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Médici

Emílio Garrastazu Médici
4/12/1905, Bagé (RS) – 9/10/1985 (RJ)

Emílio Médici ingressou no Colégio Militar de Porto Alegre em 1918. Em 1924, dois anos depois de concluir os estudos, Médici ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro. Era descendente de italianos e bascos, e alguns de seus parentes maternos tinham adquirido destaque na vida política gaúcha.

Em 1930, Médici aderiu à revolução de 30, ajudando a depor o presidente Washington Luís. Em 1934, foi promovido a capitão e, três anos mais tarde, tornou-se ajudante-secretário na Escola de Estado-Maior. Em 1939, matriculou-se na Escola de Armas do Rio. Foi transferido, contudo, para o Oitavo Regimento de Cavalaria Independente, no Rio Grande do Sul. Tornou-se major em 1943 em em maio de 1944, foi convocado a exercer a chefia do estado-maior da Terceira Divisão de Cavalaria, em Bagé. Quatro anos mais tarde, foi promovido a tenente-coronel e transferido para o quartel general da terceira Região Militar, em Porto Alegre. Foi promovido a coronel em 1953 e, poucos anos depois, iniciou uma firme amizade com o general Artur da Costa e Silva. Foi nomeado, em 1960, subcomandante da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e, um ano depois, foi promovido a general-de-brigada. Com a renúncia de Jânio Quadros, apoiou a posse legal de João Goulart dentro do sistema parlamentarista.

Foi nomeado comandante da AMAN em 1963 e, com o golpe de 1964, alinhou-se imediatamente aos militares e civis anti-Goulart. Após a instauração da ditadura, Médici foi nomeado adido militar em Washington pelo então ministro da guerra Costa e Silva. Foi convidado, em 1966, a ser presidente da Petrobras, cargo que recusou, tendo se tornado chefe do Serviço Nacional de Informações no dia 17 de março de 1967.

A crise do governo militar com a opinião pública se intensificou em 1968, com a invasão da Universidade de Brasília pela Polícia Federal e pela invasão e fechamento da Universidade Federal de Minas Gerais. Quando movimentos civis (liderados por estudantes, religiosos e liberais) começaram a se insurgir contra a ditadura, Médici sugeriu ao presidente a promulgação de um ato institucional que enfrentasse a “subversão”, algo que se consolidaria no AI-5. Em 1969, Médici foi promovido a general e deixou o SNI para se tornar comandante do III Exército, em Porto Alegre.

Em agosto de 1969, o presidente Costa e Silva adoeceu e iniciou-se um breve período de disputa sucessória. O governo passou para as mãos de uma junta militar. Em outubro do mesmo ano, Médici foi indicado pelo Alto Comando das Forças Armadas para suceder Costa e Silva.
Apesar de ter feito proclamações nas quais enfatizava a “liberdade” e a democracia, o governo Médici foi marcado pela escalada da repressão, pelo aperto da censura e por numerosas denúncias de tortura e violência. Na mesma época, alguns grupos minoritários de esquerda optaram pela luta armada, mas foram duramente reprimidos pelos dispositivo repressivos do governo militar. O presidente decretou leis de exceção e manteve o AI-5, tendo sido bastante criticado pelo MDB.

Médici privilegiou uma política econômica de cunho desenvolvimentista e, com esse propósito, promoveu uma intensa centralização do poder. Seu governo investiu em obras públicas, promoveu a industrialização, controlou a inflação e gerou muitos empregos, numa fase da história econômica brasileira que ficou conhecida como “o milagre brasileiro”. Também durante o governo Médici, o Brasil foi tricampeão mundial de futebol, evento explorado como propaganda pelo regime.

No dia 15 de março de 1974, Médici entregou o governo ao general Geisel. Nos dois anos seguintes à ascensão de Geisel, Médici se manteve afastado e evitou fazer declarações públicas. A partir de 1976, retomou a vida pública e fez declarações quase sempre críticas ao liberalismo, defendeu o estado de exceção e o autoritarismo e foi contra a política de abertura conduzida pelo presidente Geisel. Faleceu no dia 9 de outubro de 1985.

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