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Nijinsky

Vaclav Fomic Nižinskij
12/3/1890, Kiev (Ucrânia) - 8/4/1950, Londres (Inglaterra)

Filho de bailarinos poloneses, viveu a dança desde muito cedo, em apresentações com a família, já aos quatro anos de idade. Após o abandono do pai  mudou-se com a mãe para São Petersburgo, na Rússia. Aos dez anos, iniciou seus estudos na escola de balé do Teatro Imperial. Em 1909, viajou para Paris com a companhia de balé de Sergei Diaghilev,  na qual obteve reconhecimento internacional.

Em 1908 é apresentado ao empresário e diretor de balé Sergei Diaghilev (1872-1929), através de seu então namorado, o príncipe Pavel Lvov. Carismático e de forte personalidade, Diaghilev dirigia com mão de ferro o Ballets Russes, criado por ele em 1909 com o objetivo de sacudir o marasmo que acreditava haver feito o ballet estacionar no tempo. O empresário, que sonhava com a europeização da dança russa, utilizava àquela época o talento do coreógrafo Michel Fokine (1888-1942), dos cenógrafos Leon Bakst (1866-1924) e Alexandre Benois (1870-1960), e dispunha de estrelas de primeira grandeza, como a lendária Anna Pavlova (1881-1931).

Nijinski era dotado de uma técnica extraordinária. Por isso, era chamado por muitos como deus da dança. Revolucionou o balé no início do século XX, conciliando sua técnica com um poder de sedução da plateia. Seus saltos desafiavam a lei da gravidade. Com coreografias de Fokine, dançou "Silfides", "Petrushka", "Sherazade" e "Espectro da Rosa" entre outros. Seu maior triunfo foi elevar a figura masculina à mesma altura que o elemento feminino nos balés.

O primeiro papel de destaque de Nijinsky depois que conheceu Diaghilev foi como Albrecht, em "Giselle", que estreou em Paris em 1911. Com o mesmo papel o bailarino protagonizou seu primeiro escândalo dançando sem o calção que cobria seu leotard (a malha justa usada pelos bailarinos). A performance ocorreu em São Petersburgo, em apresentação a que estava presente a família imperial.

O ato teve efeito imediato e custou a Nijinsky, logo no dia seguinte, sua demissão do corpo de ballet do teatro Mariinsky. O mais renomado biógrafo do bailarino, Richard Buckle, acredita que o episódio pode ter sido um ardil de Diaghilev para que Nijinsky perdesse o emprego e se tornasse exclusivo dos Ballets Russes.

Como coreógrafo, Nijinski era considerado ousado e original, sendo atribuído a ele o início da dança moderna. Uma de suas coreografias mais polêmicas foi "L'Aprés-Midi d'un Faune", com música de Debussy, vaiada em sua estréia, em 1912. Outras muito conhecidas foram "A Sagração da Primavera" e "Till Eulenspiegel".

Em setembro de 1913, os Ballets Russes excursionam pelo Rio de Janeiro e Buenos Aires. Por ser uma viagem marítima, Diaghilev não veio. Atormentado pelos ciúmes, Nijinsky casou-se precipitadamente com uma das bailarinas da companhia, Romola de Pulszky, mulher determinada que passa então a controlar a vida do marido.

Ao saber da notícia, Diaghilev demite Nijinsky, dando ensejo aos problemas mentais do bailarino. A tentativa de Nijinsky de montar seu próprio grupo sucumbiu 16 dias após o início. Durante a I Guerra Mundial esteve internado em um campo de concentração na Hungria, de onde só saiu em 1916 por intercessão de Diaghilev. Por uns tempos, foi afastado do grupo, voltando a fazer parte da companhia em 1916, nos Estados Unidos. Em 1919, aos 29 anos, acometido por distúrbio mental (esquizofrenia), abandonou os palcos.

A esquizofrenia no bailarino manifestava-se, sobretudo, pela desordem de pensamento. Passou por inúmeras clínicas psiquiátricas até morrer ao completar os 60 anos.

Seu impressionante diário, escrito em 1919, foi publicado por Romola de Pulszki, em 1936. Entretanto, nessa versão, Romola eliminou um terço dos textos originais, suprimindo todos os versos e vários trechos com passagens eróticas. Somente em 1995 uma edição integral dos originais foi publicada na França, pela editora Actes Sud, graças ao consentimento da filha de Nijinski, Tamara.

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