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Manuel Bandeira

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho
19/4/1886, Recife (PE) – 13/10/1968, Rio de Janeiro (RJ)

Considerado um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos e chamado de “São João Batista do Modernismo Brasileiro”, foi incentivado pelo pai, desde pequeno, a entrar em contato com a poesia. Nos intensos anos da infância, teve contato com os lugares e as imagens que levará depois aos seus poemas: o avô, o vizinho, os tios, o rio Capiberibe. Muda-se com a família para o Rio de Janeiro aos dez anos, e ali estuda no Colégio D. Pedro II. Na juventude, cultiva o apreço pela leitura e a excelente memória - seu vizinho na época, o escritor Machado de Assis, impressionou-se certa vez quando o jovem declamava um longo trecho de "Os Lusíadas". Gostava de arquitetura, influenciado pelo pai engenheiro, mas cursa somente o primeiro ano na Escola Politécnica da USP em São Paulo, abandonando os estudos devido à tuberculose.

Viaja pelo Brasil, peregrinando por cidades com clima mais propício à sua saúde, e embarca para a Europa em 1913, retornando ao Brasil antes da Primeira Guerra Mundial. Durante sua estadia na Suíça, onde vai se tratar da enfermidade no sanatório de Clavadel, conhece o jovem poeta francês Paul Eluard, expoente do surrealismo, e entra em contato com a poesia simbolista francesa, que lhe serve de influência em sua poética inicial, presente em "As Cinzas das Horas" (1917) e "Carnaval" (1919). Após a morte do pai, em 1920, e impossibilitado de exercer trabalhos que exijam esforço físico em virtude da doença, vive da pensão deixada por ele, num quarto no morro Santa Tereza, onde reside até 1933, quando se transfere para a Lapa e depois para o Flamengo.

Durante a Semana de Arte Moderna, seu poema “Os Sapos”, uma sátira aos parnasianos, é declamado por Ronald de Carvalho. Nessa época, colabora nas revistas modernistas Klaxon, Terra Roxa e Revista de Antropofagia, e também na seção “Mês Modernista” do jornal A Noite, na revista A Ideia Ilustrada e na seção musical do Diário Nacional.  Seu livro experimental "Ritmo dissoluto" (1924) apresenta os primeiros versos livres na poesia brasileira.

Após uma viagem pelo Brasil em 1927 e um breve período vivendo no Recife, retorna ao Rio de Janeiro. Já melhor de saúde, começa a mandar matérias e crônicas para diversos jornais: escreve crítica de cinema para o recifense A Província e o carioca Diário da Noite, e crítica de artes plásticas no também carioca A Manhã. Os textos críticos são reunidos posteriormente em "De Poetas e de Poesia" (1954). Trabalha como professor de literatura no Colégio D. Pedro II entre 1938 a 1943, ano em que é nomeado professor de literatura hispano-americana da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.

"Libertinagem" (1930) e "Estrela da Manhã" (1936) inauguram a segunda fase de sua poesia, marcando definitivamente seu estilo. Membro do Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1938, ingressa na Academia Brasileira de Letras dois anos depois. A partir da década de 1940, publica ainda os livros "Lira dos 50 Anos" (1940), o estudo "Apresentação da Poesia Brasileira" (1946), "Belo Belo" (1948), "Mafuá do Malungo" (1948) e "Opus 10" (1952), e o livro de memórias "Itinerário de Pasárgada" (1954), entre outras obras em poesia e prosa, além de antologias. Escreve para o Jornal do Brasil e, entre 1961 e 1964, e também crônicas para programas semanais nas rádios Ministério da Educação e Roquette-Pinto, e publica "Estrela da Tarde" (1958) e "Estrela da Vida Inteira" (1966). Também atua como tradutor de obras em espanhol, inglês e alemão.

Embora durante toda a vida pensasse que morreria cedo em virtude de sua doença, falece aos 82 anos. Manuel Bandeira aprendeu desde cedo as técnicas do verso, e sua poesia apresenta uma musicalidade sugestiva. Trata-se também de uma poesia intimista, confessional: a obra do poeta se confunde com a vida do homem – os livros que escreve contam sua própria biografia. Ao mesmo tempo, consegue, mesmo abordando assuntos tão pessoais, transformar o particular em universal.

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