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Oswaldo Cruz

Oswaldo Gonçalves Cruz
5/8/1872, São Luís do Paraitinga (SP) - 11/2/1917, Petrópolis (RJ)

Filho do médico Bento Gonçalves Cruz, inspetor-geral da Higiene durante o Império, realizou os estudos primários nos Colégios Laure e Pedro II. Prosseguiu os estudos no Rio de Janeiro, para onde a família havia se mudado. Formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1892, o mesmo ano em que seu pai faleceu. Defendeu a tese “Veiculação microbiana pela água” após estudar as águas poluídas da Lagoa Rodrigo de Freitas. No dia 5 de janeiro de 1893, casou-se com Emília Fonseca, filha do comendador Manuel José Fonseca. Com ela, teve  seis filhos: Elisa Gonçalves, Bento Osvaldo, Hercília, Osvaldo Filho, Zahra Gonçalves e Walter Osvaldo. Aconselhado por um de seus professores a aprofundar seus estudos no Instituto Pasteur, seguiu para Paris e teve aulas com o renomado bacteriologista Paul Émile Roux.

Em 1899, regressou ao Brasil e passou a trabalhar no consultório do Jardim Botânico. Em 1901, foi chamado pelo governo para se tornar diretor da Liga do Instituto do Soro Terapêutico, fundada em 1900 para combater a peste bubônica. Como a capital da República (então o Rio de Janeiro) passava por uma epidemia de febre amarela, foi chamado para reverter a situação. Foi nomeado Diretor-geral da Saúde Pública em 1903, sendo responsável, ao lado do prefeito Pereira Passos, pelas políticas de erradicação da varíola, febre amarela e peste bubônica no país. Organizou mutirões de combate a mosquitos transmissores de doenças (“Brigadas Mata Mosquitos”), espalhou raticidas pela cidade e tomou outras medidas para combater a situação crítica em que se encontrava boa parte da população da capital. Pereira Passos, por sua vez, mandou demolir cortiços, abriu avenidas largas e mandou construir jardins. Embora as construções populares estivessem em péssimas condições de saneamento, um alto número de pessoas desalojadas pelas reformas ficou sem ter onde morar e migrou para as periferias da cidade.

Em 1904, Osvaldo aconselhou o Congresso a declarar obrigatória a vacinação contra a varíola, o que gerou amplas demonstrações de insatisfação popular. A Revolta da Vacina, como ficou conhecida, foi um episódio de rebeldia desencadeado pela violência das reformas sanitaristas, percebida pela população urbana em atos como a demolição de cortiços, a obrigatoriedade da vacina e a invasão das casas populares por oficiais do governo. Entre os dias 10 e 16 de novembro, a cidade do Rio de Janeiro foi tomada por atos de violência e barricadas que culminaram com a depredação de lojas e edifícios públicos. O governo suspendeu a obrigatoriedade da vacina e declarou estado de sítio, iniciando uma campanha de repressão contra os revoltosos, que acabou bem sucedida. No dia 25 de abril, Osvaldo anunciou o fim dos surtos epidêmicos que assolavam a capital.

Em 1907, o sanitarista brasileiro foi premiado no Congresso Internacional de Higiene e Demografia ocorrido em Berlim, tendo sido condecorado com uma medalha de ouro pela imperatriz da Alemanha.  Em 1909, abandonou a diretoria da Saúde Pública. Foi convidado pela direção da Madeira-Mamoré Railway Co. para fazer estudos sanitários na região onde estava sendo construída a ferrovia e ajudar a melhorar as condições higiênicas. No dia 11 de maio de 1912, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras e assumiu a cadeira número 5, sucedendo o poeta Raimundo Correia. Dois anos depois, foi homenageado pelo governo francês com a Legião de Honra. Em 1916, ajudou a fundar a Academia Brasileira de Ciências. Em agosto do mesmo ano, foi convidado pelo governo fluminense a se tornar prefeito de Petrópolis, cargo que assumiu de bom grado. Enfermo, abandonou a prefeitura e faleceu no ano ano seguinte.

Reconhecido como um importante cientista brasileiro, publicou, entre outros títulos, “Relatório acerca da moléstia reinante em Santos em 1899” (1900), “Contribuição para o estudo dos culicídios” (1901) e “Profilaxia da febre amarela” (1909). Seu nome foi adotado pelo centro acadêmico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e pelo antigo Instituto Soroterápico Federal, hoje Fundação Osvaldo Cruz.

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