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Manabu Mabe

Manabu Mabe 
14/9/24, Kumamoto (Japão) - 22/9/97, São Paulo (SP)

O Pai se chamava Soichi Mabe e no Japão trabalhou inicialmente como ferroviário e posteriormente barbeiro, já sua mãe era agricultora. A família Mabe era composta de sete filhos, sendo Manabu o mais velho e em seguida Satoru, Michiko, Hitoko, Yoshiko e Sunao, estes dois últimos nascidos no Brasil.

Após o falecimento do pai imigrou para o Brasil em 1934, então com dez anos de idade, a bordo do Navio La Plata Maru. Ao chegar no interior paulista começa a trabalhar em plantações de café na cidade de Lins. Tem uma infância pobre, mesmo assim graças a um ateliê improvisado consegue terminar os primeiros quadros, em geral de natureza-morta e paisagens.

Ainda na cidade de Lins, aprende a preparar a tela e a diluir tintas com o pintor e fotógrafo Teisuke Kumasaka. No fim da década de 1940, em São Paulo, e  apelidado de "o samurai da pintura", conhece o artista Tomoo Handa, a quem apresenta seus trabalhos. Em São Paulo, integra o Grupo Seibi e participa das reuniões de estudos do Grupo 15.

Em 1948 realiza a primeira exposição individual na qual mescla a caligrafia oriental com a pintura feita com manchas. No ano seguinte participa do Salão Nacional de Arte Moderna no Rio de Janeiro. Os anos 50 marcam de fato o início de sua participação na arte brasileira. Envia obras aos principais Salões, como o Salão Nacional do Rio de Janeiro, Salão Paulista e as 2ª e 3ª Bienais de São Paulo.

Ganha em 1953, o prêmio de pintura, na segunda Bienal Internacional de São Paulo. Participa em 1956 da Bienal de Arte do Japão e, em 1959, obtém o prêmio de melhor pintor nacional da quinta Bienal de São Paulo, além de ser o destaque internacional na Bienal de Paris. Em 1960 viaja pela primeira vez ao exterior, onde no Uruguai realiza a primeira exposição individual, em Montevidéu.  No ano seguinte vai aos Estados Unidos e Europa. Em 1962, permanece oito meses na Europa, no que chama de viagem cultural.

Teve um grande prejuízo quando no dia 30 de janeiro de 1979, após a queda de um Boeing 707-323 da Varig, cerca de 153 obras avaliadas em mais de US$ 1,24 milhão desapareceram. Nada foi encontrado, nem destroços ou corpos. Algumas das obras foram refeitas posteriormente pelo pintor.

Nos anos 1980, pinta um painel para a Pan American Union em Washington, Estados Unidos; ilustra "O Livro de Hai-Kais", tradução de Olga Salvary e edição de Massao Ohno e Roswitha Kempf; e elabora a cortina de fundo do Teatro Provincial, em Kumamoto, Japão.

Lançou em 1986, durante uma retrospectiva no Museu de Artre de São Paulo um livro com 156 reproduções de seu trabalho. Escreve, em 1995, a autobiografia "Chove no Cafezal", em japonês, cujo texto original foi publicado em capítulos semanais no jornal Nihon Keizai Shinbum, de Kumamoto, sua região natal.

Diabético, morreu aos 73 anos, no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, vítima de uma infecção generalizada resultante de complicações causadas por um transplante de rim (1996), quando tentava se recuperar da extração do baço. Foi enterrado no cemitério Congonhas, no Morumbi na zona sul da capital paulista. Casado com Yoshino Mabe (1934 ) com quem teve três filhos, e que seguiram sua paixão pela arte: os gêmeos John, marchand, e Ken, arquiteto, e Yugo, artista plástico.

Suas obras encontram-se atualmente nos Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de Arte Contemporânea de Boston e de Belas Artes de Dallas, entre outros. No Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, encontra-se uma de suas pinturas mais expressivas "Natureza-Morta" (óleo sobre tela).

Em 1997 a família Mabe funda o Instituto Manabu Mabe, entidade sem fins lucrativos  que tem por objetivo difundir a arte e a cultura. A entidade também se dedica a pesquisa, catalogação, certificação, avaliação, autorização do uso de imagens, conservação e restauro das obras do artista.

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