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Paulo Francis

Franz Paul Trannin da Matta Heilborn
2/9/30, Rio de Janeiro (RJ) - 4/2/97, Nova York (EUA)

Neto de um comerciante alemão estudou em colégios católicos tradicionais do Rio de Janeiro. Freqüentou a Faculdade Nacional de Filosofia na Universidade do Brasil, nos anos 1950. Foi ator amador no grupo de estudantes mantido por Paschoal Carlos Magno. Após abandonar os estudos universitários no Brasil optou por um curso de pós-graduação em Literatura Dramática na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Não concluiu o curso, mas a partir dele lançou as bases intelectuais de sua futura carreira jornalística.

Notabilizou-se, em primeiro lugar, como crítico de teatro do Diário Carioca, entre 1957 e 1963, quando  foi convidado por Samuel Wainer a assumir uma coluna política na Última Hora. Apoiou o esquerdismo trabalhista de Leonel Brizola. Levou a tal ponto este radicalismo que chegou a ser demitido por Wainer, que, no entanto, o recontratou após protestos de um grupo de membros da burguesia carioca que tinham em Francis uma espécie de "guru".

Após o Golpe de 1964 e durante toda a ditadura militar, Francis trabalharia sobretudo no semanário O Pasquim, mas também na Tribuna da Imprensa, de Hélio Fernandes, onde, de 1969 a 1976 refinou seu estilo num sentido mais coloquial, tendo sido uma parte importante da resistência cultural, comentando sobre assuntos internacionais e divulgando idéias de esquerda.

Tomou posições intelectualmente corajosas contra a intervenção americana no Vietnã e contra a ocupação israelense na Palestina. Preso diversas vezes e constantemente importunado pela censura e pelos órgãos de repressão ligados à ditadura militar, em 1971 decide transferir-se para Nova Iorque, passando a atuar como correspondente do Pasquim, da Tribuna da Imprensa e da revista Status, e, após 1976, do jornal Folha de S. Paulo.

No fim da década de 1970 lançou-se como romancista tentando fazer uma crítica geral da sociedade brasileira através dos seus romances "Cabeça de Papel" (1977) e "Cabeça de Negro" (1979). Para este trabalho aproveitou suas experiências pessoais dentro da elite cultural e social do Brasil e principalmente do Rio de Janeiro. Os romances de Francis, não foram apreciados pela crítica literária que apontaram neles o caráter indeciso de sua ficção entre a literatura de elite e a popular.

Um de seus artigos atacando o PT  teve grande repercussão e provocou, entre várias reações, uma resposta de Caio Túlio Costa, então ombudsman da Folha de São Paulo. A tréplica gerou uma dura polêmica, sendo uma possível causa de sua mudança da Folha para o jornal O  Estado de São Paulo.

Na eleição presidencial de 1994 apoiou a candidatura de Fernando Henrique Cardoso, que tinha como seu amigo pessoal, embora a razão mais provável talvez fosse Fernando Henrique Cardoso ser uma alternativa à candidatura de Luis Inácio Lula da Silva.

Desde 1980, tornou-se comentarista televisivo das Organizações Globo. Uma virada emblemática para quem havia acusado Roberto Marinho de ter provocado o seu banimento do país durante uma de suas prisões, em um artigo do  Pasquim, intitulado "Um homem chamado porcaria".

Celebrizou-se por suas aparições histriônicas no ar, onde exagerava na voz arrastada e grave, sua marca registrada, que lhe rendeu inumeráveis imitações. A notoriedade que lhe valeu esta nova personalidade pública, no entanto, serviu também para celebrizar seus comentários, que incluíam ataques ácidos a figuras públicas em evidência, como, por exemplo, o sindicalista da CUT, Vicentinho, as prefeitas de São Paulo Luiza Erundina e Marta Suplicy e o cantor Cazuza entre muitos outros.

Em 1997, durante o programa Manhattan Connection  transmitido pelo canal GNT,  propôs a privatização da Petrobras e acusou os diretores da estatal de possuírem cinqüenta milhões de dólares em contas na Suíça. A acusação resultou em processo na justiça americana pela Petrobras.

Francis acabou por morrer aos 66 anos de um ataque cardíaco, diagnosticado, em seus primeiros sintomas, como uma simples bursite. Era casado com a jornalista e escritora Sonia Nolasco, com quem viveu por mais de vinte anos. Seu corpo embalsamado foi trasladado de Nova York para o Rio de Janeiro e enterrado no jazigo familiar do Cemitério de São João Batista.

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