universidade de Harvard. Em 1964, chefiou a equipe responsável pelos projetos de recuperação de Florença, cidade italiana prejudicada por uma inundação.

Em 1969,  elaborou o plano diretor da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O planejamento proposto por Costa tomaria 50 anos ou mais, mas foi desrespeitado pela caótica ocupação do bairro nos anos 1980. Em seus últimos anos, militou contra o projeto da Prefeitura do Rio de colocar grades no Parque Guinle, no que foi bem sucedido. Também tentou evitar, sem sucesso, a demolição de uma casa do Botafogo, projetada por Niemeyer em 1969, que seria substituída por um conjunto de apartamentos. Em 1987, publicou o trabalho “Brasília Revisitada”, no qual expunha as quatro escalas a partir das quais o projeto de Brasília havia sido concebido.

Publicou, entre outras obras, “Lucio Costa: Registro de uma Vivência”, “O Aleijadinho e a Arquitetura Tradicional”, “Arquitetura Jesuítica no Brasil” e “Notas sobre a Evolução do Mobiliário Brasileiro.” Foi homenageado com a Legião de Honra da França e o Prêmio português Calouste Gulbenkian.

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