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Pietro Maria Bardi


21/02/1900, La Spezia, Itália – 01/10/1999, São Paulo (SP)

Pietro Maria Bardi, o crítico de arte que dirigiu por quase 50 anos o MASP, o mais importante museu da América Latina, era autodidata. Italiano natural de La Spezia, Gênova, Bardi abandonou a escola após ter sido reprovado inúmeras vezes, mas manteve o hábito da leitura por toda a vida.

Seu primeiro emprego foi como operário no Arsenal Marítimo, o segundo como aprendiz num escritório de advocacia. Na adolescência, fez sua primeira incursão pelo jornalismo. Produziu artigos e e colaborou com os jornais Gazzetta di Genova e Indipendente. Em 1917, publicou o primeiro de seus 50 livros, Comento a I possedimenti coloniali, um ensaio sobre o colonialismo.

No mesmo ano, lutou na Primeira Guerra. Já vivendo na cidade de Bérgamo, deixou o exército e retornou ao jornalismo. Escreveu para os jornais, como o Il Giornale di Bergamo e Popolo di Bergamo. Em 1923, assumiu a vaga de redator do Secolo. No ano seguinte foi transferido para Milão, onde se tornou redator do Corriere della Sera.

A atividade como marchand e crítico de arte teve início em meados da década de 1920, quando Bardi compra a Galleria dell'Esame, em Milão. Paralelamente, em 1929, ele funda o Belvedere, um periódico arte e casa-se com Gemma Tortarolo, com quem teve duas as filhas, Elisa e Fiorella.

Em 1930 é convidado a dirigir a Galleria di Arte de Roma, do Sindicato Nacional Fascista de Belas-Artes, e transfere-se para a capital italiano, assumindo simultaneamente a crítica de arte do L'Ambrosiano, um jornal de Milão. No ano seguinte, publica o panfleto Rapporto Sull'Architettura (per Mussolini) e promove a Mostra Italiana de Arquitetura Racional.

Em parceria com Massimo Bontempelli funda a revista Quadrante, em 1933. A publicação contou com a colaboração de grandes nomes da arquitetura e das artes, tais como oLe Corbusier e Fernand Léger. Em 1936, Bardi se torna editor do Meridiano di Roma. No mesmo período, envolve-se em polêmicas ao criticar a estética da arquitetura fascista. Em 1941, passa a presidir o Studio d'Arte Palma, um espaço dedicado à arte e preservação. Além de exposições, o Palma também realizava trabalhos de restauro.

Após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, Bardi divorcia-se e se casa com a arquiteta Lina Bo. Os dois se conheceram quando trabalharam juntos no Studio d'Arte Palma. No mesmo ano, o casal se muda para o Brasil. Na bagagem trazem uma vasta coleção de obras de arte, livros e peças. Elas seriam usadas nas diversas exposições que organizaram pelo País, como a Exposição de Pintura Italiana Moderna.

Nesse evento o casal conhece o dono dos Diários Associados, Assis Chateaubriand. A convite do empresário brasileiro, Pietro Maria Bardi assume a direção do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o Masp, inaugurado em 1947. Inicialmente a instituição ficava na Rua Sete de Abril, na sede dos Diários Associados.

Sob a tutela de Bardi e impulsionado pela deteriorada situação econômica da Europa no pós-guerra, o museu consegue adquirir valiosas obras de arte a baixo custo, e constrói uma robusta coleção entre 1947 a 1953. Na mesma época, Bardi enfrenta rumoresque  questionavam a autenticidade das obras adquiridas. Em resposta, organizou exposições da coleção do Masp pelo mundo. Exibiu as obras em renomadas instituições europeias, como o Museu do Louvre, em Paris e a Galeria Tate, em Londres. Em 1968, a nova sede do museu, projetada por Lina Bo é concluída e a instituição é transferida para a Avenida Paulista. A festa de inauguração, em novembro de 1968, teve a presença da Rainha Elizabeth II, da Inglaterra, que estava na capital paulista.

Durante os anos em que Bardi esteve à frente do Masp, o museu se tornou um dos principais do País. Teve seu acervo ampliado com obras de Van Gogh, Renoir, Degas e Rafael, recebeu exposições de mestres como Antoni Gaudí e Pablo Picasso e realizou cursos e palestra. Em 1992, Lina Bo Bardi falece e Pietro publica seu último livro, História do Masp. Ele deixa o comando da instituição em 1996. Falece em 01 de outubro de 1999, aos 99 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória. Seu corpo foi velado entre as obras de arte no Masp. No ano seguinte, o museu realiza uma exposição em homenagem ao centenário de Pietro Maria Bardi.

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