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Ranieri Mazzilli

Pascoal Ranieri Mazzilli
27/4/1910, Caconde (SP) – 21/4/1975, São Paulo (SP)

Nasceu numa família de fazendeiros e comerciantes paulistas, descendentes de imigrantes italianos. Estudou no grupo escolar Caconde, no Colégio Brasil e no Ginásio Estadual de São Paulo. Em 1930, ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, tendo sido obrigado a interromper os estudos após a revolução de outubro, cujo resultado foi a ascensão de Getúlio Vargas ao poder. Foi coletor estadual de Taubaté (SP) e jornalista. Em 1933, empregou-se como editor da revista Boletim Fiscal, cargo no qual pode se dedicar mais ao estudo de questões de administração pública.

Em 1935, tornou-se coletor fiscal em Sorocaba e Jundiaí e, em 1936, fixou-se no Rio de Janeiro. Ingressou, no mesmo ano, na Faculdade de Direito de Niterói, onde se bacharelou em dezembro de 1940. Foi presidente do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), órgão responsável pelo estudo de projetos de arrecadação de renda para a União. Em 1942, tornou-se diretor do Tesouro Público Nacional e realizou uma reforma da Recebedoria do Distrito Federal. Três anos mais tarde, tornou-se diretor da Divisão do Imposto de Renda. Com o fim do Estado Novo em 1945, aderiu ao Partido Social Democrático (PSD).

Em 1946, foi nomeado secretário-geral de finanças da prefeitura do Distrito Federal. No ano seguinte, foi convocado para assumir a diretoria da Caixa Econômica Federal do Rio de Janeiro e, pouco depois, foi designado diretor do Banco da Prefeitura do Distrito Federal. Em junho de 1949, foi designado chefe de gabinete do ministro da fazenda. Integrou a Comissão Consultiva do Comércio Exterior, o conselho de administração da Caixa de Mobilização Bancária e o Conselho Nacional do Petróleo.

Em 1950, foi eleito para um mandato na Câmara dos deputados em nome de São Paulo pelo PSD. Foi membro das Comissões de Finanças e de Orçamento da Câmara, tendo proposto leis importantes na tentativa de organizar o setor financeiro. Foi reeleito deputado federal em outubro de 1954 e candidatou-se à presidência da Câmara, tendo sido derrotado por Carlos Luz e o movimento oposicionista capitaneado pela União Democrática Nacional (UDN). Foi reeleito deputado federal em outubro de 1958, tendo conquistado a presidência da Câmara no ano seguinte. Foi reeleito presidente da Câmara todos os anos até 1965.

Ocupou a presidência do Brasil pela primeira vez em 1960, uma vez que o presidente Juscelino Kubitschek estava em Portugal e João Goulart estava impedido de assumir por ser novamente candidato à vice-presidência. Mazzilli tornou-se novamente presidente em 1961, conforme ditava a constituição, tendo o presidente Jânio renunciado e estando o vice-presidente João Goulart em missão comercial na China. O país passava por grave crise política, uma vez que os ministros militares ensaiavam um golpe contra a posse constitucional de Goulart, considerado uma ameaça à segurança pública. Como o congresso não aceitou os argumentos dos golpistas, foi articulada uma solução parlamentarista e Mazzilli entregou o poder a seu sucessor.

Em 1964, após o golpe militar que depôs João Goulart, tornou-se presidente da República mais uma vez. Seu poder era meramente formal, uma vez que a instância efetivamente deliberativa era uma junta de governo estabelecida pelos militares, o assim chamado “Comando Supremo da Revolução”. Nos primeiros dias após o golpe, os militares editaram o Ato Institucional Número 1, que cassava mandatos parlamentares, estabelecia eleições indiretas para presidente e impunha estado de sítio sem aprovação do Congresso. Mazzilli transferiu o poder a Castelo Branco no dia 15 de abril.

Em 1965, com a cassação de Juscelino Kubitschek, o PSD passou a ser alvo dos militares. Com a imposição do bipartidarismo, Mazzilli ingressou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição aos militares. Foi derrotado no pleito de 1966 e abandonou a política, decidindo se ocupar de seus negócios no campo. Em 1973, reapareceu brevemente na vida política ao se tornar presidente da Comissão de Ética do MDB paulista. Faleceu dois anos mais tarde.

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