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Nelson Rodrigues

Nelson Rodrigues
23/81912, Recife (PE) - 21/12/1980, Rio de Janeiro (RJ)

Viveu em Recife até completar cinco anos, quando se mudou para o Rio de Janeiro. Seu pai, Mário Rodrigues, era deputado e jornalista do Jornal do Recife e, após chegar à capital carioca, passou a trabalhar no jornal Correio da Manhã. Nelson ingressou na escola pública Prudente de Morais aos sete anos. Em 1924, seu pai foi preso por denunciar membros da elite pernambucana, que teriam dado um colar de 120 contos de réis à mulher do candidato à presidência, Epitácio Pessoa. Nessa época, a família passou por dificuldades.

Em liberdade, seu pai fundou o jornal A Manhã, o que trouxe uma vaga prosperidade para a família. Em dezembro de 1925, Nelson passou a trabalhar na publicação como repórter da seção de polícia. Dois anos depois, abandonou os estudos. Em 1928, após perder o jornal para o sócio devido ao acúmulo de dívidas, Mário Rodrigues funda o jornal Crítica. Em 1929, Nelson perdeu um irmão, assassinado. Seu pai faleceu pouco tempo depois.

Com a decadência financeira da família, decorrente da ausência do pai e do fechamento do jornal, o primogênito dos Rodrigues, Mário Filho, assumiu a chefia da família, fornecendo a renda necessária com seu trabalho de jornalista esportivo no jornal “O Globo”. Em breve, Nelson passa também a trabalhar no jornal como crítico cultural. Foi na redação que conheceu Elza Bretanha, com quem viria a se casar em 1940. Um ano depois publicou sua primeira peça de teatro, “A Mulher sem pecado”, que não obteve sucesso em sua estreia.

Em 1943, escreveu "Vestido de Noiva", obra que viria a ser reconhecida como marco do moderno teatro brasileiro. A peça foi elogiada pelos críticos e foi encenada em dezembro do mesmo ano com auxílio do ator e diretor polonês, Zbigniew Ziembinski. A peça, com ação simultânea em tempos (presente e passado) e dimensões (sonho e realidade) diferentes, foi um sucesso estrondoso. A despeito de ser declarado defensor dos valores morais tradicionais, tendo sublinhado em sua autobiografia o horror da experiência que teve aos catorze anos num prostíbulo, sua dramaturgia seria marcada por uma exploração “pornográfica” de temas tabu como sexo, incesto e adultério, muitas vezes beirando a crítica social.

Em 1945, após abandonar O Globo, passa a trabalhar no periódico de Assis Chateaubriand, O Jornal, no qual publicou seu primeiro folhetim, “Meu destino é pecar”. Mais tarde, publicou uma nova peça de sucesso, intitulada "Álbum de Família", que foi proibida pelo dispositivo de censura da república de 1946 e só foi publicada novamente na década de 60. Lançou, mais tarde, "Anjo Negro"(que chegaria a ser adaptada para o teatro) e "Doroteia". Passou a trabalhar dois anos depois no jornal Última Hora, onde publica as crônicas de "A Vida Como Ela É". Em 1960, lançou “Beijo no Asfalto” para teatro. Sua peça “O Casamento” foi proibida pela ditadura militar por supostamente agredir a moral e atentar contra a família.

Em 1962, foi feita uma adaptação para o cinema de sua obra “Boca de Ouro”, escrita no final da década de 50. O filme foi dirigido por Nelson Pereira dos Santos. Outras adaptações para tela grande seguem como o “A Falecida”, dirigido por Leo Hirszman e estrelando Fernanda Montenegro e Paulo Gracindo. Em 1973, "Toda Nudez será Castigada" é filmada pelo diretor Arnaldo Jabor.

Um declarado defensor do regime militar e anticomunista, inclusive tendo assistido jogos de futebol ao lado do general Médici, Nelson foi atingido diretamente pela repressão quando seu filho, Nelsinho,  ativista do grupo terrorista MR-8, foi detido e torturado pelo regime em 1972, permanecendo na cadeia até 1978. Em 1979, Nelson publicou sua última obra para teatro, "A Serpente". No total, escreveu cerca de 20 peças. 

Entre as características de Nelson Rodrigues destaca-se o fato de ter sido um dos torcedores mais fanáticos do Fluminense além de leitor assíduo de Tolstoi e Dostoievsky e um amante da música de Roberto Carlos, Vicente Celestino e Francisco Petrônio. Na vida literária foi atacado por todas as vertentes. Foi considerado reacionário e crítico, imoral e moralista, conservador e moderno. Morreu de insuficiência respiratória no dia 21 de dezembro de 1980.

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