ir para o conteúdo
Busca
Busca por data

Saddam Hussein

Saddam Hussein Abd al-Majid al-Tikriti
28/04/1937, Tikrit (Iraque) – 30/12/2006, Bagdá (Iraque)

Saddam em árabe significa aquele que confronta. Nasceu e cresceu em uma família de lavradores muito pobre. Posteriormente gostava de lembrar que nasceu no mesmo lugar do líder muçulmano durante a idade média, Saladino, que enfrentou os cruzados pela posse de Jerusalém. Não chegou a conhecer o pai, que sumiu quando ele era ainda muito pequeno sendo criado por uma tia materna.

Fez o primário em sua terra natal e mudou-se para Bagdá logo em seguida. Começou a estudar em uma escola de lei iraquiana mas parou após três anos. Tentou também ingressar na academia militar, mas teve sua requisição negada. Em 1956 entrou no partido Baas, mescla de socialismo e nacionalismo pan-árabe que surgiu como resposta a criação do estado de Israel.

Participou da tentativa de golpe contra o general Abdul Karim Kassen, que havia derrubado a monarquia em 1958.  Condenado a morte pelo regime, teve que fugir para o Egito onde obteve asilo político. Aproveitou sua estada no país para completar seus estudos, formando-se em direito na Universidade do Cairo.

Em 1963 o general Kassen foi derrubado por militares ligados ao Baas, Saddam voltou ao país logo em seguida, mas acabou preso por algum tempo. Após cumprir sua pena ocupou o cargo de secretário do partido. Em 1968 participou do golpe que tomou o poder. No ano seguinte tornou-se vice-presidente do Comando Supremo da Revolução virando assim o segundo homem mais poderoso do país, abaixo apenas do general El Bakr.

Foi o responsável pela aproximação do novo regime iraquiano com o ocidente, aproveitando-se da riqueza petrolífera do país. Conseguiu também implantar a retirada dos militares do poder, o controle do exército pelos civis e a nacionalização da Irak Petroleum Company, que garantiu o poder econômico ao governo.

Com grande influência na política e por trás de medidas importantes assumiu o poder em 1979, quando Bakr deixou o cargo devido a questões de saúde. Tornou-se além de Chefe do Estado Presidente do Conselho do Comando da Revolução, primeiro-ministro, Comandante das Forças Armadas e secretário geral do Baas. Sua face ditatorial, já conhecida pelos mais próximos (não escondia o fato de ser bastante violento) se mostrou logo em seguida.  Apontou 66 integrantes do exército que, segundo ele, tramavam contra a revolução. Acabaram executadas 34 pessoas por um pelotão de fuzilamento conduzido pelo próprio Saddam.

Declarou guerra ao Irã em 1980 devido a uma disputa pelo estuário de Chat- el Arab. Segundo alguns observadores, cerca de 1 milhão de pessoas morrem no conflito que terminou em 1988. A principal vitória de Saddam foi ter transformado o Iraque em um importante ponto estratégico para as ambições do ocidente na região.

Acabaria entrando em conflito  com os EUA em 1990, na Guerra do Golfo, quando decidiu invadir o Kuwait com intenção de anexá-lo. O Iraque passou a sofrer sanções da ONU e bombardeiros dos americanos, forçando o fim da guerra.

A população do país acabou reduzida à miséria enquanto Saddam em seu palácio desafiava as Nações Unidas e impedia a inspeção de agentes da ONU em busca de armas de destruição em massa, em 1993. Dois anos depois se elegeu novamente com a marca de 99,9% dos votos. Em 1998, Reino Unido e Estados Unidos bombardearam o Iraque afirmando querer dificultar a criação de armamentos.

Após os ataques de 11 de setembro a pressão sobre o país cresceu. A ONU buscou novamente armas no país mas acabou tendo dificuldades para verificar certos locais e não encontrou nada. Em 20 de março de 2003 uma coalização entre EUA e Inglaterra iniciou um ataque no Iraque que depôs Saddam. Ele foi preso em 13 de dezembro de 2003 escondido em um buraco na cidade de Adwar, próxima a Tikrit. Embora estivesse armado, se rendeu pacificamente.

Considerado prisioneiro de guerra, foi julgado pelo governo provisório iraquiano. Foi acusado de genocídio (cometido em 82 contra os xiitas), violação dos direitos humanos e crimes de guerra. Considerado culpado acabou sendo condenado a pena de morte apesar dos protestos de diversas nações da União Europeia e da ONU. Morreu por enforcamento.

Páginas selecionadas pelo Editor

PÁGINAS HISTÓRICAS

Proclamação da República

Veja essa e outras capas que marcaram época Proclamação da República

Acervo Estadão

Tópicos
ver todos