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Ramos de Azevedo

Francisco de Paula Ramos de Azevedo
8/12/1851, São Paulo (SP) – 13/6/1928, Santos (SP)

Filho do major João Martins de Azevedo, veio de uma família tradicional da cidade de Campinas, orgulhando-se do município (ele se dizia um “legítimo campineiro”). A área da construção civil foi, desde cedo, preferida pelo arquiteto e engenheiro. Foi por ela que, em 1872, após a Guerra do Paraguai abandonou os estudos no curso de artilharia da Escola Militar do Rio de Janeiro (onde seu talento artístico já germinava), passando a integrar os trabalhos de construção dos primeiros trechos das companhias Paulista e Mogyana de estradas de ferro.

Formou-se em Arquitetura na École Speciale du Génie Civil et des Arts et Manufactures em 1878 pela Universidade de Grand, na Bélgica. Neste ano tem seus trabalhos apresentados na Exposição Universal de Paris. No ano seguinte retorna ao Brasil e passa a morar em Campinas, na época  em que começavam a surgir as primeiras construções de tijolos, que viriam marcar sua obra mais tarde. E foi no interior paulista, onde trabalhou durante cerca de sete anos, que seus trabalhos começaram a ganhar projeção em meio à elite, já que seu pai os promovia nos boletins que publicava nos jornais da região. Tinha como obras de destaque o projeto da Escola Ferreira Penteado em 1880, e a finalização da Catedral de Campinas, em 1883, além de muitas residências. Projeta também o Mercado e o Matadouro do município.

Em 1886, já em São Paulo, projeta o prédio do Tesouro, seu primeiro projeto de edifício público, feito a convite do Visconde de Indaiatuba, que conheceu no mesmo ano. Em seguida projeta o Quartel da Polícia, no bairro da Luz (1888); a Escola Normal (1890-94) e o Jardim da Infância (1896); a Secretaria de Agricultura (1896), no Páteo do Colégio; a Escola Prudente de Moraes (1893-95); a Escola Politécnica (1895); o Liceu de Artes e Ofícios (1897-1900) e o Teatro Municipal (1903-11), entre outras obras importantes.

A arquitetura de Ramos de Azevedo tinha características próprias, consideradas ecléticas, adequadas ao apelo modernizador da época. Foi identificado aos movimentos de Art Nouveau e Art Déco. Procurava conciliar suas obras com as técnicas e os materiais disponíveis no mundo industrial do século XIX, por isso os projetos arquitetônicos primavam pela funcionalidade. A utilização de alvenaria de tijolo armado caracteriza seus edifícios públicos, institucionais e privados, enquanto suas obras residenciais destacavam-se pela distribuição dos espaços, com maior rigor estilístico.

Teve importantes cargos de chefia, assumindo a direção, principalmente, da Companhia Mogyana de estradas de ferro, do Liceu de Artes e Ofícios e da Caixa Econômica de São Paulo, além do próprio escritório, F. P. Ramos de Azevedo e Cia. Já como presidente, trabalhou no Instituto de Engenharia e na Comissão de Obras da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Seu Escritório Técnico de Projeto e Construção, situado na rua Boa Vista, adquire fama. Por causa das obras de destaque nele projetadas, atrai grande número de engenheiros e arquitetos que ali trabalharam, a exemplo de Anhaia Mello e Arnaldo Dumont Villares que, com Ricardo Severo, outro funcionário de destaque, cria o Escritório Técnico Ramos de Azevedo, Severo & Villares S.A.

Entre os anos 1900 e 1917 foi vice-diretor da Escola Politécnica, assumindo definitivamente a diretoria em outubro de 1917 após o falecimento do amigo Antonio Francisco de Paula Souza – primeiro defensor da criação de cursos preparatórios técnicos - que ocupava o cargo. Com ele já havia trabalhado nas obras do quartel da Luz em 1888. Permaneceu na diretoria da Escola durante 36 anos, dedicando-se especialmente a aperfeiçoar, com o próprio dinheiro, o laboratório tecnológico do local, hoje o Instituto de Pesquisas Tecnológicas, IPT.

Foi também político, tendo sido eleito senador estadual em São Paulo em junho de 1904, embora tenha ecercido a função por pouco mais de um ano. Em 1917, no entanto, filiou-se à Liga Nacional de São Paulo.

O nome de Ramos de Azevedo figura no Livro de Ouro do Estado de São Paulo. Em 25 de janeiro de 1934, uma homenagem póstuma inauguraria o Monumento Ramos de Azevedo na então Avenida Tiradentes, que depois seria transferido para a Cidade Universitária. Também são dele as obras do Mercado Municipal, Casa das Rosas, Palácio das Indústrias e Palácio da Justiça.

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