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Padre Landell

Roberto Landell de Moura
21/1/1861, Porto Alegre (RS) – 30/6/1928, Porto Alegre (RS)

Proveniente de uma família tradicional de origem inglesa, aprendeu a ler com o pai, o capitão Ignácio José Ferreira de Moura. Ainda na infância já se interessava pela ciência, observando atentamente os fenômenos da natureza. Aos 16 anos, tenta reconstruir o telefone recém-criado por Graham Bell. Era também apreciador de cultura, interessando-se por música, poesia e filosofia. Após concluir os estudos em Humanidades, transfere-se para o Rio de Janeiro e, em 1978, parte com o irmão para Roma, onde ingressa no Colégio Pio Americano. Além dos estudos religiosos, dedica-se também ao aprendizado de Ciências Físicas e Químicas na Universidade Gregoriana, com ênfase nos estudos de eletricidade. É ordenado sacerdote em outubro de 1886, ocasião em que realiza a primeira missa. Durante a estadia em Roma, desenvolve a “Teoria da unidade das forças físicas e a harmonia do universo”, abordando o movimento e o equilíbrio das forças da natureza. Em uma breve estadia em Paris, ao observar o movimento do ar quente, vislumbra a possibilidade do envio de mensagens através dele.

Após uma estadia no seminário de São José, no Rio de Janeiro, quando chega a dar palestras sobre ciência para o Imperador D. Pedro II, regressa ao Rio Grande do Sul, em 1887, para tornar-se Capelão da Igreja do Bomfim e professor no Seminário Episcopal de Porto Alegre. A partir de 1892, passa a residir no estado de São Paulo, sendo vigário em Santos e Campinas, onde começa a desenvolver teorias sobre os movimentos vibratórios e suas possíveis formas de transmissão. No ano seguinte, viaja ao Rio de Janeiro e solicita à Igreja recursos para realizar experiências de telegrafia e telefonia sem fio, porém não obtém apoio. Mesmo sem auxílio financeiro, continua o projeto e realiza experimentos de transmissão sem fio em São Paulo, entre os oito quilômetros que separam a Avenida Paulista do bairro de Santana, nos anos de 1892 a 1894, em período anterior aos de radiocomunicação do cientista italiano Guglielmo Marconi, considerado o pai da transmissão de rádio em longa distância. Marconi teria transmitido sinais em código Morse a uma distância de algumas centenas de metros, na vila de Pontecchio, somente em 1895.

Os experimentos realizados com êxito por Landell na primeira metade da década de 1890 não foram oficialmente documentados. Em 1899, o jornal O Estado de S. Paulo anuncia uma das experiências públicas do cientista brasileiro. Não consta, no entanto, notícia acerca do resultado daquele experimento. Registra-se também, no Jornal do Comércio, outro experimento realizado na presença de diversas autoridades, em junho de 1900, no qual o inventor consegue transmitir som. O feito é realizado seis meses antes do obtido pelo canadense Reginald Fessenden, considerado por muitos como o primeiro a realizar a transmissão da voz humana sem o uso de fios. Padre Landell inventou uma série de instrumentos técnicos, e obteve sua primeira patente em 1901, quando registra no Brasil o Gouraudfônio, um “aparelho destinado à transmissão fonética à distância”. No mesmo ano, decide tentar patentear seu invento também nos Estados Unidos, ocasião em que muda-se para Nova York, ali residindo durante três anos. Na época, seus estudos são destaque em alguns jornais norte-americanos, especialmente o The New York Herald, que dedica extensa reportagem à atuação de cientistas na área, com destaque para o pioneirismo do inventor brasileiro. Em 1904, ele consegue a patente de três inventos: o transmissor de ondas, o telefone sem fio e o telégrafo sem fio – tornando-se um dos primeiros brasileiros a obter o registro de suas invenções no exterior.

No final da década de 1900, após retornar ao Brasil, passou a se dedicar integralmente à vida religiosa. Falece em 1928, vítima de tuberculose. Atualmente, muitos pesquisadores brasileiros buscam demonstrar o pioneirismo dos experimentos realizados pelo Padre Landell, considerado o patrono dos radioamadores no Brasil.   

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